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29/07/2015

Não precisamos “deletar” o futebol brasileiro

Desde a Copa do Mundo, o famoso 7×1 tem sido tema de muitas discussões, artigos e comentários a respeito de causas sobre os motivos que teriam resultado em mais um desastre esportivo nacional.

A cada post, um gol da Alemanha é anotado e um verdadeiro "bombardeio" de teorias tentam explicar os motivos que nos colocaram como "novos coadjuvantes" do futebol mundial.

Mas será mesmo que está tudo errado conosco? Será que precisamos "deletar" nosso futebol e reinventá-lo a partir de um esboço europeu de jogar? Será que estamos carentes de uma escola brasileira de futebol? Está tudo errado com o futebol de base no Brasil? Responderia "não" a todas estas perguntas, mas precisamos rever o que tem sido publicado até aqui.

Nenhuma solução, ou ideia, foi produzida como caminho para a chamada popularmente "recuperação do futebol brasileiro", mas sabemos que o futebol de base tem extrema importância neste contexto.

Neste sentido, precisarmos ser práticos e colocar algumas questões que precisamos investigar, responder e conhecermos de forma bem clara para começarmos, enfim, a caminhar com esse processo:

1-Existe ou não um jogar brasileiro de futebol?

2-Como é o jogo brasileiro de futebol?

3-Como as categorias de base vão organizar o ensino deste jogo?

4-Como se organizam os conteúdos técnicos, táticos e físicos por categoria e quais são estes conteúdos?

5-Quantos e quais clubes acreditam no processo de formação?

6-O que têm sido feito dentro dos clubes para o desenvolvimento do jogador e do jogo brasileiro de futebol?

Ideias vagas como "futebol se joga pra frente", "minhas equipes têm que propor o jogo" ou mesmo "minha equipe não dá chutão", têm sido "vomitadas" pelo ambiente futebolístico, e não nos dizem muita coisa. Assim, cabe às estruturas de futebol de base, estabelecer, além dos conceitos de jogo, os conteúdos a serem trabalhados por categoria como foco no trabalho dos profissionais, inclusive como mecanismo de avaliação face ao velho "ganhou ficou".

Atlético-MG e Cruzeiro-MG são clubes que têm sido ótimos exemplos neste aspecto, considerando a manutenção e a aposta no trabalho de seu staff técnico. Contudo, num universo de muitas agremiações é pouco para o futebol brasileiro. É preciso um movimento mais abrangente para que possamos observar melhorias significativas em nosso processo de formação.

Assim, acredito que a crise instaurada em nosso futebol seja "metodológica" e que precisamos ser invasivos, mas éticos, no desenvolvimento do futebol de base em nossos clubes. É preciso que os treinadores percebam e entendam que, se for realmente preocupação dos clubes, o "como ganhar" é mais importante do que simplesmente "ganhar títulos", que os caminhos e as etapas precisam ser cumpridas para que o objetivo principal deste trabalho (preparar e formar jogadores) seja atingido.

Esse, sim, é um caminho possível para o futebol brasileiro. 

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