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28/04/2011

Lesões do tendão de Aquiles no futebol

O tendão de Aquiles, constituído essencialmente de colágeno tipo dois, é o mais volumoso e resistente tendão do corpo humano, imprescindível para o funcionamento articular do tornozelo e na marcha, sendo o responsável pela inserção dos músculos gastrocnêmios medial, lateral e solear (panturrilha) na tuberosidade posterior do calcâneo.

Nas rupturas do tendão de Aquiles, suas fibras se esgarçam longitudinalmente e de forma irregular, próximo à junção mio tendínea em pacientes mais jovens (atletas) ou na sua inserção no calcâneo em pacientes mais idosos, sendo que a tensão muscular do complexo gastrocnêmio-solear tende a afastar os cotos tendinosos progressivamente.

Patologias prévias, como tendinite crônica, artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico, além do uso de medicação (anti-convulsivantes e corticóides), são fatores predisponentes da lesão.

Fisiologicamente o tendão de Aquiles possibilita flexão ativa plantar do tornozelo (contração isotônica dos músculos da panturrilha), além de desaceleração e estabilização na fase de apoio do calcâneo na marcha (contração isocinética). Dessa forma, o mecanismo mais frequente de ruptura do tendão de Aquiles é um traumatismo fechado no qual temos uma contração abrupta e vigorosa dos músculos da panturrilha que superam a capacidade de absorção de impacto pelas fibras colágenas do tendão, culminando em ruptura do mesmo.

No exame físico, temos dor, limitação funcional, gap palpável na projeção da ruptura e manobra de Thompson negativa (ausência de flexão plantar com palpação dos músculos da panturrilha com paciente em decúbito prono). O diagnóstico por imagem é confirmado através de ultra-sonografia ou ressonância nuclear magnética.

O tratamento é na maioria das vezes cirúrgico, a não ser nos casos em que as co-morbidades clínicas do paciente ou condições de pele desfavoráveis impeçam a cirurgia. Consiste basicamente na sutura dos cotos do tendão (temos várias técnicas de sutura: Krakow, Kessler), associado ou não a reforço tendíneo (sendo os tendões mais usados os dos músculos fibular curto e flexor longo do hálux), a técnica escolhida vai depender do perfil do paciente e da experiência do cirurgião que vai proceder a cirurgia.

No futebol de campo profissional, tivemos mais recentemente os casos do lateral Júnior César, do São Paulo Futebol Clube, e do atacante Adriano, do Sport Club Corinthians Paulista. A recuperação funcional costuma ser plena, preconizando-se movimentação passiva seguida de ativa o mais precocemente possível para melhor realinhamento e remodelação das fibras colágenas do tendão no pós-operatório.

*Fernando Peres A. Gonçalves é ortopedista e traumatologista, médico do esporte, cirurgião do joelho e artroscopista e consultor médico da FPHAND

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