Universidade do Futebol

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13/08/2014

Networks como ferramenta de análise na identificação de tendências comportamentais em sistemas complexos: contributo em equipes de jogos desportivos

Introdução e enquadramento teórico

O trabalho em equipe apresenta-se como aspeto fundamental em muitas atividades humanas, desde a arte, até á ciência, passando é claro, pelo desporto. A aceitação dada ao facto de que a composição das equipas determina as probabilidades de sucesso, contrasta, no entanto, com o parcial desconhecimento de como os processos de equipa, na designação de um sistema complexo, conduzem a desempenho superiores, ou ainda, como os papéis individuais interagem na obtenção de melhores desempenhos. Sendo o seu sucesso dependente da sua composição e organização, a obtenção de um melhor desempenho e contribuição individual num coletivo encontra-se ainda por clarificar e compreender. Neste enquadramento, as equipas desportivas são bons exemplos para ilustrar as lacunas do conhecimento científico, podendo ser consideradas como sistemas complexos sociais, com estruturas e dinâmicas especiais nas interações interpessoais, que contribuem para a sua organização e funcionamento.

O comportamento dos sistemas mais complexos, como células, instituições sociais, bandos de pombos ou a internet, emergem da atividade sequenciada de elevadas componentes do sistema que interagem através de interações locais emparelhadas (Serre & Martin, 2011). A característica comum encara que quaisquer dois agentes do sistema, podem tornar-se interligados para a ação através apenas de poucas ligações (Passos, Davids, Araújo, Paz, Minguéns & Mendes, 2011). Segundo os mesmos autores, esta característica de sistemas complexos tem sido denominada de small-world effect, apresentando no âmbito dos jogos desportivos coletivos (JDC) a possibilidade deste efeito poder ser observado em interações de pequenas unidades de agentes em performances inerentes as fases do jogo (ou seja, as interações do atacante ou defensa, em subunidades como 2×1 ou 3×2).

De acordo com Duch, Waitzman e Amaral (2010), os entraves neste âmbito da investigação, e assim do desconhecimento parcial, prende-se com a incapacidade de acompanhar de perto as ações individuais dos membros de uma equipa. Contudo, os JDC, onde incorporamos o futebol, oferecem uma excelente oportunidade para superar esse desafio. Neste domínio, o desafio identificado traduz ainda uma nova oportunidade e ferramenta de análise de identificação de tendências comportamentais.

A pertinência, atinge simultaneamente o combate pela dificuldade de analisar qualitativamente e quantitativamente o jogo, dificuldade inerente a natureza das próprias características comuns aos JDC (Lames & McGarry, 2007): a. Abertura, incerteza e imprevisibilidade (resultado da enorme complexidade que caracteriza um jogo coletivo, pela variabilidade e quantidade de relações entre colegas de equipa e adversários, resultando na incapacidade de prever com antecedência o que vai acontecer numa logica de acontecimentos em catadupa); b. Performance coletiva (na dependência de todos os outros e na impossibilidade de uma análise isolada); c. Irrepetibilidade (o jogo apresenta-se o mesmo mas irrepetível, pela abertura e incerteza, apesar do seu modelo geral); d. Instabilidade dos fatores de performance (dificuldade de interpretar dados estatísticos tradicionais).

No caso especifico do futebol (e.g., numero de remates, numero de canto, entre outros), de uma forma isolada, raramente apresentam uma medida fiável do verdadeiro impacto de um jogador ou performance coletiva (Duch et al., 2010), omitindo assim importantes interações dinâmicas, não contendo informações do contexto sequencial do jogo.

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