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29/07/2018

Jogar bem

A beleza é uma questão subjetiva e depende do ponto de vista de quem a vê.

“Como a equipe irá jogar?”

As possibilidades são muitas e esta é uma questão fundamental, que cabe (salvo algumas exceções[1]) ao treinador definir, ainda que em termos gerais, no menor tempo possível.

Quais serão os padrões (em termos coletivos, num nível macro) que a equipe deverá apresentar quando estiver atacando, defendendo e realizando as transições?

Ser mais defensivo ou ofensivo (enquanto padrão)?
Controlar a bola ou o espaço (enquanto padrão)?
Marcar em bloco alto, médio ou baixo (enquanto padrão)?
Marcação zona, mista ou individual (enquanto padrão)?
Atacar ou Contra-Atacar (enquanto padrão)?
Ataques rápidos ou ataques continuados (enquanto padrão)?

Particularmente, penso não existir certo ou errado e sim opções e escolhas, que devem ser coerentes e ajustadas às características do contexto e fundamentalmente dos jogadores, com o que um conjunto de indivíduos pode realmente produzir.

Assim, em minha opinião, o “jogar bem” está intimamente relacionado à equipe conseguir colocar em prática uma ideia de jogo que seja capaz de potencializar e expressar o talento e as qualidades dos jogadores, ao mesmo tempo que esconda suas debilidades e fragilidades, fazendo a equipe ser forte e competitiva.

À esquerda o Leicester City de Claudio Ranieri, campeão da temporada 2015/2016 jogando um futebol direto, com bolas longas, mais defensivo e de ataques rápidos/contra-ataque, e à direita o Manchester City de Guardiola, campeão da temporada 2017/2018 do mesmo campeonato inglês, com o famoso estilo de jogo de Pep Guardiola. “Futebóis” diferentes no estilo e na estética, mas ambos de qualidade. Foto: Reprodução Web.

 

Portanto, o treinador deve conhecer de futebol e suas diferentes e variadas possibilidades, para depois, de um enquadramento/”diagnóstico” inicial, tomar partido pela ideia que mais se ajusta às necessidades e possibilidades da sua equipe.

Isso, se pretender a obtenção de resultados, é claro.

[1]Em alguns clubes, em função da sua história e cultura, o estilo de jogo (em níveis gerais) não se altera.

Comentários

  1. Jorge Gonçalves disse:

    Me parece, como expectador, que é feita uma confusão propositada (ou ingenua) sobre jogar bonito ou feio. Concordo com o autor do artigo, que jogar bonito ou feio não está associado ao esquema tático. Acredito que ninguém ache que jogue bonito um time que para as jogadas com faltas, que erra passes sistematicamente e que se utilize das jogadas paradas e os “chuveirinhos” para ganhar as partidas. Pode utilizar qualquer esquema tático que estará jogando feio.

  2. evandro6 disse:

    Jogar bem estará sempre relacionado ao que o treinador imagina para a sua equipe, desde que sua forma de jogar esteja dentro do possível, levando em consideração, os atletas que tem e toda sua estrutura, posso ter a mesma ideia do Guardiola, mas se não posso ter jogadores para as funções necessárias para o meu sistema de jogo dar certo..algo faltará! Se não tenho tempo hábil para treinar e por em prática, estará faltando algo, mas entendo tbém que ainda que tudo esteja de acordo com o planejado posso estar jogando bem na minha concepção, mas a maneira de jogar pode ser feia, logo beleza e eficiência não caminham juntas necessariamente, veja a Suécia, e se uma seleção como essa vence a Copa do Mundo, corre-se o risco de virar tendência!

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