Universidade do Futebol

Geaf

20/05/2009

Massa muscular X jogador de futebol

Ainda é muito discutido no futebol até que ponto é benéfico um atleta habilidoso, porém fraco fisicamente, treinar para aumentar o volume muscular.

Sobre isso duas questões podem ser levantadas.

1° – Até que ponto é necessário um atleta de futebol ter um aumento da massa muscular.

2° – Como um maior volume de massa muscular pode vir a interferir nas capacidades motoras do atleta como, por exemplo, menor rapidez nos movimentos de dribles.

Hoje em dia, para um atleta de futebol ter uma carreira longa e manter-se sempre em boa fase é de grande importância que ele não sofra muitas lesões durante a sua carreira.

O futebol tem sofrido muitas mudanças, principalmente no que diz respeito à função das exigências físicas serem cada vez maiores, obrigando os atletas a trabalharem em seus limites submáximos, tornando-os predispostos a lesões (COHEN et al, 1997 apud PARREIRA et al, 2002). Em decorrência dessas mudanças, o fortalecimento muscular produzido pelo treinamento de hipertrofia diminui a incidência de lesões porque a elasticidade dos músculos submetidos ao treinamento para hipertrofia aumenta e, conseqüentemente os tendões são fortalecidos.

Segundo Cappa (2001), o treinamento de força, por exemplo, foi um dos últimos a ser desenvolvido e pesquisado pelos cientistas da área. Durante algum tempo foi reconhecido, principalmente por treinadores, como um freio para os atletas, ou seja, o atleta que treinasse força ficava “travado”, perdia sua agilidade. A utilização da musculação para este tipo de treinamento foi um dos principais fatores que levaram os preparadores físicos a essa má interpretação.

No nosso futebol podemos citar vários exemplos de jogadores como Zico, Ronaldinho Gaúcho e Robinho que passaram por um treinamento de aumento da massa muscular e não perderam suas características como jogador de futebol.

É difícil atingir um ponto de equilíbrio entre a preparação física e a exigências do atleta. Por um lado, temos o avanço da medicina desportiva, levando ao melhor conhecimento da fisiologia do esforço e permitindo protocolos específicos para cada atleta, de acordo com suas características. Em contrapartida, temos o excesso de jogos e treinamentos (super-treinamento), que colocam o atleta nos limites de ocorrência das lesões musculares e osteoarticulares (COHEN, et al, 1997).

Para KUNZE (1987), o futebol exige uma série de capacidades, resistência, velocidade e força como princípios decisivos. Segundo SCHMID e ALEJO (2002), a velocidade é mais complexa do que correr o mais rápido possível. A velocidade no futebol inclui rapidez, tiros curtos, movimentos rápidos em todas as direções, a habilidade de reagir e parar rapidamente, ou seja, velocidade é uma combinação de força e excelente resistência, o que é necessário para a realização dos movimentos com máxima rapidez em todo o tempo.

Portanto, parece que o grande objetivo a ser trabalhado pelos preparadores físicos, é definir qual a quantidade ideal de massa muscular necessária que um jogador de futebol precisa adquirir, não somente a fim de diminuir a incidência de lesões causadas por choques e traumas diretos,mas também para que através do aumento de massa muscular obtido através do treinamento de força, o atleta desenvolva maior velocidade em curto espaço, e com isso chegue na frente do zagueiro ao invés de dividir jogadas com ele.

Bibliografia

Cappa, D. F. El entrenamiento de fuerza a favor o en contra del fútbol. PubliCE Standard. 2001. Pid: 52. Disponível em: .Acesso em: 27 de março de 2009

COHEN, M; ABDALLA, R.J; EJNISMAN, B; AMARO, J.T; Lesões Ortopédicas no futebol. Revista Brasileira de Ortopedia, Dezembro de 1997. Disponível em: http://www.rbo.org.br/materia.asp?mt=336&idIdioma=1

KUNZE, A. Futebol. Tradução de Ana Maria de Oliveira Mendonça. Revisão Científica de Eduardo Vingada. Colecção Desporto n. 10. Lisboa: Estampa, 1987. Cap. 6, p. 129-141. (Condição Física).

PARREIRA, R.B; CECI, L.A; DAVANSO, L.O; SMANIOTTO; L.F; PARREIRA, C. A. Quantificação das Principais Lesões no Futebol Profissional de Londrina – SP. Revista Terapia Manual, 2002. Disponível em: http://www.terapiamanual.net/fisiomagazine, Acesso em 31 de Março de 2009.

SCHMID, S; ALEJO, B. Complete Conditiong for Soccer. Champaign: Human Kinetics, 2002. Treinamento de velocidade e agilidade no Futebol CUNHA,F.A.2003

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