Universidade do Futebol

Entrevistas

30/03/2007

Maria Angela Soci, presidente da Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan

As técnicas alternativas vêm aparecendo cada vez mais dentro do contexto do futebol. O Barcelona recentemente divulgou que utiliza a thalassoterapia, tratamento com água do mar, na recuperação de atletas entre um jogo e outro e o meia Alex, atualmente no Fenerbahce (da Turquia), se recuperou de dores no púbis utilizando o rolfing, uma técnica baseada nos conceitos do entendimento global, que através da manipulação do tecido conjuntivo, busca o equilíbrio de várias partes do corpo.
 
Agora uma técnica extremamente antiga quer buscar seu espaço no futebol, o Chi Kung. Sua origem é impossível de se determinar, por se tratar de uma técnica milenar chinesa de treinamento interior, que tem como principal objetivo buscar o equilíbrio do indivíduo como um todo: físico, mental e espirutual.
 
O “Chi” significa energia em todas as manifestações, enquanto o “Kung” quer dizer treino ou capacidade adquirida com o treino. É o trabalho em função da energia.
 
Inserido dentro de outras artes marciais, a técnica exige treinos regulares, disciplina e aplicação prática da filosofia no dia a dia. “Os praticantes do Chi Kung costumam afirmar que os primeiros sinais de benefícios são a melhora da memória, maior capacidade de concentração e fortalecimento das articulações”, explica Maria Ângela Soci, presidente da Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan.
 
Maria Ângela acredita que a prática de Chi Kung poderia ser muito útil para atletas profissionais e principalmente jogadores de futebol. Nesta conversa exclusiva com a reportagem da Cidade do Futebol, ela fala sobre como seria possível evitar lesões e aumentar a concentração de atletas utilizando esta arte chinesa.
 
Cidade do Futebol – A senhora poderia começar contando um pouco da origem do Chi Kung?
Maria Ângela Soci – Por se tratar de uma arte milenar, é muito difícil falar sobre o início do Chi Kung. Alguns historiadores dizem que a técnica nasceu durante a dinastia Han, cerca de 200 anos antes de Cristo, com base no sistema de fisioterapia utilizando movimentos observados em animais. O certo é que o método foi utilizado por muitos médicos na época.
 
Cidade do Futebol – Quais os principais objetivos?
Maria Ângela Soci – Para o Chi Kung são importantes três pontos principais: técnicas respiratórias, posturas corporais e movimentos, além de disciplina mental.
 
O Chi Kung tem a finalidade de estimular e promover uma melhor circulação de energia vital no corpo e assim canalizar e circular as energias por todos os canais, meridianos e vasos do corpo.
 
Cidade do Futebol – O Chi Kung é uma arte marcial isolada ou está inserida em outras artes?
Maria Ângela Soci – Na verdade o Chi Kung é uma técnica que auxilia na saúde, trabalhando mente e corpo. Ela é uma arte independente, porém, que pode ser inserida em outras modalidades. Muitos praticantes de Kung Fu e Tai Chi Chuan utilizam o Chi Kung para aprimorar seus movimentos.
 
Cidade do Futebol – Como são os treinos para os iniciantes?
Maria Ângela Soci – Normalmente, para iniciantes as sessões duram de 20 a 30 minutos, com uma série de cerca de 12 exercícios diferentes.
 
Cidade do Futebol – Como esta técnica pode auxiliar o treinamento de atletas profissionais?
Maria Ângela Soci – O Chi Kung trabalha em conjunto, movimentos corporais e técnicas de respiração, conciliando muita mentalização. Além da flexibilidade e resistência, que tem um ganho sensível com esta prática, a concentração, primordial para atletas profissionais, é muito trabalhada.
 
Os praticantes de Chi Kung, em sua maioria, são pessoas com maior capacidade de concentração e frieza para executar ações que exigem muita responsabilidade. Outra vantagem é a possibilidade de se evitar lesões.
 
Cidade do Futebol – Evitar lesões?
Maria Ângela Soci – Sim. Além de todo este trabalho de mentalização e concentração, o Chi Kung exige muito do corpo. É uma técnica que fortalece as articulações e pode evitar problemas no tornozelo, tendões e ligamentos.
 
Cidade do Futebol – A senhora poderia dar um exemplo de movimentos que podem se encaixar neste aspecto de prevenir lesões?
Maria Ângela Soci – Um exemplo perfeito para esta situação é o processo que chamamos de enraizamento. Nele ensinamos aos praticantes como posicionar seu corpo nas mais variadas situações. Ensinamos a execução de movimentos simples, como chutes por exemplo, ou o caminhar corretamente.
 
As possibilidades de movimentos são gigantescas e tudo é trabalhado, conforme eu disse, exigindo a visualização dos movimentos, para acelerar a melhora da concentração, que também ajuda muito na prevenção de lesões.
 
Cidade do Futebol – Atletas profissionais já aderiram à esta prática?

Maria Ângela Soci – Tenho informação que alguns tenistas profissionais, outro esporte que exige muito das articulações, praticam o Chi kung. No futebol não tenho a informação, mas estou trabalhando para aproximar as técnicas. Acho que o Chi Kung pode ser muito útil para os profissionais de futebol.

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