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29/06/2011

Luis Acosta, treinador da equipe sub-14 do Olimpia, do Paraguai

O Olimpia é um dos maiores clubes no Paraguai e possui uma excelente categoria de base. A “cantera” fornece jovens talentos para o time principal regularmente. Os maiores talentos geralmente fazem sua estreia na competição européia um ano após serem descobertos.

O treinador da equipe sub-14 Luis Acosta explica uma das chaves para o sucesso da maior equipe jovem do Paraguai: “paraguaios se distinguem pelo seu poder de cabeceio.”

“Cabeceio não deve ser uma arma subestimada”

Cabeceio e Paraguai são sinônimos. O atacante Roque Santa Cruz (Manchester City, Blackburn Rovers, Bayern de Munique, e formado no Olimpia) é visto como um dos melhores do mundo usando a cabeça, mas não existe jogador paraguaio que não saiba cabecear. “No Paraguai todas as academias focam muito no cabeceio, especialmente na categoria que eu coordeno, o sub-14. Nesta idade, jogadores já dominam a bola, então você pode começar a lapidar os fundamentos,” diz Luis Acosta.


Planejamento para jovens

Diferentemente da maioria das categorias de base no Paraguai, o Olimpia trabalha com um planejamento estruturado para sua juventude. “Todos os dias do ano, para todas as categorias, isso foi trabalhado. Eu adentro o campo com meu planejamento e sei exatamente o que eu tenho de fazer e falar”.


Vencendo

“Somos diferentes da maioria dos outros clubes paraguaios, mas também dos outros sul-americanos quando se trata de ganhar. Somos focados em educar, não nos resultados. Outros clubes focam na vitória, inclusive no sub-14”.

Bola

A equipe de Acosta treina quatro dias por semana. “Nós fazemos tudo com a bola, até os treinos físicos. Integramos exercício aeróbico com exercícios táticos e técnicos. Isso é feito pelo nosso preparador físico. Para mim, como treinador, a atenção maior fica em desenvolver o jogo tático e a cabeçada. Cabecear pode ser transformado em uma arma, quando você consegue dominar o fundamento. Muitos treinadores e jogadores subestimam isso. Cabecear é muito mais do que tocar a bola com sua cabeça, assim como existe uma técnica refinada para chutar a bola”.

Ataque

“Tome o cabeceio ofensivo por exemplo. Nós treinamos seguidamente. Primeiro sem um marcador, depois com um marcador (veja os exercícios 2 e 3). Geralmente fazemos ambos na mesma sessão.

O motivo pelo qual começamos sem o oponente é para que os atletas foquem e dominem o fundamento primeiro. Quando você coloca um adversário imediatamente, o jogador vai lidar com esse marcador utilizando os recursos técnicos que ele já possui e domina. Mas um jovem jogador deve aprender a fazer coisas que ele ainda não adquiriu ou melhorar as características que ele já possui. Isso funciona melhor quando se começa sem um adversário.

Saltando

“Um importante aspecto do cabeceio é o salto. Jogadores usualmente utilizam sua perna forte para saltar. Paraguaios devem ser capazes de saltar com as duas pernas. Nós iniciamos isso no aquecimento (veja o exercício 1). Deste modo jogadores aprenderam a cabecear melhor quando, por exemplo, estiverem saltando para trás.

A postura das costas é outro aspecto importante. O cabeceio vem das suas costas, se você quer cabecear com potência. Se você está mais interessado em colocação, então a potência, bem pequena, vem de sua cabeça e seu pescoço.

Em nossa faixa etária de trabalho é importante que os jogadores aprendam a engajar a bola de modo diagonal e a olharem para a bola quando a cabeceiam ofensivamente. Muitos jogadores fecham os olhos nesta idade quando estão com a cabeça na bola.

Progredimos gradualmente até chegarmos ao exercício 4. Este inclui um cruzamento de um lateral e os atacantes devem marcar com a cabeça, enquanto são marcados por defensores rivais. Isso simula uma situação real de jogo quando a técnica do cabeceio se faz necessária.

Defensivamente

“Cabeceio defensivo necessita de uma técnica diferente da ofensiva. Com o cabeceio defensivo você salta com as duas pernas ao mesmo tempo parado ou indo para trás. Prestamos também muita atenção a este fator nos nossos treinamentos (exercício 5).

Geralmente fazemos isso em combinação com exercícios táticos defensivos de marcação em zona e trocas de posição. Você pode observar isso claramente na seleção paraguaia. Eles são mortais quando o assunto é cabeceio. A técnica de cabeçadas deles é fenomenal, devido à atenção prestada a este fundamento em suas academias. Além disso, a maioria dos jogadores paraguaios consegue saltar muito alto. Logicamente, seus músculos foram treinados para isso desde muito cedo”.

Exercício 1: melhorar o cabeceio em uma área restrita

Organização:

*6 jogadores (amarelo) têm a bola em suas mãos, os em azul não
*Os jogadores azuis se movem pela área e pedem a bola aos amarelos
*Os amarelos lançam a bola aos azuis, que a cabeceiam de volta
* Os azuis devem prestar atenção ao seu salto. Coordenadamente devem alterar o salto com a esquerda, com a direita, e com ambas


 

Exercício 2: cabeceio ofensivo sem resistência

Organização:

* A bola é passada do lado para o jogador na linha de fundo
* Esse jogador recebe a bola e a cruza para os dois atacantes que estão entrando na área
* Estes atletas cabeceiam a bola ao gol, sem a marcação de um defensor
* Jogadores se mantém nestas posições


 

Exercício 3: cabeceio ofensivo com resistência

Organização:

* A bola é passada do lado para o jogador na linha de fundo
* Esse jogador recebe a bola e a cruza para os dois atacantes que estão entrando na área
* Estes atletas cabeceiam a bola ao gol, com a marcação de um defensor


 

Exercício 4: ataque ao longo dos flancos com cruzamento

Organização:

* Em meio-campo de jogo o segundo atacante recebe a bola, alternando entre o lado esquerdo e o lado direito (jogando como em um 1:4:4:2). O ala ou lateral corre pelo flanco até a linha de fundo e recebe a bola de volta.
* Ele cruza em direção à marca do pênalti
* Dois defensores tentam evitar o gol cabeceando a bola para longe


 

Exercício 5: melhorar o cabeceio defensivo enquanto caminhando para trás

Organização:

* A bola é passada de longe de um dos flancos aos dois atacantes
* Os zagueiros centrais tentam defender cabeceando a bola para longe (caminhando para trás e cabeceando defensivamente)
* Os laterais defensivos providenciam cobertura
* A jogada continua no chão até o ataque ser concluído

Variação:
* Este exercício também pode ser treinado com três atacantes


 

*Contribuição da revista Soccer Coaching International, parceira da Universidade do Futebol - www.soccercoachinginternational.com

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