Universidade do Futebol

Gepeefe

15/07/2008

Jogos/cultura de rua e o futebol

Resumo

O trabalho proposto visa compreender o jogo/cultura de rua e fazer com que o mesmo adentre escolinhas de futebol, aulas de educação física e todo o meio futebolístico, servindo como uma forte ferramenta pedagógica para o processo de ensino/ aprendizagem. A grande questão é de que forma jogos/cultura de rua contribuem para o futebol? Para resposta de tal indagação, uma vasta revisão bibliográfica sobre o fenômeno jogo, cultura e o futebol foi elaborada, evidenciando o quanto é importante agregar essa rica cultura ao futebol.

Introdução

A relação entre jogo e cultura é imensa. Não sabemos se o jogo advém da cultura ou a cultura advém do jogo, logo podemos considerar que os mesmos estão justapostos. Assim, jogo e cultura estão presentes no mundo da rua, um mundo livre, solidário, desafiador e muitas vezes cruel (classificamos rua todo ambiente que não pertence ao ambiente escolar e doméstico).

Esse mundo encantador fez e faz parte de toda sociedade dentro de sua forma de cultura – quem nunca brincou de taco, golzinho, três cortes, pega-pega, polícia e ladrão, pique-bandeira, bolinha de gude ou pipa? Ou seja, quem nunca viveu esse ambiente?

E presos a esse mundo, quantas vidraças foram quebradas, bolas furadas, dedos esfolados, broncas levadas, amizades criadas, rompidas, e, mesmo assim, tempos depois estávamos lá buscando tudo novamente, pois estávamos contagiados pelo senhor do jogo.

A partir de toda essa cultura, é evidente que agregamos uma série de valores, conhecimentos e habilidades, sejam elas cognitivas, motoras ou afetivas. E o processo de ensino/aprendizagem do futebol agrega essa cultura ao trabalho que desenvolve?

Pelo cenário em que se desenvolve o ensino do futebol, observamos que muitas vezes não se sabe usufruir dessa rica cultura em que muitos valores estão agregados aos alunos, pois esses trazem consigo mesmos uma história de vida com inúmeras experiências. Porém, o futebol está ligado apenas a valores conceituais, operacionais, técnicos e burocráticos, com objetivos distantes da realidade dos alunos.

De que forma os jogos/cultura de rua podem contribuir para o futebol? O trabalho proposto visa evidenciar o quanto o jogo/cultura de rua pode contribuir no processo de ensino/aprendizagem, com ênfase nas aulas de educação física e escolinhas de futebol, levando em consideração toda a bagagem cultural do aluno, contribuindo para sua formação global.

Cultura e o jogo

Cultura é tudo aquilo que envolve uma sociedade dentro de suas diversas formas de expressão, sendo expressos por: linguagem (formas de comunicação), sistemas de organização e regras de conduta social, sistema de explicação do mundo (crenças, mitos, fábulas e folclore), artes, festividades, valores, entre outros.

Temos três visões de cultura: iluminista, evolucionista e psicológica. Geertz (1989) produz uma ruptura nas três visões, pois segundo o autor a visão iluminista era sobreposta a uma natureza boa do ser humano. Então, considerava-se a postura do indivíduo frente à sociedade.

Já a concepção evolucionista considerava cultura como produto de um estágio evolutivo de cada grupo humano, sendo utilizada como critério para classificação dos humanos entre primitivos ou civilizados. Ou seja, cultura estava diretamente relacionada a conhecimentos formais e de boas maneiras, deixando de lado todas as experiências cotidianas e informais dos indivíduos. Enquanto isso, a visão psicológica considerava cultura coletiva sendo apenas o somatório das mentes e produções individuais, descartando uma cultura geral. Dessa forma, a cultura não influenciava no indivíduo.

Em momento algum objetivamos nos aprofundar na discussão antropológica do conceito de cultura, mas as palavras de Geertz (1989) são de suma importância para o entendimento da nossa proposta.

A cultura é a própria condição de vida de todos os seres humanos. É o produto das ações humanas, mas é também processo contínuo pelo qual as pessoas dão sentidos a suas ações. Constitui-se em processo singular e privado, mas é também plural e público universal, porque todos os humanos a produzem, mas é também local, uma vez que é a dinâmica específica de vida que significa o que o ser humano faz. A cultura ocorre na mediação dos indivíduos entre si, manipulando padrões de significado que fazem sentido num contexto especifico.

Assim, a cultura influencia o indivíduo e o mesmo a cultura, sendo processo e produto da cultura, que é variável em diferentes regiões. Segundo Bodanese (2002), convém ressaltar que se encontram culturas em estágios diferentes dentro de uma mesma época, pois a capacidade de cada pessoa e as suas condições gerais de vida diferem de um lugar para outro.

A cultura não é concreta e muito menos invariável. A partir do contato com novas idéias, diferentes culturas e gerações ela sofre transformações. Com isso, não podemos dizer que a mesma está perdida, mas sim que sofreu adequações ao meio de acordo com a época, sendo acumuladas ou transformadas. Antropologicamente, sabemos que a cultura é o conjunto de experiências humanas adquiridas pelo contato social e acumuladas pelos povos através do tempo.

A partir desse entendimento de cultura, podemos relacioná-la quanto a nossa linha de pesquisa – jogo/cultura de rua e a educação. Porém, muitos devem estar se perguntando o que um artigo da área de educação física, área que muitas vezes está relacionada a ciências biológicas, almeja alguma co-relação com a cultura?

Diferentemente de outras abordagens da educação física, que seguem outra linha de pensamento e acreditam na formação humana decorrente de fatores biológicos, deixando os aspectos culturais em último plano, não somos convencidos por tal idéia. Temos outro entendimento, partindo do seguinte pressuposto, que para Geertz (1989) isso leva a construção de um ser “estratigráfico”, ou seja: o indivíduo obtém como núcleo o componente biológico, superposto seqüencialmente por estratos psicológicos, sociais e a camada mais externa a cultural.

Descartamos esse indivíduo “estratigráfico”. Dessa forma, entendemos que o ser humano é formado por uma simultaneidade biológica e cultural, um ser humano que é formado por todas as dimensões (biológica, social, psicológica e cultural), tendo os fatores biológicos associados a ambientes e cultura. Assim, todas as dimensões compõem o individuo de forma “sintética”, pois Geertz (1989) afirma que o cérebro humano é também cultural.

Levando em consideração todos os aspectos relacionados à cultura citados acima, co-relacionado com nossa área de trabalho, deixamos bem claro que não concordamos com padrões de movimento, pois segundo Freire (1989), as diferenças étnicas, sociais e culturais das diversas populações do mundo tornariam impossível qualquer padronização. Estaríamos assim menosprezando a capacidade humana que o diferencia de outros animais: a capacidade de pensar. O mesmo cita algo mais sobre movimento.

“[…] organizações de movimentos construídos pelos sujeitos, em cada situação, construções essas que dependem, tanto de recursos biológicos e psicológicos de cada pessoa, quanto das condições do meio ambiente em que ela vive […]”.

De acordo com esse autor, ficam questionadas em que situações existem tais possibilidades, de criar, construir, descobrir ou imitar realizando movimentos? Logo pensamos em jogos de rua, jogos pelo quais diversos fatores influenciam, sendo fator predominante cultural, talvez aí a justificativa para tal artigo.

É de suma importância para o desenvolvimento dessa discussão saber, realmente, o que é o jogo. À procura dessa resposta, uma fiel revisão bibliográfica das obras daqueles que realmente tentaram desvendar e caracterizar o fenômeno jogo. Para Huizinga (1995), o jogo é anterior ao homem, sendo assim anterior à cultura. Segundo o autor, até animais irracionais jogam. A partir desse pensamento, o jogo permite o desenvolvimento da cultura.

Opondo-se a Huizinga (1995), o estudioso Caillois (1990) defende o jogo como proveniente da cultura, e não a cultura proveniente do jogo, como o autor anterior afirma. Para Caillois (1990), o jogo é uma degradação das atividades dos adultos.

Observando as visões opostas de grandes pesquisadores, gastaríamos infinitas linhas e folhas discutindo o assunto, porém o trabalho proposto não visa saber quem está certo ou errado, mesmo porque não chegaríamos a um consenso. Mas os fatos são de grande valor para que fiquem claras as palavras que citamos no início desse trabalho: jogo e cultura estão justapostos.

Apesar do valor das palavras desses citados acima, outros autores podem contribuir para o entendimento do complexo assunto abordado, como Brougère (1998), que afirma o jogo como um fato social que produz uma cultura, e ao mesmo tempo é produzido por uma cultura, trazendo à tona mais uma vez a forte ligação jogo/cultura.

Fica inquestionável o conhecimento dos citados acima, mas eles se perdem ao falarem sobre o jogo. Para os mesmos, qualquer questão relacionada à ludicidade prende-se ao jogo, de forma que não podemos viver a utopia de que tudo é um jogo, que a vida é um jogo. Freire (2002) faz fortes críticas aos mesmos quanto a essa questão. O autor cita exemplos, como a guerra, a caça e até o trabalho como outras formas de se obter ludicidade fora do jogo. Deixando claro que a vida não se limita a um jogo, mas não podemos subestimar os valores que o mesmo possui na sociedade.

A discussão não se encerra nesse momento. O mesmo autor caracteriza o jogo como uma simulação da realidade, mas ao contrário de outros autores, ele caracteriza-o de forma mais pautada, segundo Freire e Scaglia (2003 p. 33).

O jogo é uma categoria maior, uma metáfora da vida, uma simulação lúdica da realidade, que se manifesta e se concretiza quando as pessoas praticam esportes, quando lutam, quando fazem ginásticas, ou quando as crianças brincam.

Percebe-se que o jogo está diretamente e internamente relacionado a diversas manifestações culturais, sendo que os autores o contextualizam com a cultura corporal do movimento (objeto de estudo da educação física). Diferenciando-se dos autores anteriores, que viam o jogo de forma utópica. Logo nos perguntamos: o que há de tão bom nesse tal jogo? Por que todos, sem exceção, são contagiados por ele?

Seja nas mais diversas sociedades, da bolinha de gude ao pôquer, do futebol ao videogame, de alguma maneira você está atrelado a esse mundo. Quando jogamos, adentramos um mundo de fantasia pelo qual somos consumidos. Porém, ao mesmo tempo somos donos do mesmo, saímos e entramos a hora que quisermos. Mas quando nos distanciamos, uma forte saudade nos convida a retornar. Tais palavras podem-nos facilitar a compreensão em relação ao mundo do jogo, ser do jogo e senhor do jogo citados por Venâncio e Freire (2005). Esses argumentos respondem o motivo pelo qual se torna tão fascinante e presente em todas as sociedades e diferentes formas de cultura.

Nota-se ao decorrer do nosso trabalho a importância dos referenciais teóricos que dizem a respeito do jogo. Também é claro que apesar de considerá-los, em momento algum fragmentamos o fenômeno jogo, pois Freire (2002) corrobora com nosso entendimento de que, caso fragmentarmos o jogo, faremos uma busca infinita, um caminho sem fim em relação a ele.

O mesmo Freire (2002) faz duras críticas a quem fragmenta o jogo. Para ele, o ambiente e o jogo têm total relação. Sendo assim, autores como Huizinga, Caillois, Brougère e Chateau permeiam uma busca sem fim quando tentam caracterizar o jogo por partes. Dessa forma, entendemos que devemos estudar o jogo em sua totalidade, e não reduzido a simples partes.

A partir desse amplo entendimento sobre o jogo/cultura, como os mesmos se desenvolvem no mundo da rua?

Jogos/cultura na rua

A revisão bibliográfica feita até aqui deixa bem claro o quanto o jogo e a cultura estão justapostos, onde quer que um esteja outro o acompanha. As considerações obtidas no capítulo anterior evidenciam o quanto o ambiente é fundamental para o desenvolvimento do jogo/cultura. E quanto ao ambiente da rua? Um ambiente livre para ser criança, ou seja, para brincar, cheio de desafios, amigos, obstáculos, crueldade, etc. Como jogo/cultura se desenvolve nesse ambiente?

O pensamento de Caillois (1990), citado anteriormente, nos abre horizontes a essa questão, pois se o jogo é proveniente da cultura, dessa forma a cultura que permeia uma região será refletida no jogo. Seguindo o pensamento do autor, caso em uma vila caiçara seja praticada a pesca, as crianças a trariam para o mundo do jogo, pois o jogo é uma degradação da atividade adulta. Sendo assim, podemos até analisar certas sociedades através de seus jogos.

Assim como Brougère (1998) nos flexibiliza outro entendimento perante o assunto, para ele, o jogo é produto e processo cultural, ou seja, aproveitando o exemplo anterior, quando as crianças brincam de pescar, estão produzindo uma cultura, mas só brincam assim pois pertencem a uma cultura. Visto isso, podemos analisar melhor os jogos/cultura de rua.

Um exemplo simples de ser utilizado é da famosa brincadeira de “polícia e ladrão”, tendo seus sinônimos ao longo do tempo como “capitão do mato pega nego fujão”, explicitando o quanto direta é a relação sócio-cultural com a brincadeira. Proporcionando-nos um novo olhar perante aos jogos de rua, mesmo aqueles que são tradicionais como pipas, pega-pega, cabra-cega, etc. Kishimoto (1993) faz grande estudo na área e para ela o jogo tradicional é aquele que é transmitido de geração para geração, reproduzindo uma cultura.

Entretanto, não podemos ser hipócritas e querer acreditar que os jogos tradicionais não sofrem influência da sociedade ao longo do tempo. Dessa forma, são alterados por ela. Basta analisarmos os jogos de rua de uma grande cidade no início do século e nos dias de hoje, mesmo porque a rua não se caracteriza apenas por jogos tradicionais.

Muitos fatores são considerados no mundo da rua, pois improvisos, respostas rápidas são exigidas a todo o momento, formando assim uma forte relação das crianças quanto a valores cognitivos e corporais, seja por jogos tradicionais ou não. Dessa forma, na rua temos o desenvolvimento, de acordo com o Mauss (1974), das técnicas corporais que para o autor seriam “… as maneiras como os homens por sociedade e de maneira tradicional sabem ser-vir de seus corpos”. Então, os jogos/cultura têm grande valia para a formação dessas técnicas corporais.

Dessa forma, os mesmos contribuem para a formação da cultura lúdica do indivíduo. Porém, o que é cultura lúdica? Para Brougère (1998), trata-se de um conjunto de procedimentos, regras e significações próprias do jogo. Logo, podemos afirmar que é em boa parte composta por meio dos jogos de rua. Essa cultura lúdica trará às crianças grandes valores para sua formação.

Entretanto, não cometeremos o pecado de dizer que os jogos de rua estão presentes como antigamente na vida de todos. Devido a todo o processo de desenvolvimento urbano, a rua se tornou cheia de carros, edifícios, comércios e foram embora os espaços vazios, terrenos baldios, casas abandonadas, etc. Dessa forma, Kishimoto (1993 p. 96) faz um triste comentário quanto a esse ambiente: pode-se concluir que crianças de rua são as únicas a usufruir o direito de partilhar de jogos livres, como os jogos tradicionais infantis que se desenrolam em grandes espaços públicos como as ruas.

É triste saber que tal ambiente tão rico se perca em meio a esse processo evolutivo desenfreado, de modo que apenas os menos favorecidos possam desfrutá-la. Concordamos com a autora que não é possível a todos desfrutar o mesmo ambiente, mas cada cultura reproduzirá os seus jogos de rua, seja lá onde for.

Todos os valores citados acima sobre jogos/cultura de rua, como mostramos, contribuem muito para o desenvolvimento do indivíduo. Porém, se esse ambiente está sendo perdido e possui tantos benefícios para a formação do indivíduo, por que aulas de futebol, nas escolinhas ou nas aulas de educação física, não se utilizam desse mundo para seu desenvolvimento?

Jogos /cultura de rua e o futebol

De que forma jogos /cultura de rua contribuem para o futebol? Esse é o tema problemático do trabalho abordado. Para desembaraçar tal questão, necessitamos saber qual o verdadeiro valor desses jogos/cultura de rua. Qual o objetivo das aulas de futebol?

A primeira questão já foi previamente discutida no capítulo anterior, mostrando que a rua traz toda uma cultura, contribuindo para a vida dos indivíduos. Já em relação à segunda questão, consideramos que as aulas têm como papel primordial educar, que segundo Venâncio e Freire (2005) é mais que transmitir conteúdos: é ensinar a viver. Seguindo com esse pensamento, entendemos que as aulas de futebol devem ensinar futebol a todos, ensinar bem o futebol a todos, ensinar mais que o futebol a todos e ensinar a gostar de esportes.

Entretanto, na rua a cultura, como mostramos anteriormente, está sempre presente, enquanto escola/escolinhas desdenham e não consideram essa bagagem cultural do aluno. Lembrando Freire e Scaglia (2003), deixando todo conhecimento do aluno na porta da escola, como tudo que aprendeu antes da escola não tivesse valor para o desenvolvimento do cidadão.

Falta à escola/escolinha ensinar mais para a vida do aluno, não apenas para uma simples “peneira”, visando apenas formar um atleta (sem desconsiderar a importância de formar um atleta ou uma equipe de competição).

Entendemos que o sistema educacional esportivo não ensina para a compreensão, os alunos apenas conhecem os conteúdos, lembramos Blythe (1998), que diferencia conhecer e compreender. Para conhecer basta apresentar habilidade em alguma tarefa. Enquanto isso, para compreender é preciso flexibilizar o conhecimento em diferentes situações.

Dessa forma, acreditamos em aulas em que haja compreensão. E para proporcionar a mesma, temos de flexibilizar, facilitar e resignificar os conteúdos aplicados aos alunos, utilizando-os como uma ferramenta pedagógica. Nada melhor do que a cultura lúdica agregada na rua para facilitar e significar o processo de ensino/aprendizagem. Porém, de que modo usar jogo/cultura de rua no futebol?

Apenas trazer o jogo da rua para o futebol seria muito pouco, e dificilmente chegaríamos a um objetivo comum, lembrando que o nosso jogo de rua pode ser diferente do seu e assim por diante. Imagine a escola/escolinha ensinando brincadeiras como “vão de perna – pé na bunda”, “meinho”, “balança caixão”, entre outras com reconhecida crueldade. Porém, apesar de cruéis, essas atividades representam e fazem parte de uma cultura.

Entretanto, podemos trazer o jogo da rua para o ensino do futebol de modo que o mesmo contribua para o processo de ensino/aprendizagem com as suas adaptações pedagógicas. Dando suporte a tal pensamento, contamos com Freire (1998 p. 2). Referindo-se ao futebol, nos dá suporte a esse pensamento, pois para o autor:

“[…] como a escola não é a rua é claro que isso só se pode ser feito com diversas adaptações. Por um lado se perderá o ambiente natural de aprendizagem das brincadeiras de rua. Por outro lado, isso poderá ser compensado com inclusão de bons profissionais que sejam formados para, efetivamente ensinar […]”.

Assim, podemos agregar a rica cultura da rua ao processo de ensino/aprendizagem, respeitando e ampliando as compreensões dos alunos.

Considerações finais

Sem dúvida alguma, o jogo/cultura de rua está presente em diversas sociedades e em diferentes culturas. Visto isso, é de grande concordância dizer que são fenômenos que engrandecem a espécie humana, sendo jogo e cultura justapostos produto e processo cultural. O jogo proveniente da cultura, do modo que for, contribui – e muito – para o desenvolvimento do ser humano.

Reconhecendo o esporte como grande fenômeno cultural do século XXI e toda a magnitude do futebol na sociedade brasileira, não podemos esquecer que o mesmo tem dimensões muito maiores nas ruas do que nos gramados, sendo essa rua muitas vezes a grande responsável pelo ensino do futebol.

Ensino que por sua vez é agregado não apenas por atividades diretamente ligadas ao futebol, e sim por meio das mais diversas brincadeiras condizentes a determinada cultura. Explorando toda uma cultura lúdica, construção de regras, soluções de problemas e os mais diversos desafios que a rua oferece.

Portanto, o jogo/cultura de rua é sim fundamental para formação humana. Sendo bem utilizado por profissionais capazes, pode e deve penetrar os limites da escola/escolinha de futebol, tornando-se uma grande ferramenta pedagógica para o processo de ensino/aprendizagem, facilitando a formação do tão requisitado jogador/cidadão, crítico, autônomo e consciente.

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* Eric da Silva, Estela Vukovic e Thiago Almeida são graduandos do curso de licenciatura do Centro Universitário Unimódulo e membros do GEPEEFE. Roberto Rocha Costa é professor mestre do Unimódulo e orientador do GEPEEFE.

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