Jordi Melero Busquets, gerente de prospecçao do FC Barcelona

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Lições. Até hoje, quando se reflete sobre o estágio do futebol brasileiro e os próximos passos que devemos dar, voltamos o olhar para o dia 18 de dezembro de 2011. À ocasião, o Barcelona aplicou 4 a 0 sobre o Santos, na final do Mundial de Clubes da Fifa, e passou um recado: não é somente com talento individual que se vence uma partida ou um campeonato.

Na Europa, de modo geral, e principalmente em países como Espanha e Portugal, a importância dada à qualidade na execução do Modelo de Jogo de uma equipe tem feito estes dois países, ao lado de Inglaterra e um pouco da Alemanha, se sobressaírem perante os rivais internacionais.

Em termos clubísticos, o Barcelona, que tem hoje talvez o melhor trabalho feito em uma categoria de base, não deixa, porém, de voltar às suas atenções para o “atrasado” Brasil.

Ex-jogador e atual gerente de prospecção do clube catalão, Jordi Melero Busquets é um admirador dos talentos nascidos em terras tupiniquins. Em agosto, ele esteve no II Seminário de Futebol, realizado no Grêmio e com o apoio da Escola Superior de Educação Física da UFRGS. Lá, Busquets deu detalhes sobre o protocolo de avaliação de jogadores para o plantel profissional e as características individuais para integrar a tradicional agremiação blaugrana.

Em entrevista em vídeo concedida para a Universidade do Futebol, o olheiro do Barcelona, que já recomendou aos espanhóis as contratações de jogadores como Neymar (Santos), Lucas (São Paulo), Juan (Inter de Milão), Leandro Damião (Internacional) e Oscar (hoje no Chelsea), disse que não há no mundo tanto potencial técnico como no país pentacampeão mundial de seleções.

Mas Busquets fez críticas ao perfil que tem visto dos atuais jogadores brasileiros e afirmou que eles têm se destacado mais pela parte física do que pela técnica, o que era a marca dos atletas que atuavam de norte a sul do Brasil.

“Duvido que no mundo haja tanto potecial tecnicamente falando como no Brasil. Mas minha impressão é que vocês, durante a última década, investiram demasiadamente em trabalhos físicos e se descuidaram da parte do jogo. O biotipo do jogador brasileiro, a princípio, tem um nível técnico muito bom. No entanto, tudo evolui e acredito que no Brasil ainda falta encontrar a chave adequada para formar jogadores dentro do contexto de jogo”, apontou.

O planejamento do Barcelona vai totalmente na contramão dos clubes brasileiros na hora de fazer uma contratação. Busquets diz que o aspecto físico nunca é uma prioridade na avaliação de um possível reforço para o time espanhol.

Para ele, os jogadores não precisam ser altos e fortes, mas que devam ter bom passe, velocidade e pensamento rápido, além de preencher também requisitos comportamentais, como a discrição.

 

 

Perfil FC Barcelona: protocolo de avaliação de jogadores
 

 

 

“Estamos à procura de jogadores com boa velocidade gestual e, se possível, que combine habilidades com pensamentos rápidos, nos quais as decisões que se tomem sejam as mais corretas dentro de um contexto coletivo”, afirmou.

“Também procuramos jogadores discretos, que não despertem interesse por seu penteado, seu visual, sua imagem (tatuagens, piercings, vida pessoal e íntima). No Barcelona, tende-se a projetar mais uma imagem de jovens jogadores que se mostrem pessoas normais e que possam transmitir valores confiáveis e saudáveis. Embora não se possa controlar isso posto que as sociedades evoluem constantemente”, completou Busquets.

Não bastasse a divergência em relação ao atual perfil dos jogadores do Brasil, Busquets critica também o comportamento das equipes nacionais dentro de campo, assim como seus posicionamentos táticos.

“Em relação à Europa, percebo uma maior diferença no ritmo de jogo, na intensidade, e nas equipes que jogam mais compactas e não com linhas tão espalhadas como vejo no Brasil. Não tenho referências para opinar sobre a qualidade dos treinadores brasileiros e seus métodos utlizados. Mas na Espanha houve a chegada de muitos técnicos novos com metodologias novas e que foram muito bem aceitas pelos jogadores”, analisou.

Confira alguns trechos:

 

O jogador africano, brasileiro e europeu do Barcelona 
“O Brasil tem sido e acho que sempre será um estilo de jogador imaginativo, com genialidade. Dentro de determinadas partes do campo, ele não tem necessidade de jogar em conjunto para concluir uma jogada” (Jordi Melero Busquets, gerente de prospecção do FC Barcelona)
 


 

 

Quais as diferenças que você observa de atletas de diferentes países?
“O rendimento em relação ao jogo também influi, porque os estados dos jogadores não são iguais. A Alemanha, por exemplo, durante um bom período da temporada, tem o gramado com neve, congelado e também danificado. E isso faz com que o nível do jogador e o jogo seja diferente de outros países” (Jordi Melero Busquets, gerente de prospecção do FC Barcelona)

 

Os países em que desenvolve seu trabalho para o Barcelona
“Tentamos estar muito atentos ao mercado, muito atualizados em relação ao nível de jogadores. Caso haja necessidade durante a temporada, e de olho na próxima, temos de elevar o nível do grupo, uma vez que alguns atletas atingem a idade limite ou precisam ser substituídos” (Jordi Melero Busquets, gerente de prospecção do FC Barcelona)

 

O trabalho na Secretaria Técnica do FC Barcelona
“Minha função principal é proporcionar informações para os meus superiores: o diretor esportivo, o secretário técnico, o diretor de scouts, e o meu âmbito de trabalho é prospectar o mundo”(Jordi Melero Busquets, gerente de prospecção do FC Barcelona)

 

 

Leia mais:
Multidisplinaridade, Interdisciplinaridade e transdisciplinaridade no futebol
Barcelona estimula a reflexão crítica sobre o futebol brasileiro – parte 1
Barcelona estimula a reflexão crítica sobre o futebol brasileiro – parte 2 
Barcelona estimula a reflexão crítica sobre o futebol brasileiro – parte 3

Aula gratuita da Universidade do Futebol: “Barcelona: um exemplo para o futebol brasileiro?”

Maurice Steijn, treinador do ADO Den Haag
Hidde Van Boven, treinador do sub-13 do VV De Meern
Wim van Zeist, instrutor técnico do De Graafschap
Reinier Robbemond, treinador da equipe sub-13 do AZ Alkmaar
Jefta Bresser, ex-treinador da academia de jovens do PSV Eindhoven
Ron Jans, treinador do SC Heerenveen
Aleksandar Rogic, assistente técnico da seleção principal de Gana
João Aroso, treinador adjunto da seleção portuguesa de futebol
Roberto Landi, treinador da seleção da Libéria

Manuel Sérgio, filósofo
Nuno Ramos, artista plástico e escritor

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