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22/11/2018

O ambiente de jogo em Itaquera salva o Corinthians

Nenhuma visão atual do futebol pode desprezar elementos subjetivos, de “fora” do jogo em si para fazer qualquer tipo de análise. Por mais contraditório que possa parecer com o atual cenário, onde se estuda muito metodologia de treinamento, modelo de jogo, princípios e sub-princípios defensivos e ofensivos e outros aspectos táticos, é necessário um olhar mais apurado e até humilde – já que no passado isso fez a diferença e era muito mais valorizado – para entender que o conceito ambiente de jogo pode determinar um resultado.

Falo ambiente, mas se dissermos atmosfera, contexto, sinergia, etc, estamos falando da mesma coisa.

Essas relações no futebol envolvem diversos fatores: torcida, história e cultura do clube, entrosamento dos jogadores, bom relacionamento entre titulares e reservas e inúmeros outros elementos que interagem entre si o tempo todo e que podem ser decisivos para, exemplificando, a cobrança de um pênalti de um time entrar ou sair, ou até mesmo para a conquista de um título.

Como exemplo também cito o atual caso do Corinthians. Só não será rebaixado por conta da química que há em seu estádio entre o seu torcedor e qualquer jogador que vista a camisa do clube. A atmosfera que há ali intimida qualquer adversário. E faz crescer quem joga no Corinthians. Evidente que o melhor time terá sempre mais chances de vencer. Mas em condições parecidas, o Corinthians em sua casa sempre será favorito por conta disso.

Falando de individualidades e não de coletivos: o conceito é o mesmo. Por que Muricy Ramalho quando dirigiu o Palmeiras não teve o mesmo sucesso que teve no São Paulo? Ou o meia Ricardinho, logo após a Copa de 2002, por que não conseguiu jogar tão bem no São Paulo como jogou no Corinthians? Tudo é questão de analisar o ambiente e não puramente a qualidade. Romário sem Bebeto seria o mesmo? E vice-versa? Não havia nessa dupla um conjunto de características técnicas e comportamentais que potencializava ambos?

E dentro desse emaranhado de redes que corta o futebol não posso deixar de citar dois outros componentes: o mental e o ambiente de treino. Deixo algumas questões para refletirmos: o nível de confiança de um jogador interfere na maneira com que ele se apresenta para o jogo, abrindo linhas de passe? Não é mais fácil para um time recuperar a posse de bola se há união e solidariedade entre os atletas? E se no treino não há por parte da comissão técnica um estímulo a competição, ao desafio, a superação, enfim, a busca pelo estado de jogo pleno, apenas a presença do torcedor no estádio fará a equipe se comportar de maneira aguerrida em uma partida valendo três pontos?

São itens para olharmos o jogo por um outro viés. Porque aqui podem estar muitas respostas que buscamos na leitura de um jogo.

 

Comentários

  1. Marcelo disse:

    Muito bom o post, boa análise. Sem tirar o mérito das análises de desempenho, da importância do estudo de táticas de jogo, tão ressaltadas atualmente, o contexto a que se refere é tão relevante quanto. E mais, enquanto importarmos esquemas e táticas, assistiremos um futebol que não tem as nossas características. Pode ser tudo, ficar até perfeito, mas ao futebol brasileiro hoje restou a monotonia dos esquemas táticos, salvo quando um ou outro jogador ainda mantém alguma qualidade técnica diferenciada. Precisamos assistir zagueiros saindo com a bola, laterais arriscando um drible, volantes de qualidade técnica, meias que sejam meias, fora atacantes, aí nem falo nada, pq parece que desapareceram do mapa…o DNA brasileiro sumiu em troca dos esquemas táticos. Nesta semana tivemos um jogo do Brasil e a TV ficou ligada em casa, nem eu nem meu filho que gostamos exageradamente de futebol olhamos para a TV que ficou ligada sem o nosso foco em sequer hm lance. Será só em minha casa? Mas são os esquemas táticos que nascem nas caregorias de base para ganhar jogo ok, mas esquecem a essência do futebol brasileiro. Sem isso ao meu ver enterram o futebol “brasileiro”.

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