Universidade do Futebol

Rodrigo Barp

03/10/2011

Não nascemos prontos

Mario Sergio Cortella é filósofo, com mestrado e doutorado, em Educação, pela PUC de São Paulo, onde leciona.

Alguns dos leitores devem estar familiarizados com a figura, pois também conduz o programa Dialógos Impertinentes, na TV PUC, e também como articulista do jornal Folha de São Paulo.

É das mentes mais privilegiadas, no que concerne ao entendimento do ser humano em sua complexidade multifacetada, dentre elas a espiritual – não confundir com a religiosa – como medida de construção do caráter.

Em seu livro Não nascemos prontos!, assume o papel de provocar, com fundo filosófico, o leitor a entender que a insatisfação que vivenciamos é o que nos move, que faz com que busquemos criar, inovar, modificar e, com isso, construir e reconstruir a nós mesmos, constantemente.

Impulsiona-nos a lutar contra o “risco de cairmos na monotonia existencial, na redundância afetiva e na indigência intelectual”.

O episódio grave que envolveu o jogador brasileiro Breno, investigado pela polícia alemã como suspeito de ter provocado o incêndio de sua própria casa, suscitou indagações sobre motivos que o teriam levado a esse ponto.

Sucessivas lesões que não lhe deram sequência de trabalho. Falta de adaptação ao futebol e a cultura da Alemanha.

Segundo Muricy Ramalho, ter saído muito cedo de São Paulo, além da falta de amparo e orientação dos seus empresários.

A palavra “depressão” rondou o diagnóstico oficioso, especulado junto a uma crise conjugal.

Fato é que os jogadores de futebol levam a vida em sobressaltos, tanto pra cima quanto pra baixo.

A frugalidade da vida não lhes é permitida, razão pela qual lhes é difícil ter medida razoável de que nem sempre as coisas acontecem como desejamos ou pintamos no quadro.

E que o caminho da vida se faz caminhando. Não há outro jeito.

Diz Cortella: “Quando crianças (só as crianças), muitas vezes, diante da tensão provocada por algum desafio que exigia esforço (estudar, treinar, emagrecer, etc.) ficávamos preocupados e irritados, sonhando e pensando: por que a gente já não nasce pronto, sabendo todas as coisas? Bela e ingênua perspectiva. É fundamental não nascermos sabendo e nem prontos; o ser que nasce sabendo não terá novidades, só reiterações. Somos seres de insatisfação e precisamos ter nisso alguma dose de ambição; todavia, ambição é diferente de ganância, dado que o ambicioso quer mais e melhor, enquanto que o ganancioso quer só para si próprio”.

Quero ter essa energia vital inquieta, para seguir sempre adiante. Ambição, para ter mais e, principalmente, melhor.

Isso poderia servir também para o Breno resgatar sua carreira.

Para interagir com o autor: barp@universidadedofutebol.com.br

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