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06/11/2018

Modelos de desenvolvimento de atletas a longo prazo

“O futebol, ao distinguir o essencial do acessório, deve incorporar, nas qualidades técnicas e
na cultura tática dos jogadores, um humanismo dialogante que
não permita que se jogue contra e possibilite que se jogue com,
designadamente em relação aos adversários”
SÉRGIO (2005)

 

Um plano de Desenvolvimento de Atletas a Longo Prazo, ou ao longo da vida, deveria estar presente em todos os clubes desportivos, com o intuito de realizar um trabalho de desenvolvimento estratégico adaptado às idades dos atletas, desenvolvendo as capacidades do indivíduo na sua totalidade bio-psico-social, com ênfase nos períodos críticos ou sensíveis de aprendizagem, nos quais o organismo está mais receptível a estímulos que permitem potencializar certas capacidades específicas.

O desenvolvimento requere aprendizagem e GODINHO et al. (1999) referem que comumente se diz que “aprender é o que fica após se ter esquecido tudo”, ou seja, é reter durante um tempo relativamente longo, aquilo que é aprendido pela prática. Apesar do desempenho ser indicador do grau de aprendizagem, podem ocorrer fenômenos como a aprendizagem latente, quando um indivíduo não consegue manifestar em competição todo o potencial adquirido através do processo de treinamento, ou o desempenho sem aprendizagem ou não equitativo em relação ao treino realizado (exemplo, com doping).

O ser humano aprende como um sistema complexo em constante transformação devido a fatores internos, físicos, fisiológicos, espirituais, e externos, como o ambiente, a sociedade, entre outros. A dimensão educativa do desenvolvimento humano, pessoal e social deve ser levada em consideração nos programas de treinamento esportivo, através do desenvolvimento de valores ético-desportivos e morais que fomentem o desenvolvimento juvenil positivo e se repercutam ao longo da vida (HELLISON & MARTINECK, 2006; ROSADO, 1998). Esses fatores vão, também, nos permitir criar sociedades mais positivas, auto-confiantes, altamente adaptáveis, produtivas, assim como equipes de elite prontas para atuar nos mais variados contextos, facilidades e contrariedades.

As Ciências Sociais e Comportamentais concentram-se no estudo dos fatores e ações que conduzem ao bem-estar, a indivíduos positivos e a comunidades prósperas (SELIGMAN & CSIKSZENTMIHALYI, 2000). Esta perspectiva surgiu na psicologia positiva, definida por GABLE & HAIDT (2005) como o estudo das condições e processos que contribuem para a melhoria, ou ótimo funcionamento das pessoas, grupos e instituições. Por exemplo, DUDA & HALL (2001) referiram a motivação no esporte como um forte indicador do envolvimento com o esporte praticado e da demonstração de atitudes e comportamentos socialmente positivos. Entre esses, o comprometimento parece ser um conceito de clara relevância para os atletas de elite (LONSDALE et. al, 2007).

Temos visto na prática, raríssimos programas desportivos a longo prazo no futebol, nos quais o ensino de princípios e valores são interdependentes da formação de campeões, e nos quais se pressupõem objetivos e acompanhamento de atletas quando estes deixam de competir, independentemente dos motivos que os levam ao abandono da atividade, tanto em idades precoces como em idades maiores. Por vezes, quando deixam de competir, muitos jogadores dependem da boa vontade de familiares, dirigentes e antigos companheiros de equipe para seguir trabalhando e vivendo dignamente.

 

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

* Treinador de Futebol UEFA A/Mestrado em Educação Física pela Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa
** Preparador e Recuperador Físico/Sócio Diretor Estúdio Refit Reabilitação e Fitness / Certificação Exos

Comentários

  1. luizfernan89 disse:

    Na minha opinião o atleta tem que ser bem conduzindo desde de cedo para se tornar não so um bom atleta com um bom ser humano

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