Universidade do Futebol

João Paulo Medina

14/12/2005

Informações que desinformam

Entender a realidade, a vida e todos os fenômenos que os cercam nem sempre é uma tarefa fácil.

Alguém já disse que a mentira é uma verdade que deixou de acontecer. Já a desinformação é algo que aconteceu, mas é dito de um jeito que dá a idéia de que aconteceu de forma diferente.

Isso, muitas vezes, acontece por pura desinformação da fonte que produz a dita “informação”. Mas pode também estar envolto de uma verdadeira manipulação dos fatos o que, sem dúvida, se torna algo muito mais grave.

Vemos, com mais freqüência do que gostaríamos, os órgãos de imprensa praticando a desinformação que, não raro, nos faz desconfiar de que alguma espécie de manipulação pode estar por trás das noticias.

Dias atrás, por exemplo, ouvi e li comentários sobre o desconhecido time de futebol da Arábia Saudita, chamado Al Ittihad.  Desconhecido se levarmos em conta que vivemos no Brasil, pois no mundo árabe este é um dos times mais conhecidos e famosos por sua história e performances no Oriente Médio.

Como trabalhei neste clube na temporada de 2003-2004 e conhecendo um pouco de sua historia e seus jogadores, fiquei surpreso quando me deparei com noticias afirmando que este clube, que jogou com o São Paulo pelo mundial interclubes, era apenas um time de aluguel, ou pior um time de mercenários.

Pensei, então, acompanhando estas noticias que, talvez, o Al Ittihad tivesse mudado sua política e contratado na última hora um novo time para disputar o mundial de clubes.

Isso talvez pudesse ter algum fundamento se o clube conseguisse inscrever três brasileiros contratados recentemente que, juntamente com Khallon, entrassem em campo. Coisa que não ocorreu. Apenas Khallon, um destacado jogador de Serra Leoa que há anos joga na Europa, conseguiu condições de jogo.

O que pude observar (e esta é a realidade que deveria também ser contada para não distorcer os fatos) foi que o time saudita jogou contra o Al Ahli do Egito e o São Paulo Futebol Clube com nada menos do que 9 jogadores que jogam juntos há praticamente 3 anos consecutivos. 

Penso que em um modelo de jornalismo mais atento e crítico estes acontecimentos, aparentemente – e só aparentemente – sem muita importância, deveriam ser considerados.

Fatos como este, se não esclarecidos adequadamente distorcem a realidade e são capazes de transformar a informação em desinformação.

Para interagir com o autor: medina@universidadedofutebol.com.br

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