Universidade do Futebol

Entrevistas

14/11/2014

José Leão, técnico do Internacional sub-20

Um dos maiores gargalos na formação de um jogador de futebol é o considerado "último passo", quando o então menino vai para a equipe profissional. Muitos jovens jogadores que fazem parte das categorias de base de um clube acabam sentindo muita pressão no momento de subir para o elenco profissional.

A preocupação em não desperdiçar um possível talento que para o time principal do clube está entre os principais desafios a serem superados nas categorias de base no Brasil, aponta José Leão, treinador do Internacional sub-20.

“O principal desafio [de se trabalhar nas categorias de base] é conseguir preparar o jogador da melhor maneira possível para que, quando chegar o momento dele ser aproveitado no profissional, ele consiga ter sucesso e não retorne para as categorias de base. Para isso, precisamos saber o que trabalhar em cada categoria e, junto com os demais departamentos dentro do clube, detectar este momento da sua subida até chegar o profissional, explica o jovem profissional, em entrevista exclusiva à Universidade do Futebol.

Formado em Educação Física e pós-graduado em técnico desportivo em Futebol e Futsal, José Leão passou por escolinhas até chegar as divisões de base do clube gaúcho. O convite foi feito em 2004 e por lá ele permaneceu até os dias de hoje. E passou por todas as etapas. Começou no sub-10 e atualmente comanda o sub-20. Leão também foi treinador da seleção gaúcha, em 2011.

Ele conta que no clube de Porto Alegre, os treinadores de cada categoria, juntamente com os coordenadores, elaboram relatórios de desempenho e laudos técnicos e táticos para acompanhar a evolução de cada atleta da base. E, com isso, tentar um melhor acerto na transição para o profissional.

Nesta entrevista, concedida por email diretamente de Porto Alegre, José Leão ainda fala sobre o projeto Aprimorar e como se dá a integração entre as equipes de base e o departamento de futebol profissional no Internacional. Confira:  

Universidade do Futebol – Fale sobre sua trajetória no futebol e sua formação profissional, por favor.

José Leão – Sou formado em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tenho pós-graduação em treinamento de futebol e futsal pela Pontifícia Universidade Católica. Comecei trabalhando com o futsal em 1997, treinando equipes de competição de uma escola particular em Porto Alegre. Depois, em 2001, recebi o convite para começar a dar aulas na escolinha de futebol do Sport Club Internacional.

Após três anos, fui convidado a treinar a categoria sub-10, com o passar do tempo fui passando por todas as categorias e, quando estava no juvenil, fui convidado para ser o auxiliar técnico da sub 20, atuando ao lado de técnicos como André Jardine, Osmar Loss, e depois o Clemer. Quando este foi para o profissional, fiquei como treinador principal da sub-20 conquistando a Copa sub-19 e o Campeonato Brasileiro.

Assisto a muitos jogos, campeonatos europeus, brasileiro e regionais. Faço também muita leitura e conversas com pessoas ligadas ao meio do futebol, acompanho aqueles treinadores que tenho como referência de trabalho. Procuro assistir palestras e cursos sempre que sobra um tempo nesta rotina de jogos da categoria, diz José Leão

Universidade do Futebol – Como você se mantém atualizado em sua área de atuação?

José Leão – Assisto a muitos jogos, campeonatos europeus, brasileiro e regionais. Faço também muita leitura e conversas com pessoas ligadas ao meio do futebol, acompanho aqueles treinadores que tenho como referência de trabalho. Procuro assistir palestras e cursos sempre que sobra um tempo nesta rotina de jogos da categoria.

Universidade do Futebol – Como se dá a integração entre as equipes de base e o departamento de futebol profissional no Internacional?

José Leão – No Internacional, conseguimos manter um bom relacionamento entre os profissionais, com um maior contato entre as categorias mais próximas, juvenil com júnior, júnior com sub-23 e sub-23 com o profissional.

Portanto, o maior contato com o profissional é com a sub-23. Mas, em todos os momentos que mantive o contato com departamento de futebol, fui muito bem recebido pela comissão e também tenho os meus jogos observados pelo profissional para um maior monitoramento dos atletas.

No Internacional, conseguimos manter um bom relacionamento entre os profissionais, com um maior contato entre as categorias mais próximas, juvenil com júnior, júnior com sub-23 e sub-23 com o profissional, aponta o treinador do clube gaúcho

Universidade do Futebol – Você poderia nos explicar um pouco mais sobre o projeto Aprimorar, realizado nas categorias de base do Internacional? Como ele é planejado e quais as metodologias aplicadas?

José Leão – O Aprimorar tem por base estimular, adaptar, potencializar e adequar características técnicas dos alunos/atletas. Além disso, desenvolver processos referentes ao treinamento técnico aplicado às situações de jogo. Também desenvolve trabalhos relacionados à tomada de decisão tática e individual e desenvolvimento cognitivo em parceria com o setor de psicologia.

Paralelo a isso, temos o projeto Camisa 9, que tem estas mesmas características, mas relacionado a especificamente finalizações e conclusões a gol. Este trabalho é coordenado pelo Ortiz e aplicado pelos professores Wilson e Caetano durante as sessões de treinamento das categorias.

O Projeto Aprimorar tem por base estimular, adaptar, potencializar e adequar características técnicas dos alunos/atletas. Além disso, desenvolver processos referentes ao treinamento técnico aplicado às situações de jogo. Também desenvolve trabalhos relacionados à tomada de decisão tática e individual e desenvolvimento cognitivo em parceria com o setor de psicologia, explica

Universidade do Futebol – Como é organizado o calendário anual da equipe sub-20 do Internacional? Quantos jogos e competições são disputados ao longo do ano? Você acredita que falta uma melhor organização neste quesito por parte das Federações e da Confederação Brasileira de Futebol?

José Leão – Nós, da categoria sub-20, jogamos o Campeonato Gaúcho no primeiro semestre, em seguida Taça BH, no retorno da Belo Horizonte, a Copa sub-19, da Federação Gaúcha de Futebol. E, após esta copa, o Campeonato Brasileiro sub-20 e finalizando a temporada na Taça São Paulo de futebol júnior.

Conseguimos ter uma boa sequência de jogos dando oportunidade a muitos jogadores. Acho que está bem organizado nosso calendário anual. Também considero muito importante existir um cuidado das federações e confederações com os períodos de convocações de atletas.

O clube, através dos coordenadores, elaboram relatórios de desempenho e laudos técnicos e táticos para acompanhar a evolução de cada atleta. Com certeza, os métodos utilizados vêm dando resultado. Vejo hoje o Internacional como um dos grandes reveladores de jovens talentos no futebol brasileiro, aponta

Universidade do Futebol – Quantos jogadores compõem a categoria sub-20 da equipe do Internacional? É possível dar a oportunidade de todos jogarem? Como?

José Leão – Trabalhamos com uma média de 25 a 30 jogadores. Conseguimos dar muitas oportunidades para os atletas, pois o Internacional participa de muitas competições durante o ano. Acreditamos que esta vivência competitiva ajuda no processo de formação dos atletas.

Universidade do Futebol – Quais as ferramentas de controle e avaliação utilizadas nas categorias de base do Internacional para acompanhar a evolução do jovem jogador nos diversos aspectos de jogo? Elas têm sido eficazes?

José Leão – Cada treinador tem as suas ferramentas de controle de desempenho não só em jogos, mas também em treinos. O clube, através dos coordenadores, elaboram relatórios de desempenho e laudos técnicos e táticos para acompanhar a evolução de cada atleta. Com certeza, os métodos utilizados vêm dando resultado. Vejo hoje o Internacional como um dos grandes reveladores de jovens talentos no futebol brasileiro.

Modelo de jogo, em minha opinião, é a maneira como a sua equipe se comporta em situação de confronto. E este é um dos nossos desafios, ter o cuidado para não tirar a criatividade do jogador, mas ao mesmo tempo, através de um planejamento de ensino/ aprendizagem, ter este comprometimento com o modelo a ele aplicado, afirma José Leão

Universidade do Futebol – Como o as categorias de base do Internacional lidam com a presença, muitas vezes nociva, de empresários de futebol?

José Leão – É muito tranquilo. Conseguimos ter um bom relacionamento com os empresários. A direção nos dá um bom respaldo nesta relação profissional. Demonstrando que, para o jogador atuar no nosso clube, ele precisa ter a parte técnica como único requisito de aprovação. E, com certeza, é isso que faz o clube revelar muitos jogadores e consequentemente um respeito muito grande dos empresários.

Trabalhamos com uma média de 25 a 30 jogadores. Conseguimos dar muitas oportunidades para os atletas, pois o Internacional participa de muitas competições durante o ano. Acreditamos que esta vivência competitiva ajuda no processo de formação dos atletas, avalia José Leão

Universidade do Futebol – O que é o Modelo de Jogo em sua visão? Os treinadores de futebol da base no país têm uma percepção clara sobre esse conceito?

José Leão – Modelo de jogo, em minha opinião, é a maneira como a sua equipe se comporta em situação de confronto. E este é um dos nossos desafios, ter o cuidado para não tirar a criatividade do jogador, mas ao mesmo tempo, através de um planejamento de ensino/ aprendizagem, ter este comprometimento com o modelo a ele aplicado.

Acredito que cada treinador tem o seu Modelo de jogo baseado nas suas experiências e também respeitando aquilo que o clube no qual ele trabalha tem como filosofia.

Demonstramos que, para o jogador atuar no nosso clube, ele precisa ter a parte técnica como único requisito de aprovação. E, com certeza, é isso que faz o clube revelar muitos jogadores e consequentemente um respeito muito grande dos empresários, justifica o treinador

Universidade do Futebol – O modelo de jogo das categorias de base do Inter é o mesmo para o sub-15, sub-17 e sub-20? Existe alguma preocupação neste sentido, ou cada treinador determina o modelo que pretende jogar?

José Leão – O modelo não é o mesmo, pois acreditamos que cada categoria tem suas características e particularidades. Através de reuniões comandadas pelo Ademir Calovi, um dos nossos coordenadores, responsável por estas metodologias organizamos juntos o modelo de jogo de cada categoria.

Universidade do Futebol – Para você, quais os principais desafios a serem superados nas categorias de base no Brasil?

José Leão – Com certeza, o principal desafio é conseguir preparar o jogador da melhor maneira possível para que, quando chegar o momento dele ser aproveitado no profissional, ele consiga ter sucesso e não retorne para as categorias de base.

Para isso, precisamos saber o que trabalhar em cada categoria e, junto com os demais departamentos dentro do clube, detectar este momento da sua subida até chegar o profissional.

 

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