Universidade do Futebol

Geraldo Campestrini

04/11/2015

Novas mídias

A ocupação do território brasileiro por conteúdo esportivo estrangeiro é latente e tem se consolidado de forma assustadora

Nas últimas duas colunas, abordei a questão da distribuição dos direitos de transmissão, apresentando uma nova (ou nem tão nova assim) proposta que levasse em conta uma divisão mais justa e equilibrada da verba de TV entre todas as equipes participantes do Campeonato Brasileiro da Série A. Encerrei com uma breve reflexão sobre o quão atrasado estávamos neste debate, uma vez que o mundo já está, há algum tempo, reinventando a forma como as pessoas acessam conteúdo esportivo. E a cada dia encontro novidades neste sentido…

Muito mais do que uma negociação por valores ou disputa de quem deve receber mais ou menos pelo pay-per-view, a reflexão deveria ser, especialmente, sobre o que realmente representa as novas mídias para o futuro e a consolidação do produto futebol brasileiro no Brasil para alcançar o público daqui… especialmente o público jovem, cada vez mais distante dos principais emblemas do nosso futebol.

A ocupação do território brasileiro por conteúdo esportivo estrangeiro é latente e tem se consolidado de forma assustadora. Enquanto isso, seguimos debatendo, de forma equivocada, se “a Globo deveria ou não transmitir mais jogos de outros times em detrimento a Flamengo e Corinthians”. Esse tipo de debate já foi superado no mundo no final da década de 1990/ início dos anos 2000. Já foi!

O grande dilema para o futebol no Brasil é sair da zona de conforto. Investir em tecnologia e equipe para a apropriação do seu próprio conteúdo (a redundância é proposital!) exige uma visão de futuro que ainda não aterrissou nos principais clubes do país. Investimento ainda parece uma palavra pouco usual no vocabulário da cúpula dos principais clubes do país.

Contudo, se não foi planejado um crescimento adequado num passado mais recente para se ter uma posição diferenciada na negociação dos direitos de transmissão com o maior grupo de mídia do país nos dias de hoje, a mudança, a partir de agora, deve ser quase que pautada a partir de um plano emergencial.

É preciso trabalhar em um formato daqueles da indústria ou do varejo, que define algo como “5 anos em 1” ou coisa análoga para a questão das novas tecnologias e acesso a novos públicos.

Ou viramos a página de um debate cujo prazo de validade venceu, ou seguimos construindo e contribuindo com a organização do clássico Real Madri x Barcelona no Maracanã em 2017…

 

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