Universidade do Futebol

Gpaf

17/03/2008

O árbitro de futebol – uma abordagem histórica

Há muito tempo o mundo vem se despertando para a necessidade de investir em pesquisas que possam contribuir para fundamentar todo e qualquer dado histórico. Os grandes investimentos históricos científicos no futebol, até aqui, eram quase que restritos às regras, federações e jogadores, mas, com o passar do tempo, verificou-se que existe uma pessoa que faz parte deste círculo, que passa muitas vezes despercebida no futebol, mas que é tão antiga como o futebol. Esta pessoa é o árbitro. Segundo a Fédération Internacionale de Football Association (Fifa), estima-se que exista no mundo mais de um milhão de árbitros de futebol trabalhando nos mais diversos campeonatos.

O árbitro é tão importante para o futebol, que sem ele não pode ocorrer uma partida (Internacional Football Association Board, 2007). Na realidade, para uma partida ser conduzida com eficiência deverão estar presentes no campo de jogo, no mínimo, três árbitros, isto porque um atuará como árbitro principal (aquele que apita a partida); os outros dois atuarão como árbitros assistentes, conhecidos popularmente como bandeirinhas.

Por muito tempo, o árbitro de futebol foi considerado uma figura secundária no futebol. Com o passar dos anos, observou-se que o árbitro é a pessoa que realmente pode decidir uma partida. O árbitro é tão importante para este esporte, que uma decisão equivocada pode retirar de um campeonato uma equipe que investiu milhões de dólares na compra e preparo de jogadores, restando-lhe apenas lamentar.

A partir do século XIX, com a criação das regras do futebol, separando ou distinguindo-o do Rugby, ele passou a ter as características que permanecem até hoje. As regras, que segundo a Confederação Brasileira de Desportos – CBD (1978) eram em número de nove, estabeleciam como este esporte deveria ser jogado.

Nessa época, o senso comum dos jogadores dirigia os jogos, que eram considerados quase uma brincadeira. Havia humildade entre os jogadores, e caso alguém gritasse que havia ocorrido uma falta todos paravam, já que gritavam: Pára! Pára! Um ou outro reclamava, mas o jogo era interrompido, porque ninguém mais corria atrás da bola e o senso comum prevalecia.

Com o passar dos anos, o senso comum já não garantia que as regras fossem cumpridas pelos atletas, e diz Saldanha (1971), que antes do aparecimento do árbitro de futebol, quem cumpria este papel era uma comissão, que durante as partidas se posicionava em um palanque. Esta comissão só se pronunciava ou interferia no jogo mediante a reclamação de uma das equipes.

Quando uma equipe se sentia prejudicada, recorria à comissão, todos os membros da equipe se manifestavam e corriam até ela, exigindo providências, mas essas reclamações, nem sempre, eram em termos moderados, com isso, não era raro que o palanque fosse lançado ao chão com comissão e tudo, comenta Saldanha (1971).

Para evitar que todos os jogadores pudessem reclamar, isto é, ir até a comissão, foi instituído que o jogador “reclamador” deveria utilizar um boné. Ainda segundo Saldanha (1971), o curioso é que o boné deu origem ao que se passou a chamar de capitão da equipe, porque boné em inglês é cap, e quando uma equipe inglesa ia jogar em outro país e aparecia na escalação do time um dos jogadores designado como cap, todos pensaram que era abreviatura de capitão; com isso, foi instituída a figura do capitão nas equipes, o “reclamador”. Isso foi incorporado em vários esportes, por isso é que as equipes até hoje acreditam que o capitão tem o direito de reclamar acintosamente durante o jogo.

Em 1881 surge a figura do árbitro, diz Antunes (19–). Este dirigia as partidas de futebol sem uma regra que estipulassem quais eram seus direitos e deveres.

A CBD (1978) e Duarte (2000) citam que em 1868, em uma das várias modificações que sofreu o futebol até hoje, apareceu o árbitro, mas ele não atuava dentro do campo de jogo. O árbitro só intervinha em uma jogada quando alguém de uma das equipes reclamava. Segundo Antunes (19–), em 1890, surge o árbitro por meio da regra, que regulamentava a sua função em campo. De acordo com esse autor, os primeiros árbitros (juízes) de futebol eram os senhores que utilizavam irrepreensíveis calças vincadas bem cortadas e jaquetas, que corriam por campos enlameados parando o jogo a gritos quando achava que teria sido cometida uma falta. Em 1891, de acordo com Antunes (19–) houve uma revisão completa do código, que dava agora ao árbitro dois assistentes, que ao contrário do árbitro, já surgem com suas funções determinadas. No início, o árbitro não utilizava apito para parar uma jogada. De acordo com a CBD (1978), ele apenas gritava para que os jogadores parassem quando entendia ter sido cometido uma falta.

Duarte (1997) pontua “que, em 1878, o apito começou a ser usado e isso aconteceu no Nottingham Forest Ground”. O ex-árbitro britânico Ken Aston foi o inventor dos cartões amarelo e vermelho, utilizados para sancionar os jogadores, e eles foram incorporados ao futebol na copa do mundo de 1970, que foi realizada no México. Aston por quatro anos, foi presidente do Comitê de Árbitros da Fifa e foi o responsável pela introdução das bandeiras utilizadas pelos árbitros assistentes, para que suas sinalizações fossem mais visíveis e pela designação do quarto árbitro. Com o passar dos tempos, porém, a regra que trata da arbitragem foi sofrendo modificações, dando, cada vez mais, poderes ao árbitro, já que o futebol passou a ser praticado não mais como brincadeira, mas como competição, que agora envolve tanto clubes regionais quanto clubes estaduais e até internacionais.

Manzolello (19–) comenta que arbitragem é um “troço doido”, porque o julgamento desportivo é uma difícil tarefa, pela própria dinâmica intrínseca do jogo. O árbitro deve, praticamente, num mesmo instante: observar, constatar, interpretar, julgar e punir ou absorver um atleta, e isso não é fácil e não é qualquer pessoa que consegue. Manzolello (19–) relata ainda que a função de julgar de um árbitro se torna mais difícil pelo fato deste não estar julgando um fato isolado, mas uma “chuva” intermitente deles num espaço de tempo pequeno sem “replay“.

O julgamento do árbitro difere do julgamento de um juiz, pois esse último pode consultar a lei, defender uma tese, invocar a doutrina ou discursar para os jurados antes de pronunciar sua decisão. Para tomar uma decisão, o árbitro é, ao mesmo tempo, delegado, promotor, júri e juiz, tendo também que atuar como advogado de defesa em alguns momentos, porque é sabedor da grande responsabilidade que lhe pesa nos ombros, pelo caráter irrecorrível das suas sentenças, conclui Manzolello (19–).

De acordo com Antunes (19–), a partir de 1896 a regra dá ao árbitro o direito de punir por sua própria iniciativa e suas decisões seriam sem apelo, porque até então os árbitros, geralmente, só puniam ante uma reclamação de um dos times.

Na regra do futebol, o árbitro também tem a sua, específica, que define sua função durante a partida. Atualmente, seus deveres estão descritos na regra de número 5, a que define a função de seus assistentes é a de número 6. O árbitro pode atuar como árbitro assistente e o árbitro assistente como árbitro. Na verdade ambos são árbitros, mas como durante uma partida, atualmente, utilizam-se dois árbitros assistentes, então dois árbitros são escalados nesta função. Por isso é que se vê que, em algumas partidas, o árbitro está atuando como assistente e, em outras, como árbitro principal.

Atualmente a regra também descreve a função de mais um árbitro, que poderá compor a equipe de arbitragem designada para conduzir uma partida. Esse é o árbitro reserva, o quarto árbitro, o qual poderá vir a atuar na partida caso alguém se machuque na função de árbitro principal ou árbitro assistente, dependendo do regulamento do campeonato.

O árbitro é chamado muitas vezes de “juiz”, mas, na verdade, o nome correto desse profissional encarregado de conduzir uma partida de futebol é “árbitro”. Esta confusão dá-se pelo fato de que antigamente a regra chamava o árbitro de juiz, e seus assistentes de auxiliares, fiscais ou juizes de linha. Hoje a regra trata o árbitro apenas como árbitro (principal) e seus assistentes de árbitros-assistentes.

No Brasil, de acordo com Almeida (19–), a figura do árbitro surgiu junto com o futebol. Aqui o futebol surgiu oficialmente em 1894, trazido por Charles Miller, da Inglaterra. Após para de atuar como jogador, em 1910, Charle Miller passou a atuar como árbitro de futebol no Brasil.

Barros (1990) salienta que é uma situação difícil conduzir uma partida no Brasil, e que são muitos os fatores que contribuem para tal. Entre os problemas que interferem na arbitragem pode-se destacar a falta de estrutura de vários campos de futebol, a falta de segurança, a conduta desonesta de alguns dirigentes, falta de conhecimento das regras por atletas, técnicos e treinadores, e o próprio despreparo de alguns árbitros. Segundo esse autor, as previsões para um mau andamento de uma partida de futebol começam uma semana antes de um clássico.

A imprensa começa a especular, os dirigentes querem coagir o árbitro e várias pessoas começam a emitir suas opiniões sobre quem deve ou não apitar o jogo. Dessa forma, os jogadores já entram no campo psicologicamente defendidos contra determinados árbitros. Esse fato, por si só, já dificulta a arbitragem da partida.

Segundo Almeida (19–), no começo, o árbitro comportava-se no mesmo nível amadorístico dos jogadores.

Para apitar uma partida, era escolhida uma pessoa momentos antes dela iniciar-se, nada recebendo por seu trabalho. As pessoas escolhidas eram extremamente corretas, até que perceberam ser apaixonadas por uma das equipes, como qualquer mortal. Já que como árbitro podia atuar qualquer pessoa, na maioria das vezes eram ex-jogadores de futebol, eram pessoas com muita influência ou prestígio na cidade onde iria ser realizada a partida. O escritor Walter Wanderley, citado por Lima (1992), diz que, certo dia, em Mossoró, uma mulher, Dona Celina Guimarães Viana, apitou um jogo em uma praça. Corria vestida com uma saia, suou e fez miséria, inclusive marcando um pênalti para cada equipe.

Segundo Malcher (19–), o árbitro é quase esquecido, ingratamente, durante a alegria de uma vitória, sendo relegado a segundo plano, esquecido na dedicação e eficiência de seu trabalho. No entanto, na derrota é ultrajado impiedosamente, não sendo poupado de injúrias. De acordo com Iazzetti (19–), o árbitro é um ser humano como qualquer outra pessoa, e como tal ele pode cometer erros. Os erros podem ser cometidos porque o árbitro estava mal postado em campo, devido a ter interpretado a regra ou o lance erroneamente, por não ter tido tempo suficiente para interpretar a jogada. Uma jogada faltosa, que pode ser assistida por dez mil pessoas, o árbitro, juntamente com outras dez mil pessoas que estão postadas do outro lado do estádio, podem não estar vendo, por causa do ângulo de visão que cada um está tendo.

Para Ekblom (1994) uma “decisão errada” do árbitro, é uma decisão de acontecimento. Os erros cometidos pelos árbitros são imperdoáveis para algumas pessoas. Errar pode ser considerado uma atitude que qualquer pessoa pode cometer, mas válido para o árbitro dentro do campo. Encerrar uma partida agradando as duas torcidas é um ato desumano, se não impossível. A maioria acha que o árbitro não erra, e, sim, age de má fé. Fraga (19–) relata que a vida de árbitro de futebol é uma tortura, que se uma pessoa quiser vingar-se de alguém, ela deve apenas pedir a Deus que o outro seja um árbitro de futebol.

O árbitro gasta boa parte de sua vida correndo próximo da bola, sem poder tocá-la, entre os jogadores suados e suando também, desgastando-se fisica e psicologicamente, correndo na chuva ou no sol, para, muitas vezes, no final de um trabalho prestado com satisfação sair de campo aos gritos de “ladrão, ladrão”.

Para o torcedor, é a vitória de sua equipe que importa. Uma semana cheia de problemas e desgostos pode ser esquecida mais facilmente, se sua equipe conseguir uma vitória. Contudo, esses fanatismos antes, durante e após uma partida de futebol podem levar qualquer pessoa a cometer atos violentos e selvagens independentes de seu nível cultural. Ato assim ocorreu em uma partida de futebol pela da extinta Copa Sul, em Curitiba, na qual o médico da equipe do Grêmio adentrou o gramado e agrediu o árbitro com socos e pontapés.

Serran (19–) acredita que um bom árbitro precisa reunir tantas qualidades que normalmente não são exigidas aos comuns mortais para cargos bem mais remunerados. Serenidade, equilíbrio, profundo conhecimento das regras, bom senso, rapidez de raciocínio, bom preparo físico e em doses maiores, a ajuda de Deus, são algumas dessas exigências.

Hoje, atuam oficialmente como árbitro homens e mulheres. Não se sabe ao certo quando as mulheres começaram a atuar como árbitro. Mas o reconhecimento da capacidade da mulher para atuar como árbitro por algumas Federações não foi fácil. Na Argentina, por exemplo, a árbitra Florancia Romana teve que fazer uma greve de fome na porta da Associação de Futebol Argentino para exercer seu direito de arbitrar. O trio designado para conduzir uma partida pode ser formado por somente homens ou mulheres, podendo também ser constituído de forma mista.

As mulheres há muito tempo atuavam como árbitras assistentes, mas recentemente a Fifa autorizou-as a apitar jogos das eliminatórias da copa do mundo de 2006. Entre os critérios exigidos está a exigência de possuir experiência de no mínimo 5 anos na principal categoria de futebol masculino de seu país.

Nicole Petignat foi a primeira mulher a apitar um jogo da Copa da Uefa (Union European Football Association), em agosto de 2003. Ela atuava em jogos internacionais femininos desde 1996 e jogos masculinos da primeira divisão na Suíça desde 1999.

No Brasil um trio totalmente feminino só foi permitido atuar no Campeonato Brasileiro masculino Série A pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) em junho de 2003, onde a paulista Silvia Regina de Oliveira, pertencente ao quadro da Fifa foi a árbitra designada para dirigir a partida, sendo as árbitras Ana Paula de Oliveira e Aline Lambert, designadas como suas assistentes. Segundo a Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf) a primeira mulher árbitra reconhecida no mundo foi Asaléa de Campos Michellim. Ela fez o curso de arbitragem em 1967 na Federação Mineira de Futebol (FMF), mas só em 1971 seu diploma foi reconhecido pela Fifa. Em 2004, nas Olimpíadas de Atenas, pela primeira vez a Fifa recrutou somente mulheres para arbitrar os jogos de futebol feminino desse evento. Portanto, fica claro que a participação feminina no futebol de alto nível competitivo é recente.

No Brasil, nunca houve árbitros excelentes em quantidades, afirma Almeida (19–). Entre os maiores, segundo Almeida (19–), Manzolello (19–) e Serran (19–), destacam-se Mário Viana, que era policial, que não gostava de levar desaforo para casa, brigava com jogadores e torcedores, e chegou a ser árbitro da Fifa. Outro árbitro que fez história no futebol brasileiro foi Armando Nunes Castanheira Marques. Ruim de bola, não resistiu à idéia de ter de viver longe do futebol. De acordo com Almeida (19–), Armando Marques, como ficou sendo conhecido, é o mais polêmico, discutido, ironizado e glorificado árbitro do futebol brasileiro. Era conhecido nacional e internacionalmente, pelos seus trejeitos, sua figura esguia e passos ligeiros de bailarino.

Armando Marques foi presidente da Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol, sendo que em 1999 foi suspenso de seu cargo por ter ofendido e comentado a atuação de um árbitro durante o jogo entre Vasco da Gama e Paraná Clube, jogo este do campeonato brasileiro, interrompido porque um dirigente invadiu o campo (Santos, 1999). Almeida (19–.) afirma que existem árbitros que ficam famosos por serem desonestos, como foi o caso de João Etzet, do Rio de Janeiro, que ficou tristemente famoso por sua conhecida vulnerabilidade ao suborno.

A cada dia que passa, o futebol vai se tornando mais violento. Segundo Santos (1999) o campeonato brasileiro do ano de 1999 bateu todos os recordes de violência da última década. Em uma só partida foram cometidas 105 infrações. Não é difícil encontrar diariamente, nos meios de comunicação, relatos de violência envolvendo atletas, árbitros, dirigentes e agora principalmente torcedores.

No entanto, a violência no futebol, as várias denúncias de corrupção de atletas, dirigentes e árbitro, é culpa daqueles que comandam esse esporte. De acordo com Netto (19–), os cartolas, como são conhecidos os dirigentes de futebol, no início eram filhos de papais ricos, muitos dos quais eram vadios e inúteis para tudo, utilizavam o futebol como um refúgio e com perspectiva de sucesso. O que não conseguiriam, normalmente pelo trabalho duro e difícil, o futebol não lhes negaria. Ainda segundo Netto (19–), o cartola mais honesto e de intenções mais puras, hoje, no mínimo dedica-se ao tráfego de influências. Usa o clube, o jogador, a torcida sem parcimônias. À custa de todos, ganha evidência, elege-se, faz-se notável.

Manzolello (19–) comenta que o cartola que não vive o futebol, não deveria viver na atual estrutura do futebol. O dirigente faz o que faz com os clubes e federações e não se sente responsável. Se entra em campo para desacatar o árbitro e, em conseqüência, é suspenso, quando o é, para que serve a punição? Os cartolas exploram seus clubes colocando-os em um buraco sem fundo e no máximo que podem fazer com eles é não os reeleger.

Segundo ainda Manzolello (19–), o osso mais cobiçado pelos cartolas são as escalações dos árbitros. É o cartola que indica ou veta um árbitro para seu jogo. Não é raro ver, na imprensa, denúncias envolvendo cartolas, árbitros e comissões encarregadas de escalarem árbitros para os mais diversos campeonatos. A escalação de um árbitro é tão ou mais importante para um cartola que a própria escalação de sua equipe, porque o cartola sabe que eles, em algumas situações, podem influir na arbitragem.

Hoje, apitar uma partida de futebol requer do árbitro mais subsídios que qualquer treinamento pode dar. O árbitro é visto por todos como um inimigo, qualquer atitude dele é suspeita, se cumprimentar alguém mais calorosamente antes de um jogo, há quem pense que ele já está sendo comprado.

A pressão psicológica é tão grande, que a seguir se transcreve o que um árbitro escreveu na súmula após um jogo turbulento no Estado de São Paulo, segundo Almeida (19–) “pelo exposto, vê-se que, mesmo com o cavalheirismo e abnegação do presidente do Internacional, Sr. Benedito, se não fosse o Todo Poderoso descer lá das alturas e dar-nos uma ajudazinha, e o nosso Anjo da Guarda haver trabalhado sem descanso durante os 90 minutos de jogo, não sei se hoje os meus filhos não estariam lamentando o desaparecimento prematuro do pai deles. Sim, porquanto ao entrar no estádio, fui logo sendo ameaçado de…”.

Espera-se que este trabalho possa ter contribuído para mudar o preconceito que algumas pessoas têm do árbitro de futebol. O árbitro de futebol foi criado para ajudar esse esporte, para cumprir as regras e fazer com que sejam cumpridas. Suas decisões não podem ser contestadas, são sem apelo. Esse fato, de acordo com Ekblom (1994), protege o árbitro e sustenta sua autoridade dentro do campo.

Mas, com o passar dos tempos, parece que algumas pessoas acreditam que existem objetivos mais importantes em uma partida do que o cumprimento das suas regras, que estas são apenas um detalhe, e se for necessário descumpri-las para se obter uma vitória, isso parece normal no mundo do futebol.

Entretanto, as pessoas que possuem um senso de honestidade e espírito esportivo, sabem que não é com desonestidade que o futebol sairá da situação que se encontra.

Os dirigentes, técnicos, treinadores e professores deveriam utilizar o futebol como meio para a construção do caráter das crianças. Contudo, os exemplos que se observam hoje no futebol mundial, principalmente pela mídia, seja dentro de campo ou fora dele, se forem utilizados no intuito de forjar o caráter de uma criança, conduzi-la-ão mais para ser um delinqüente do que um cidadão produtivo.

São tantos os fatores que podem interferir em uma arbitragem que fica difícil discutir todos aqui, mas é importante que as pessoas apaixonadas por este esporte, verifiquem como é construído o clima de uma partida pela imprensa, pelas declarações dos dirigentes e jogadores. Eles, com antecedência, querem imputar a responsabilidade de tudo para o árbitro. Logo, ele será o culpado pela vitória ou derrota de sua equipe, e quando este sai do vestiário e adentra o campo, já o julgaram, e acreditam que é a pessoa encarregada de “estragar” o espetáculo, que é uma partida de futebol.

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Contato: albertoinacio@bol.com.br

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Comentários

  1. Parabéns! Muito boa a explanação e quase 100% da realidade da vuda de um Árbitro!!f

  2. Antonio Carlos Silva disse:

    OK. Obrigado.

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