Medicina x Longevidade: evoluções interligadas

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Na história do futebol, sobretudo até a década de 1970, não são poucos os casos de jogadores que encerraram precocemente a carreira em virtude de problemas físicos ou por conta de lesões. Por conta disso, a evolução da medicina é uma das principais razões para o aumento da longevidade de atletas de alto rendimento.

“Existe uma relação clara entre a incidência de lesões no aparelho locomotor e o tempo de duração da carreira dos atletas. Jogadores que são vítimas de problemas sucessivos ou muito graves acabam encerrando mais cedo”, lembra Moisés Cohen, professor livre docente e chefe do centro de traumatologia do esporte da Unifesp e diretor do Instituto Cohen de ortopedia, reabilitação e medicina do esporte.

A preocupação com o quanto as lesões podem contribuir para abreviar a carreira dos atletas direcionou o avanço da medicina do esporte. Com diferentes abordagens, a área procurou estabelecer meios para diminuir o impacto dos problemas físicos no rendimento e na longevidade dos jogadores.

“Houve um avanço muito grande sobre técnicas e tratamentos. Hoje em dia, a recuperação dos atletas é feita em menos tempo e com mais qualidade. A evolução já começa na avaliação no diagnóstico. Com isso, eles retomam a atividade com o mesmo rendimento que tinham antes”, explica Cohen.

Depois da consolidação dos tratamentos, a medicina passou a se preocupar com formas de evitar os problemas físicos. Segundo Cohen, essa é uma diretriz da área no cenário do futebol moderno: “Isso é reflexo de uma integração entre muitos profissionais que buscam uma preparação global para os atletas. A grande tendência do esporte é ter estratégias para evitar as lesões”.

A prevenção de problemas, aliás, é uma diretriz extremamente difundida entre os profissionais do futebol atualmente. Graças a isso, a fisioterapia ganhou novo status na comissão técnica das equipes. Antes restritos a orientações do tratamento, os profissionais dessa área passaram a ser fundamentais para o planejamento e a execução de estratégias com o intuito de evitar lesões.

“Os atletas que fazem parte do nosso elenco recebem um salário para atuar. Se um jogador fica parado, o clube está perdendo dinheiro. Então, trabalhamos para não deixar que isso aconteça”, diz Nilton Petrone, o Filé, fisioterapeuta que já trabalhou no Santos e agora está no Palmeiras.

O trabalho de antecipação realizado pelas comissões técnicas de equipes brasileiras é basicamente composto por programações especiais de musculação e exercícios. Tudo para garantir que os atletas tenham mais tempo na profissão e isso não acarrete uma perda de rendimento.

“A evolução das técnicas de prevenção proporciona que os atletas possam atuar até muito mais tempo no futebol. Esse trabalho deve ser intensificado em atletas com mais de 30 anos, já que neles o processo de cicatrização de lesões é mais lento”, relata Ricardo Sasaki, fisioterapeuta do São Paulo.

* Colaboraram Bruno Camarão e Rubem Dario

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