Jogos reduzidos vs treino convencional: vantagens e desvantagens

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Historicamente, o desenvolvimento das capacidades físicas exigidas pelo futebol desenvolveram-se de forma seperada dos aspectos motores do jogo, principalmente pelo fato de se “importar” modelos de treinos já consagrados em outras modalidades esportivas, como o atletismo, por exemplo.

Embora em muitos clubes do mundo ainda seja comum encontrarmos treinos técnicos, físicos e táticos sendo realizados em sessões separadas, atualmente, a popularização dos chamados “jogos reduzidos” trouxeram a tendência de se integrar as diferentes exigências do futebol moderno.

Mas será que há indícios suficientes que garantam aos jogos reduzidos maior efetividade do que o treino convencional?

Os jogos reduzidos utilizam pequenos jogos em que as regras são adaptadas às quais variam o tamanho do campo, o número de jogadores e o tipo de estímulo que é dado (contínuo vs intervalado). Entre seus benefícios encontram-se a reprodução de movimentos específicos em situação competitiva, exigindo dos atletas tomadas de decisão em situação de pressão e também com fadiga acumulada facilitando a aquisição da habilidade técnica e da inteligência de jogo.

Para o sucesso efetivo desse tipo de estratégia é fundamental que as regras utilizadas permitam um jogo que aprimore exatamente aquilo que se deseja. Nesse caso, fatores como a área do jogo selecionada, o número de jogadores, a utilização ou não de goleiros, o incentivo do treinador e a característica do estímulo serão fatores que influenciam diretamente no sucesso ou fracasso da execução dos jogos reduzidos.

 

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Como controle da efetividade deste tipo de treino estudos já identificaram boa validade e reprotudibilidade. O controle da intensidade geralmente é feito pela análise da frequência cardíaca (FC), das concentrações sanguíneas de lactato ([La]) e da percepção subjetiva de esforço (PSE), sendo que a PSE apresenta-se mais confiável do que a FC e o [La].

Quanto à distância percorrida e as velocidades de deslocamento, a monitoração pelo Sistema de Posicionamento Global (GPS) tem se mostrado efetiva e impressindível no controle da carga, embora existam algumas limitações em atividades realizadas em alta velocidade e outros problemas técnicos como frequência de aquisição dos dados, quantidade de satélites para captação do sinal, bem como restrição de medida em lugares cobertos.

Quanto à especificidade do jogo, no geral os estudos demonstram que a intensidade da tarefa é maior quanto menor for o número de jogadores utilizados em relação à área do campo; entretanto, nem sempre isso significa que cada jogador tenha maior quantidade/qualidade na distância dos deslocamentos.

Também tem se sugerido que nos jogos reduzidos a intensidade costuma ser maior do que o jogo propriamente dito, assemelhando-se inclusive aos treinos genéricos realizados de forma intervalada, tanto de curta quanto de longa duração. Isso sugere que parece não haver diferença sobre o aspecto físico em se fazer um treino com jogo reduzido ou tradicional.

Sem dúvida, a grande vantagem dos jogos reduzidos está em integrar aspectos técnicos, físicos e táticos específicos do jogo que permitem economizar tempo – fator muito importante nos dias atuais. Porém, para que isso seja efetivo, a comissão técnica terá que ter o trabalho de desenvolver treinos lógicos e com logística suficiente para aprimorar aspectos específicos conforme os objetivos pré-estabelecidos. Caso isso não seja pensado, corre-se o risco de os jogos reduzidos desenvolverem outros aspectos que não são desejados no momento, ou até mesmo de se tornar menos efetivo do que os treinos convencionais.

Pelo visto, a escolha entre o chamado treino tradicional e os jogos reduzidos dependerá do conhecimento e da experiência prévia de cada comissão técnica que deverá calcular riscos, benefícios, vantagens, desvantagens e limitações de cada estratégia.

Para interagir com o autor: cavinato@universidadedofutebol.com.br  

Saiba mais:

Hill-Haas SV, Dawson B, Impellizzeri FM, Coutts AJ. Physiology of small-sided games training in football: a systematic review. Sports Med. 2011 Mar 1;41(3):199-220.

Gray AJ, Jenkins DG. Match analysis and the physiological demands of Australian football. Sports Med. 2010 Apr 1;40(4):347-60.

Casamichana D, Castellano J. Time-motion, heart rate, perceptual and motor behaviour demands in small-sides soccer games: effects of pitch size. J Sports Sci. 2010 Dec;28(14):1615-23.

Foster CD, Twist C, Lamb KL, Nicholas CW. Heart rate responses to small-sided games among elite junior rugby league players. J Strength Cond Res. 2010 Apr;24(4):906-11.

Rampinini E, Impellizzeri FM, Castagna C, Abt G, Chamari K, Sassi A, Marcora SM. Factors influencing physiological responses to small-sided soccer games. J Sports Sci. 2007 Apr;25(6):659-66.

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