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10/04/2013

Número 1: só na camisa?

"Todo time começa por um grande goleiro". Esta é uma frase antiga no futebol, mas sempre atual.

Todos que acompanham de perto o futebol sabem que uma equipe de alto rendimento exige a segurança e técnica de um grande camisa 1. Entretanto, se por um lado existe a busca por bons atletas nesta posição, por outro se esquece de alguns princípios básicos necessários ao exercício das modernas funções do goleiro.

No futebol atual, o goleiro não pode mais ser esquecido em relação aos aspectos táticos, nem pelos treinadores e formadores de opinião, como até mesmo pelos torcedores.

Por acaso você, caro leitor, já notou que ao falar de um esquema tático, sempre se costuma dizer que a equipe irá jogar no 4-4-2, no 4-3-3 ou no 3-5-2? Não dá para se perceber aí que está faltando algo? Essa conta dos atletas em campo não está errada? Não seria um erro desconsiderar o goleiro com parte do esquema tático?

Este é um aspecto cada vez mais importante para a evolução tática do futebol. Em vez de 4-4-2, 1-4-4-2. Em vez do 4-3-3, o 1-4-3-3 e assim por diante. E os argumentos nesta direção vão muito mais além do que uma simples "contagem numérica".

O goleiro tem uma importância tática cada vez maior no futebol que se pratica hoje em dia. Ele faz parte da organização defensiva e ofensiva das equipes, e em vários aspectos. Na reposição de jogo, por exemplo, o goleiro pode primeiro optar por um tiro de meta "longo", sendo importante o trabalho tático da primeira e segunda bola.

Outro exemplo é o tiro de meta, que deve ser treinado em sintonia com o posicionamento dos outros jogadores, principalmente os do meio campo e ataque, dependendo dos objetivos que se tem para determinados momentos da partida. A primeira e segunda bola são fundamentais para as jogadas ofensivas da equipe e nisso o goleiro tem papel muitas vezes decisivos.

Outra opção é a reposição de bola com aquela saída mais curta, chamado de "sair jogando". Aqui se busca uma maior posse de bola e um menor percentual de erro na progressão de uma equipe. Contudo, mais importante que optar por um tipo ou outro de reposição, é saber qual o objetivo dessa ação. E ainda mais: planejar e treinar o posicionamento dos atletas para as duas possibilidades, de acordo com as necessidades do time no jogo.

Outro aspecto que revela a grande importância do goleiro é saber usá-lo para os momentos em que a marcação adversária é muito forte e avançada. Aí o camisa 1 pode ser utilizado como uma peça a mais para a troca de passes, ficando um pouco mais adiantado, quase numa função de "líbero". Isto gera mais espaços para os outros atletas do sistema defensivo e do meio-campo, facilitando a transição ofensiva. Para tanto é preciso trabalhar bem mais o fundamento do passe em curtos espaços durante os treinamentos. Trazer para o treino uma "realidade" mais aproximada em relação às situações de jogo.

Por trabalhar bastante essas reposições, os goleiros vêm evoluindo tecnicamente (com os pés) e se arriscando mais nas outras jogadas de bolas paradas, como as cobranças de faltas e pênaltis. Sem dúvida, outro diferencial para as equipes.

E finalmente temos que considerar a visão estratégica que os atletas dessa posição têm. Eles são os que mais conseguem "enxergar" claramente o posicionamento de todo o time numa partida, podendo orientar os companheiros de equipe com mais precisão. Se for um líder para o grupo, melhor ainda. Une a visão "tática" ao poder de motivação e liderança.

Muitos goleiros são capitães de suas equipes, outros viram técnicos, o que faz com que a posição de goleiro possa ser considera diferenciada, e que deve ser cada vez mais valorizada. Não só financeiramente e não só tecnicamente, mas principalmente nas questões táticas. Nos treinos e esquemas.

Enfim, o número 1 não pode ficar apenas na camisa…

Contato: @diegopperez

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