Jornalismo literário de esportes esbarra na falta de cultura

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Até a primeira metade do século XX, com a estrutura de comunicação que existia no Brasil, o jornalismo era desempenhado muitas vezes por escritores. A linguagem dos principais veículos do país se aproximava demais da literatura. Era assim também no esporte, com crônicas de autores como Mário Filho e Nelson Rodrigues. A evolução midiática, no entanto, gerou uma cisão entre jornalismo e a abordagem dos escritores. E isso acabou criando um problema cultural no país.

Apesar de consumir notícias sobre esporte de forma contundente, o Brasil ainda tem uma produção incipiente de obras literárias relacionadas ao tema. O principal problema para isso é a falta de público.

“Os livros de futebol vendem pouco no Brasil porque o povo não tem a cultura de comprar essas obras. Meu livro de esporte que vendeu mais foi o ‘Dicionário Santista – Santos de A a Z, mas sem o X´, com cerca de 8 ou 9 mil exemplares. Esse é o número dos meus romances mais mal sucedidos”, comparou o escritor José Roberto Torero, autor de 14 livros, seis deles sobre futebol.

Em função desses números de vendagem, as editoras acabam incentivando menos a produção de obras ligadas ao ambiente esportivo. “Sai muito caro lançar um livro de esporte no Brasil e são poucas pessoas que se animam a isso. Investir em divulgação, então, é algo para poucos”, lembrou o escritor José Renato Sátiro Júnior.

Outro problema, segundo Sátiro Júnior, é o preconceito sofrido pelos escritores ligados ao esporte no Brasil: “Isso vem até de outros autores. Muitos dizem que esse tipo de livro não é sério, o que é um absurdo. O futebol é cultura, ainda mais no Brasil”.

Essa realidade reflete até mesmo o comportamento de jornalistas esportivos quanto ao tema. “A imprensa tem grande parte da culpa por essa situação. Os jornais especializados divulgam pouco o lançamento de livros. O povo se interessaria mais se houvesse mais publicidade”, projetou Sátiro Júnior, que tem seis livros publicados, quatro deles sobre futebol.

Contudo, a situação do jornalismo literário voltado a esportes tem mudado gradativamente no Brasil. A principal razão para isso, aliás, é o interesse da própria comunidade que trabalha na área.

“Compro absolutamente todos os livros brasileiros que saem sobre esportes, mas principalmente futebol, e também alguns livros estrangeiros que me possam ser úteis no futuro. O Brasil vem melhorando muito nessa área, com poucos e bons livros. Não publicamos tanto quanto Argentina ou Inglaterra, mas quando um brasileiro se propõe a fazer surgem obras absolutamente originais”, analisou o escritor Celso Unzelte.

* Colaboraram Gabriel Codas e Rubem Dario

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