Universidade do Futebol

Gepeef

15/03/2010

Importância da “Lei de Ensino” para jogadores de base do futebol

A maior parte dos adolescentes jogadores de futebol das categorias de base de equipes brasileiras não se tornará atleta profissional, e isso não é apenas por falta de potencial, mas porque o esporte de alto rendimento tem pouco espaço para tantos praticantes. Inclusive por isso, mas não só, o esporte de competição deve possibilitar o desenvolvimento tanto das características específicas da modalidade, como também de características necessárias para a convivência desse jogador quando ele precisar parar de jogar futebol.

Nesse sentido, o governador José Serra sancionou a Lei no. 13.748, de 08 de outubro de 2009, que obriga os clubes de futebol do Estado de São Paulo a assegurar que todos os seus jogadores menores de 18 anos estejam matriculados em instituições públicas ou privadas de ensino básico. Os comprovantes de matrícula e frequência escolar deverão ser entregues à Educação e à Comissão de Educação da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.

Por um lado é triste saber que precisamos de mais uma lei para assegurar o direito previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Por outro lado, é importante termos os governantes assegurando esses direitos, mesmo que seja por meio de punição. Pois os clubes que não cumprirem a norma receberão multas de R$3.962,50 por jogador e, em caso de reincidência, ficarão impedidos de participar de jogos e campeonatos oficiais organizados pela Federação Paulista de Futebol (FPF).

Para quem trabalha com atletas, a importância dessa lei é maior ainda, pois o atleta que além de jogar também estuda, apesar do cansaço que isso representa para o mesmo no dia a dia, tem outro ambiente de relacionamento, tem contato com outros conhecimentos e, consequentemente, desenvolve mais sua capacidade cognitiva e emocional por conta das diferentes situações as quais vivencia.

Um atleta inteligente é o que tanto os técnicos quanto as torcidas mais querem ter em suas equipes. Porém, esse tipo de atleta não se define apenas por um atleta técnico e taticamente muito bom, mas, além disso, significa um atleta capaz de resolver problemas em todas as esferas em que eles ocorrem. E por isso as diferentes dimensões que fazem parte da formação do ser humano – como as dimensões física, técnica, tática, social e emocional – são fundamentais nessa formação, tanto para bater um pênalti, como para dar uma entrevista, por exemplo, e quanto mais situações diversificadas vivenciam, mais as desenvolvem.

Por conta de uma formação diversificada, além de um trabalho também diversificado em campo, com uma equipe interdisciplinar, é fundamental que o atleta vivencie diferentes situações, que tenha mais de uma opção de carreira – e para isto a educação formal é fundamental. Com isso, a formação desses jovens atletas não se restringirá apenas ao domínio do esporte em si como um fim, mas se ampliará abrangendo outras dimensões contando com a participação de outros profissionais – como os professores e outros profissionais das escolas – e com a inserção ou manutenção deste jovem num ambiente fundamental para sua vida social.

Conhecimento sempre tem espaço na vida de qualquer pessoa, seja para aprender a jogar futebol, seja para negociar um bom contrato ou para obter um emprego em outro contexto.

Bibliografia

CONFEF. Sancionada lei de ensino para jogadores de base. Revista do CONFEF, Rio de Janeiro, ano IX, n.34, p. 28. dez. 2009.

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