Entrevistas

22/04/2011

Márcia Oliveira, treinadora de futebol nos Estados Unidos

A trajetória do futebol feminino nos Estados Unidos não está diretamente relacionada a fatores culturais ou econômicos. Esporte de maior participação para mulheres, segundo a American Youth Soccer Organization, o diferencial cultural tem teor político.

Estudo desenvolvido no início da década de 1970 revelou que apenas 18% de todas as americanas chegavam a um diploma universitário (em comparação a 26% dos homens). Em nível das oportunidades disponíveis dentro do desporto, a disparidade era absurda: praticamente 90% dos investimentos na área iam para os homens e apenas 10% para as mulheres.

Em virtude desse cenário, foi concebida uma lei conhecida naquele país por “Title IX” (Título Nove). Em resumo, ela diz que “nenhuma pessoa nos EUA pode ser, com base em seu sexo, discriminada ou excluída em participação de qualquer projeto educacional recebendo assistência federal”. E como a prática do desporto é grandemente vinculada ao sistema educacional, naturalmente esses programas receberam um imenso impulso.

A nova legislação se refletiu em 51 milhões de alunas do nível elementar e secundário, e 14 milhões no nível universitário. De imediato, as instituições tiveram que adequar suas estruturas, estabelecendo igualdade de oferta em todos os programas educacionais. E o esporte – naturalmente com o futebol feminino inserido no processo – viu-se beneficiado.

Nesses mais de 30 anos, ocorreu um “boom” de oportunidades para as meninas, desde a iniciação à prática de alto nível. A demanda resultou em criação de variadas ligas e de vagas para profissionais especializados. Márcia Oliveira viu o contexto da lei e o desenvolvimento de uma chance.

“Eu caí como uma luva para os dirigentes de departamentos atléticos de universidades que queriam investir no futebol feminino. Brasileira, graduada, experiente, e já inserida na cultura americana”, elencou.

Formada em Educação Física e em Psicologia, com mestrado em Pedagogia da Educação Física, ela realiza doutorado na área de Administração e Liderança Educacional. Sua base de aprendizado é norte-americana, mas a interação com treinadores brasileiros – René Simões e Jorge Barcellos – serviu para sustentar sua atuação como gestora de campo.

Nesta entrevista à Universidade do Futebol, ela discorre sobre a possibilidade de ingresso de brasileiros em clubes e em universidades, onde tem uma experiência relevante. Além disso, compara a especialização esportiva do Brasil e dos Estados Unidos, e de que maneira se dá o desenvolvimento das crianças nos mais variados aspectos humanos.

“A cultura americana é toda voltada para a educação e usa o esporte como meio de cidadania e suporte social. O sonho de quase todos é receber uma bolsa de estudo para ingressar na universidade jogando o seu esporte favorito”, revela Márcia. “Trabalho fazendo essa diferenciação com conhecimento desportivo, na Educação Física e pelos trabalhos anteriores com a seleção brasileira em seus treinamentos nos Estados Unidos”.

Universidade do Futebol – Márcia, conte-nos um pouco sobre sua formação acadêmica e o início de sua trajetória no futebol.

Márcia Oliveira – Minha trajetória acadêmica é a seguinte: fui aluna de Educação Física da UNESP, em Bauru (1990); formada em Educação Física e em Psicologia pela University of Mary Hardin-Baylor, no Texas, EUA (1995); mestrado em Pedagogia da Educação Física pela University of Northern Colorado, no Colorado, EUA (1998); Doutorando em Administração e Liderança Educacional no Ensino Superior pela Sam Houston State University, no Texas, EUA, neste ano.


 

No futebol propriamente, iniciei na própria UNESP. Depois passei pela U.S. Army – servi ao exército Americano e fui técnica em basquete e futebol para o exército no Colorado (Fort Carson, CO). No Colorado Chargers Soccer Club, fui técnica de crianças membros do clube, além de diretora de treinamento de clínicas de futebol no Estado do Oregon, no Score Inc. Soccer Academy.


 

Na sequência, trabalhei na University of Mary Hardin-Baylor como técnica do primeiro programa de futebol feminino da instituição para participar da competição de terceira divisão (1999-2002). Também fui professora do departamento de Exercício e Ciência do Esporte.

Em Sam Houston State University, também fui técnica do primeiro programa de futebol feminino da universidade, só que para participar da competição nacional de primeira divisão (2002-2008). E professora do departamento de Cinesiologia.

Em 2004, trabalhei em conjunto nos Estados Unidos com a seleção brasileira feminina, em preparação às Olimpíadas da Grécia (2004), ao lado do professor René Simões. A mesma função se repetiu no Mundial e nos Jogos da China (2007-2008), com o professor Jorge Barcellos.


 

Na University of South Dakota, elevei o programa de segunda divisão para primeira divisão da competição nacional (2008-2010), sendo também professora do departamento de Saúde e Educação Física.

Trabalhei ainda no acompanhamento da seleção norte-americana de futebol feminino, no ano passado, com a treinadora Pia Sunhage, antes de reestruturar a Grambling State University, universidade afro-americana, para competir em primeira divisão.


 

Sou membro associada da Academia Feminina de Técnicos de Esportes pela National Collegiate Athletic Association (WCA – Women’s Coaches Academy of NCAA), desde 2005; membro associada da Federação Nacional do Futebol dos Estados Unidos (US Soccer USSF); e membro da Associação de Técnicos de Futebol dos Estados Unidos (NSCAA), ambos desde 2000.


 

Universidade do Futebol – Como é a formação do treinador de futebol nos Estados Unidos e de onde surgiu o convite para atuar no país?

Márcia Oliveira – O convite foi uma “evolução” de situações e fatos. Tive uma educação no ensino superior nos Estados Unidos. Com isso, já fazia parte do “sistema” depois que vim fazer faculdade em 1990. Olhando na minha formação acadêmica, fui convidada a formar o departamento de futebol feminino da University of Mary Hardin-Baylor, onde me formei em Bacharelado em Educação Física e Psicologia em 1995. Daí a minha carreira profissional deslanchou.

Geralmente, o treinador de futebol nos Estados Unidos começa como técnico de clubes, mas não necessariamente, e tenta chegar a técnico principal de uma universidade de primeira divisão.

É um pouco confuso explicar esse círculo de formação, pois é extremamente decepcionante ver profissionais na área que não são sequer professores de Educação Física. Por via das dúvidas, nenhum técnico de qualquer esporte aqui é necessariamente formado em Educação Física. A maioria não é. E isso não é obrigatório. É decepcionante.

Mesmo assim, há técnicos excelentes (na quadra, no campo, etc.), e as outras áreas de formação do atleta fica para outros profissionais (preparador físico, fisioterapeuta, etc.).


 

Os técnicos de universidades de primeira divisão são profissionais, em sua grande parte, equivalentes a representantes de seleção nacional e times da liga profissional. Mesmo assim, uma grande maioria não está no nível de técnicos profissionais no Brasil ou na Europa. A comissão técnica da seleção dos EUA, por exemplo, é formada por uma técnica internacional e auxiliares que são técnicos de universidade de primeira divisão.

Os técnicos da liga profissional americana, na maioria das vezes, são ex-técnicos de universidades, técnicos internacionais, e ex-técnicos da seleção nacional.

Sobre a formação do treinador de futebol, aqui se “formam” mais como profissionais da área, pelos congressos de técnicos e cursos de um sistema de licença de futebol.

Os sistemas de licenças são A, B, C, e D, e por nível: premier, nacional e estadual. A licença inicial é pela federação (USSF) e mais limitada, em minha opinião. A licença pela associação de técnicos (NSCAA) é melhor, pois permite intercâmbios com profissionais internacionais.


 

O profissional pode ser técnico desde clubes a universidade, e até de seleção nacional, sem nenhuma delas, contanto que seja um bom profissional e exerça uma boa “politica”. De qualquer forma, as licenças enriquecem o conhecimento e o currículo.

Universidade do Futebol - De que maneira você avalia a importância dos treinadores estrangeiros no processo de profissionalização?

Márcia Oliveira – A importância de estrangeiros é grande, pois nos Estados Unidos o esporte mais popular não é o futebol (soccer), e sim o football (futebol americano), o basquete, e o beisebol.

A maioria dos profissionais internacionais que trabalham com clubes são ingleses. Eles já falam a língua, e o americano, em si, acredita que os europeus sabem muito de futebol. Muitos fazem do sotaque inglês uma “forma de mostrar” que entendem da modalidade.

Os brasileiros, entretanto, são bem mais reconhecidos. O problema em relação a eles é a barreira do idioma e a autorização de trabalho. Europeus também não têm autorização de trabalho automática, mas há mais facilidade de se adaptar e procurar suporte de trabalho.

O treinador brasileiro pode se convidado e a ele ser oferecida uma autorização de trabalho – como Jorge Barcellos, da seleção feminina em 2008, que trabalhou no St. Louis Athletica, da liga profissional feminina. Ele teve um desempenho muito bom com a seleção brasileira feminina, dando continuidade ao trabalho feito em 2004, nas Olimpíadas da Grécia.


 

Os demais profissionais teriam que vir por cursos em universidades, convites de clubes, e, se possível, imigrando por família. O sistema de fases de assumir cargo como técnico se aplica da mesma forma para brasileiros, sendo a fluência no inglês e a autorização de trabalho dois fatores determinantes.


 

Universidade do Futebol – É possível se dizer que já há uma “escola estadunidense de futebol”, assim como há um modelo de jogo tipicamente inglês, italiano, brasileiro e argentino, por exemplo?

Márcia Oliveira – Em minha opinião, não, pelo menos até agora. Particularmente ainda acho que a seleção masculina dos Estados Unidos está muito distante de obter essa “identidade especial”. Em geral, eles atuam como os europeus – jogo direto, na força, e na velocidade.

A seleção feminina americana tem tido uma personalidade de jogo mais efetiva e melhor guiada por treinadores da mais alta qualidade, como Pia Sundhage, da Suécia, que tem uma variação de dar posse de bola, jogo rápido, e com um padrão mais atual e elevado. No masculino, o estilo é mais puramente um espelho do estilo europeu.


 

Universidade do Futebol – Você acredita que a globalização estabeleceu parâmetros e aproximou esses estilos?

Márcia Oliveira – Acho que a globalização tem ajudado muito a países que estavam mais distantes de um estilo próprio. Isso traz uma melhor aproximação dos estilos, mas sempre existirão, em minha opinião profissional, os estilos mais legítimos, como o europeu e o sul-americano.

Universidade do Futebol – Qual é o perfil atual do jogador de futebol nos Estados Unidos?

Márcia Oliveira – É um fato que a maioria dos atletas se espelha no futebol europeu e na mistura do futebol americano. Rápido, direto, e na força, como falei anteriormente.

Acho importante salientar que no futebol atual, no mundo, isso está prevalecendo muito e a diferenciação está na técnica avançada de países como o Brasil. A condição tática ainda é um fator “equalizador”; a experiência, a técnica e o talento nem sempre prevalecem, mas ainda são um diferencial.

Nas seleções nacionais, existe um amadurecimento melhor e de mais alto nível no feminino. O masculino tem melhorado muito, mas ironicamente, e diferentemente do Brasil, o feminino é mais importante aqui. Só nas universidades de primeira divisão contamos com 320 times.

Como a maioria das universidades de primeira divisão tem football (americano), o futebol feminino, pela lei do Título Nove (Title IX), é muito bem visto por dirigentes para se manter nas instituições de ensino. O número de participantes em uma equipe é grande, e ajuda a equilibrar a quantidade do football nesta mesma universidade.


 

Universidade do Futebol – Os Estados Unidos têm uma tradição secular de organização desportiva e tratamento profissional de suas ligas. De maneira geral, como é estruturado o futebol nos Estados Unidos? Há uma diferenciação muito grande entre a categoria profissional masculina e feminina?

Márcia Oliveira – Com certeza o mundo ainda é dos esportes masculinos, apesar de que as mulheres são maioria. A liga masculina já está mais consolidada que a feminina, e o incentivo é muito maior no masculino, mesmo que a seleção nacional feminina tenha tido mais sucesso internacionalmente. A boa noticia é que as federações e o governo mantêm um equilíbrio mais próximo e cumprem as leis com responsabilidade e respeito.


 

Universidade do Futebol – As crianças e adolescentes praticantes do futebol nos EUA pretendem, de forma geral, se tornar jogadores ou jogadoras profissionais?

Márcia Oliveira – A grande maioria das crianças quer ter a oportunidade de jogar por universidades, o mais alto nível antes do profissional. Muitos sonham com isso, mas o foco maior é jogar por “aquela universidade” famosa, grande, prestigiosa.

A cultura americana é toda voltada para a educação e usa o esporte como meio de cidadania e suporte social. O sonho de quase todos é receber uma bolsa de estudo para ingressar na universidade jogando o seu esporte favorito. Mesmo assim, há aqueles que não terminam a universidade para jogar profissionalmente – um fato raro.


 

Universidade do Futebol – No Brasil, são poucas as linhas de pesquisa científica para identificação de talentos esportivos no próprio futebol masculino. De que maneira os clubes dos Estados Unidos, onde você atua, trabalham em seus departamentos de formação a detecção de jovens com potencial para se tornarem atletas profissionais?

Márcia Oliveira – Os clubes não têm essa formação profissional como expliquei anteriormente. São poucas as agremiações profissionais que começaram a fazer programas mais específicos e com trabalhos verticais.

Eles são totalmente amadores (com licenças ou não), e a atleta paga para treinar e jogar. A formação e a detecção de talentos se dão mais nos programas de desenvolvimento olímpico e nas universidades. Eu trabalho com universidade, e esses projetos são áreas de recrutamento de atletas para a maioria das instituições de primeira divisão.


 

Universidade do Futebol – Em se considerando os aspectos anatômico-fisiológicos característicos da mulher em comparação ao homem (menor estatura média, maturação mais rápida do esqueleto, ossatura mais fina, maior percentual de gordura corporal, diferenças do metabolismo, menor massa muscular, etc.), quais padrões de planejamento técnico, tático e físico devem ser traçados para respeitar essas peculiaridades?

Márcia Oliveira – Esses padrões se diferenciam entre o masculino e feminino, é claro. O critério é cientifico. Cada técnico tem a sua visão e sua filosofia, mas o futebol também é “ciência”. Eu trabalho de uma forma mais “holística”, incorporando todos os fatores possíveis para a continuidade de formação do atleta.


 

Faço uso também de testes adaptados para o feminino e de instrumentos que melhoram e aperfeiçoam a técnica.

Como aqui, e em nenhum lugar que conheço, há uma diferenciação em equipamento ou campo de futebol (no basquete americano existe uma especificidade no tamanho e no peso da bola, e em relação à distância da linha que demarca os três pontos), as áreas técnica, tática, física e psicológica são tratadas separadamente, de início, e em conjunto, posteriormente.

Esses padrões de planejamento devem ser traçados de acordo com a necessidade e em relação ao calendário para respeitar essas peculiaridades.

Trabalho fazendo essa diferenciação com conhecimento desportivo, na Educação Física e pelos trabalhos anteriores com a seleção brasileira em seus treinamentos nos Estados Unidos. Por exemplo, exercícios de condicionamento e levantamento de peso para fortalecer musculatura e ligamentos para prevenir contusões (as atletas tem uma tendência de lesão ligamentar do joelho por causa da amplitude dos quadris).

Desenvolvo também atividades com futsal e outros tipos de bolas para aprimorar a técnica, e trabalho holisticamente em conjunto com o departamento de fisioterapia na prevenção de contusões, no monitoramento nutricional, médico e psicológico.


 

Treinar mulheres é diferente dos homens, pois elas são detalhistas, seguem com mais facilidade o planejamento de treino e jogo, têm uma tolerância baixa para o erro, querendo sempre fazer o melhor, além de uma emoção mais apurada.

O treinador, ou treinadora, tem que saber muito mais sobre futebol e gerenciamento de grupo para treinar mulheres do que para treinar homens. Cada grupo tem os seus desafios e as suas compensações.

Um dos grandes propulsores do futebol feminino no Brasil é René Simões. Além do seu livro sobre a conquista na Olimpíada na Grécia (O Dia que as Mulheres Viraram a Cabeça dos Homens), ele sempre fala que aprendeu muito mais sobre o que é realmente ser treinador de futebol depois da experiência com a seleção feminina do Brasil.

A ele, eu agradeço muito pela integridade e profissionalismo de dirigir a seleção brasileira feminina em 2004, quando trabalhamos juntos em sua passagem com aquele grupo no Texas. Em seu livro, ele relata sobre essa passagem e experiência. A ele também, agradeço por ter sido uma inspiração para o meu trabalho como treinadora.


 

Universidade do Futebol – A ação motora desportiva feminina possui outro tempo de execução e outra performance, quando comparada com a masculina. De que maneira se realiza o processo de explicitação e conscientização da equipe para este fato?

Márcia Oliveira – Em geral, os técnicos daqui não veem dessa forma. A maioria deles é leiga e não tem nenhuma formação na Educação Física. Particularmente, sigo um estilo de treinamento alemão para esses níveis de conscientização, conferindo atividades mistas com os meninos, quando possível. Em um ou dois treinos da semana, também, coloco duas jogadoras por vez para treinarem como o masculino.

Uso muito o futsal no primeiro semestre do ano (inverno), e faço uma orientação geral dos testes de RAST, musculação, e monitoramento de nutrição para melhorar a performance e conscientização do nível atlético de cada uma.


 

Universidade do Futebol – Se tratada de forma correta, a especialização esportiva ajuda no desenvolvimento das crianças nos aspectos social (relações com outras pessoas e com o mundo), filosófico (compreensão e questionamento), biológico (conhecimento e utilização do corpo), e intelectual (desenvolvimento cognitivo)? O que pensa sobre esse tema, especificamente?

Márcia Oliveira – Acho essa área fascinante. É a fundação do esporte. Tive a oportunidade de fazer alguns trabalhos com o sub-9 e o sub- 10, masculino e feminino, no Michigan. Trabalhei as áreas motoras, técnica, social, e intelectual com esses grupos.

Infelizmente, nos Estados Unidos, eles já jogam no campo (tamanho reduzido, bola menor). No Brasil, utilizamos o futsal. Os jovens americanos, em sua maioria, são orientados pelos pais para serem agressivos e competidores, colocando de lado toda essa formação maravilhosa dos aspectos social, biológico, intelectual, etc.

Como falei anteriormente, é muito raro ver um profissional de Educação Física trabalhando com essa faixa etária (ou em outras). Perde-se muito nesse quesito, e aí que está a grande diferença do trabalho no Brasil.

O futsal, a organização das aulas, o respeito com a faixa etária, o desenvolvimento de cada um e a alegria de jogar, socializar, primeiro; e sonhar em jogar futebol de campo, depois.

É lamentável que não há muito profissionalismo ou iniciativas com profissionais de Educação Física nesta área nos Estados Unidos. Segundo a Fifa, o país tem um número significante de praticantes jovens em todo o mundo.


 

Universidade do Futebol – E o mercado de trabalho para profissionais do futebol brasileiro que queiram trabalhar nos EUA? Quais são os principais desafios e dificuldades a serem superados?

Márcia Oliveira – Há muitas opções. Principalmente com as crianças, como citei anteriormente. A língua é uma grande barreira, a autorização de trabalho é muito difícil, mas mesmo assim não é impossível. Tem que ter um propósito sério e não pensar que “tudo cai do céu” aqui nos Estados Unidos.

A jornada é dura e difícil como qualquer transição na vida. Da mesma forma, pode ser muito gratificante. Com convites de clubes ou universidades, isso é possível. Vir para fazer mestrado e atuar como estagiário (graduate assistant) é outro investimento importante. Já existe muita procura de pessoas do mundo inteiro. Mas, em minha opinião, o brasileiro profissionalmente sério tem todas as condições de ir longe.

Recruto jogadoras americanas e internacionais. Já tive jogadoras brasileiras nos meus trabalhos em universidades. E elas tinham um propósito muito sério e maduro, sendo de alto nível (seleção brasileira sub-20). Todas foram bem sucedidas.

Deixo meu contato (marcia.oliveira@me.com) para jogadoras do Brasil que queiram ingressar em universidades americanas jogando futebol, e também para trocar informações e tirar dúvidas sobre orientação profissional.


 

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