Maturação tardia e indisciplina prejudicam formação na África

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“Quando cheguei, encontrei uma equipe que tinha média de idade alta e precisava passar por um processo de renovação. Só que os jogadores novos do país têm 25 ou 26 anos. Essa é a média das revelações do nosso campeonato nacional”. Esse relato foi feito por Carlos Alberto Parreira, ex-comandante da seleção brasileira, sobre o início de seu trabalho como técnico da África do Sul.

O discurso de Parreira, realizado durante a quarta edição do Fórum Internacional de Futebol (Footecon), no Rio de Janeiro, explicitou um problema no processo de formação de jogadores dos países africanos. A despeito de terem seleções fortes nas categorias de base, as nações desse continente não conseguem se estruturar para que todos os atletas cheguem às equipes profissionais e que façam isso com total preparação.

A primeira explicação para o fato de nem todos os jogadores das categorias de base terem longevidade na carreira é que algumas das seleções africanas apostam em atletas fisicamente mais preparados durante o período de formação. E quando a questão física se iguala, os que têm mais recursos técnicos se sobressaem.

Outro problema enfrentado pelos africanos é o assédio europeu. Muitos dos atletas de destaque do continente são contratados por equipes de situação financeira mais estruturada ainda nas categorias de base. Assim, completam em outros países o processo de formação técnica e muitas vezes contrariam seu estilo natural por conta disso.

“O Brasil é forte e sempre vai ser forte porque aqui existe uma renovação permanente de atletas. A fábrica não pára e as revelações são constantes. Os africanos têm dificuldade para conter o êxodo e não produzem tantos atletas quanto nós. Os jogadores formados lá muitas vezes saem cedo e precisam aprender coisas como disciplina tática e marcação. Eles voltam totalmente diferentes”, contou Parreira.

Entre os jogadores que permanecem no continente africano, segundo Parreira, há uma tendência de maturação tardia: “As partidas na África do Sul, por exemplo, têm baixa média de faltas. Os atletas são muito leais, mas isso nem sempre funciona nos confrontos com jogadores de outros países, que estão mais acostumados a cometer infrações para parar as partidas”.

A explicação do ex-treinador da seleção brasileira para essa postura é a falta de competições fortes e estruturadas nas categorias de base do futebol africano. “Os jovens brasileiros disputam torneios a todo momento, mas isso não acontece com os garotos da África do Sul. É uma realidade muito diferente”, comparou.

Uma saída para amenizar o cenário traçado por Parreira é o “Aspire Africa. Football Dreams”, grupo formado com base em escolinhas que se associam a escolas por todo o continente para fomentar a iniciação precoce no esporte e aumentar o número de praticantes. O brasileiro Luiz Felipe Scolari, que comanda a seleção de Portugal, foi escolhido para ser um dos palestrantes do projeto.

Com base em experiências e discursos de profissionais renomados, as autoridades do futebol africano esperam conseguir aumentar a penetração do esporte no dia-a-dia dos garotos, sobretudo nas escolas.

* Colaborou Rubem Dario

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