Universidade do Futebol

Entrevistas

10/10/2014

Marcelo Chamusca, treinador do Fortaleza

Entre 20 times, o melhor aproveitamento. A conquista de quase 65% dos pontos disputados passa por um trabalho iniciado no ano passado. O comando técnico é de um ex-jogador chamado “Marcelo”. Não, não estamos falando do Cruzeiro.

Na Série C do Campeonato Brasileiro, a grande sensação da temporada é o Fortaleza, treinado por Marcelo Chamusca. Irmão de Péricles, começou a carreira como auxiliar em diversos clubes. Passou por categorias de base, area administrative, até em 2012 assumir a primeira equipe principal – o Vitória da Conquista, para em seguida trabalhar no Salgueiro.

No fim do ano passado, Chamusca foi contratado pelo Fortaleza, clube atual. Em novembro, completa um ano à frente dos cearenses, e até agora soma apenas três derrotas ao longo de todo o ano.

Além disso, com o fim da primeira fase da terceira divisão nacional, o “Leão do Pici” tem a melhor campanha (64,08%) entre todos os competidores. E, comparando com clubes das séries A e B, o desempenho só não é melhor do que o Cruzeiro, de outro Marcelo – Oliveira, ex-atacante do Atlético-MG.

“É um grupo muito bom em termos de preparação. Tenho uma forma de liderar que costumo compartilhar todas as tomadas de decisão no planejamento da semana de treinos. A ideia é fazer treinos diferentes a cada dia, estimulando a parte cognitiva dos atletas. E o departamento de futbol, como um todo, tem toda a liberdade pra me dar um feedback”, explica Chamusca.

Vice-campeão cearense, ele foi eleito o melhor treinador treinador do Estadual, mesmo com a perda do título para o rival Ceará. Algo que orgulha Marcelo, que trabalhou no Al Jaish e no Al-Arabi Sports Club, do Qatar, e no Oita Trinita, do Japão.

“O futebol é um espaço importante pra trabalhar a inclusão social. Por todos os lugares que passo, procuro bater muito na tecla da administração da carreira dos jogadores. Temos de ter esta preocupação, especialmente na base. Além de nos atentarmos à qualidade do jogo e aos resultados”, indica.

Nesta entrevista concedida à Universidade do Futebol, uma semana antes do duelo contra o Macaé, pelas quartas de final da Série C, Chamusca fala ainda sobre a preocupação dele em relação ao futuro do futebol brasileiro.

“No Brasil, a captação de talentos até é feita com certa qualidade. Precisamos melhorar a formação dos treinadores de base. Deve haver um currículo mais homogêneo. Passei pelo Qatar e pelo Japão e a realidade é um pouco diferente. Na Europa, existe uma linha de qualificação já consolidada. Há um ponto falho por aqui”, finaliza.

Ouça a íntegra aqui:

Comentários

Deixe uma resposta