Universidade do Futebol

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07/08/2007

O choque do novo

Apesar das resistências impostas pelos mais diversos motivos e contrariando a lógica do raciocínio comum, a evolução deste esporte mostra claramente que novas abordagens são introduzidas e assimiladas com sucesso no meio esportivo.

Em uma análise superficial, observando a evolução do futebol através dos jogos nas Copas do Mundo, podemos verificar que profundas alterações aconteceram.

E como será o futuro do futebol como esporte?

O futebol atingiu mercados pouco explorados e com possibilidades reais de se tornar ainda mais difundido em paises onde este esporte tem poucos adeptos.

O interessante é que em se tratando de técnicas, o que é utilizado, por exemplo, no oriente é recebido com desconfiança pelos ocidentais.

A globalização deste esporte abre a possibilidade de introduzir conceitos pouco utilizados pela cultura ocidental.

Novas soluções técnicas, táticas, ou outras regras ainda podem ser introduzidas? Há espaço para novas opções?

O futebol é o esporte mais vendido pelas diversas formas da mídia, e consumido de forma pura nos estádios.

O que queremos do futebol é um crescimento ainda maior! Para isso será necessário que novas alternativas sejam empregadas pelas estruturas organizacionais, sem, contudo descaracterizar este esporte.

O que é alternativo? Segundo o dicionário Houaiss, alternativo significa aquilo que se propõe em substituição ao sistema cultural, técnico ou científico estabelecido; ou então, o indivíduo que, pelo seu modo de viver pensar, se opõe aos costumes, valores e idéias impostos pelas sociedades industriais e tecnológicas.

O que é uma técnica alternativa? Baseado na explicação acima técnicas alternativas não se propõem a substituir a medicina convencional, mas dar novas possibilidades de tratamento.
A medicina praticada no ocidente desenvolveu-se baseada em princípios científicos do conhecimento da matéria.

A medicina convencional é a ciência que se baseia na exploração por métodos cirúrgicos e na mensuração do doente para se ter um diagnóstico.

O diagnóstico é o principal objetivo da medicina convencional, daí partindo para o tratamento adequado.

Técnicas como exame de ressonância magnética e vários tipos de exames de sangue podem detectar a presença de doenças muito antes de os sintomas ficarem evidentes.

As técnicas alternativas estão baseadas em conceitos diferentes em relação à medicina convencional na forma de entender a saúde, a doença e a cura. Há varias diferenças entre as medicinas tradicionais (chinesa, ayurvédica e a dos índios) e a medicina convencional.

Portanto o que para nós ocidentais é considerado “alternativo”, pode ser considerado “tradicional” ou “convencional” para os orientais. Desta forma é necessário considerar que o nosso ponto de vista sobre as ciências da saúde pode ser revisto e ampliado com a aceitação dessas filosofias existentes em diversas regiões do mundo.

Classificação das terapias alternativas em quatro grupos:
· Sistemas completos de tratamento.
· Técnicas de diagnóstico.
· Terapias complementares.
· Medidas de auto ajuda.

Sistemas completos de tratamento constituem as terapias mais desenvolvidas e envolvem teorias sobre as causas das doenças, métodos de diagnósticos e de investigação dos problemas e tratamento. Alguns sistemas têm milhares de anos ao passo que outros são relativamente recentes. A acupuntura, a osteopatia, a quiroprática e a homeopatia, são as técnicas mais conhecidas e a formação nessas técnicas são rígidas nas normas éticas que regulam a atuação dos terapeutas.

 

Técnicas de diagnósticos usam os exames para detectar doenças. A cinesiologia, por exemplo, testa a força muscular para localizar doenças. A Medicina Ortomolecular analisa, entre outras coisas, o fio de cabelo para verificar as carências nutricionais.

 

As terapias complementares são tratamentos que utilizam as massagens como forma de abordagem dos problemas físicos como dores articulares, musculares ou correções posturais. Não se propõem a diagnosticar um determinado problema ou a formular teorias sobre as causas das doenças; sustentam simplesmente, segundo seus praticantes, que seus métodos podem dar e dão efetivamente bons resultados. Essas técnicas servem em geral para complementar as formas de tratamento convencionais, e não para substituí-las. A massagem ayurvedica, o rolfing, o R.P.G. são alguns exemplos destas terapias.

 

As medidas de auto ajuda, incluem exercícios de respiração, relaxamento, visualização e dietas especiais. Tentam propor soluções que permitam às pessoas melhorar a saúde ou simplesmente manter o seu bem estar. Técnica de visualização, de meditação e treinamento autógeno são alguns exemplos.

 

Quem tem interesse em se aprofundar na percepção do próprio corpo, sensações e sentimentos, dissolver barreiras nas relações com os outros ou alcançar harmonia entre corpo e espírito, certamente encontrará ajuda nas técnicas alternativas.

 

A seguir dentro dos devidos grupos, estão alguns exemplos de técnica alternativas mais conhecidas e que serão brevemente mencionadas neste artigo.

 

Técnicas alternativas de tratamento:

Acupuntura
Homeopatia
Osteopatia
Quiropraxia
Técnicas alternativas complementares:

Antiginástica
Feldenkrais
Técnica de Alexander
Método Rolf
R.P.G.
Ioga
Cadeias Musculares e método G. D. S.
Spiral Taping
Terapia Craniosacral
Reflexologia
Shiatsu
Terapias alternativas de condicionamento físico:

Bola Suissa
Método Gyrotonico
Power Yoga
Técnica de Pilates
Técnicas de auto ajuda:

Meditação Transcendental
Relaxamento Autógeno
Técnica de Visualização
Florais de Bach
Estas técnicas descritas foram selecionadas porque pelo meu conhecimento, elas podem ser muito bem aproveitadas no futebol.

Buscando aprofundar um pouco mais nas explicações sobre técnicas alternativas, atualmente existem numerosas abordagens para aqueles cujas aspirações já não cabem no tradicional modelo reducionista do paradigma newtoniano/cartesiano. René Descartes que viveu no século XVII é considerado o fundador da filosofia moderna. Era um brilhante matemático, e sua perspectiva filosófica foi profundamente afetada pela física e astronomia que eram ciências relativamente novas para aquela época. Ele não aceitava qualquer conhecimento tradicional, propondo-se a construir um novo sistema de pensamento.

 

Segundo ele, “toda ciência é conhecimento certo e evidente”. Há uma tendência em nossa cultura de rejeitarmos todo conhecimento que é meramente provável e consideramos que só se deve acreditar naquelas coisas que são perfeitamente conhecidas e sobre as quais não pode haver dúvidas. Porem a física do século XX mostrou-nos que não existe verdade absoluta em ciência e que todos os conceitos e teorias são limitados e aproximados.

 

Para ele não deveria existir dúvida com relação ao resultado de uma pesquisa. Descartes criou a estrutura conceitual para a ciência do século XVII, mas sua concepção da natureza como uma máquina perfeita, governada por leis matemáticas exatas, permaneceu como simples visão durante sua vida. Ele não pode fazer mais do que esboçar as linhas gerais de sua teoria dos fenômenos naturais. O homem que deu realidade ao sonho cartesiano e completou a revolução cientifica foi Isaac Newton que desenvolveu uma completa formulação matemática da concepção mecanicista da natureza.

 

Dentro desta realidade fomos criando uma forma de agir e pensar que só começou a ser modificada com a influência do modo einsteiniano de pensar. Einstein com a formulação da teoria da relatividade fez cair por terra à noção de que para tudo deve haver uma razão. Segundo Einstein tudo é relativo e depende justamente do ponto de vista.

 

Fazendo uma analogia com a teoria da relatividade, a vitória de uma equipe sobre outra não deveria ser entendida meramente pela solução lógica, ou seja, teoricamente uma seleção nacional deveria ganhar em uma disputa contra um determinado clube de futebol, mas isso é teoria, ou podemos analisar que dentre uma série de jogos entre essas duas forças o percentual de vitórias da equipe nacional deveria ocorrer sempre, mas devemos entender que muitas variáveis se apresentam e devem ser respeitadas como itens importantes. Nada pode ser descartado e nenhuma idéia deveria ser fechada nos que diz respeito à competição.

 

Alem disso entendo que a evolução de um atleta depende não só da genialidade ou habilidade natural, mas de toda uma infra-estrutura que possibilite a ele se destacar dentro da modalidade escolhida.

O universo e o esporte não podem depender apenas dos gênios. Eles são fundamentalmente compostos de pessoas comuns que se submeteram a treinamentos especializados que os colocam em condições de quase igualdade com os citados gênios.

 

Porém o mundo da competição exige do organismo humano o máximo rendimento possível. A exigência física, por exemplo, depende fundamentalmente de um programa de condicionamento onde a intensidade e quantidade não violentem a integridade individual da pessoa treinada.

 

O que vale entender é que o corpo humano é sábio e busca sempre o próprio equilíbrio. A cada treinamento existe uma adaptação às cargas impostas, e é justamente esta troca entre treino/cansaço e recuperação/descanso que colocam indivíduos dentro do melhor potencial.

 

Porém é praticamente impossível encontrar, em qualquer modalidade esportiva de alto rendimento, um atleta que não esteja ou que já esteve contundido.

 

A preparação física se tornou mais sofisticada, mas os compromissos competitivos a que se submetem os atletas profissionais que dependem do resultado positivo como objetivo ou por compromisso com patrocinadores, levou o atleta a se submeter a uma maior sobrecarga de trabalho e também a mais stress.

 

Com isso houve a necessidade de certas especialidades médicas passarem a ser utilizadas dentro do âmbito esportivo visando dar melhor suporte aos atletas.

 

Neste contexto a cirurgia se tornou uma prática freqüente para reparar os danos ocorridos pelo stress causado pela competição.

Um atleta que tenha se submetido a uma cirurgia ou que tenha se contundido seriamente, tem seu padrão de movimento comprometido e também o seu desempenho temporariamente alterado.

 

Quando um atleta se submete a uma cirurgia, o objetivo desta é corrigir um problema ou reparar um trauma ocorrido.

 

E é justamente no retorno pós-cirúrgico aos treinamentos que técnicas alternativas, principalmente as de reorganização postural, que melhoram o padrão sinestésico, podem ajudar acelerando o retorno a campo dando suporte para que problemas não aconteçam devido ao novo padrão mecânico.

 

Hoje o atleta utiliza-se de uma série de recursos e profissionais para a obtenção do rendimento máximo.

 

As grandes equipes do futebol podem ter hoje à disposição dos atletas especialistas como nutricionistas, psicólogos, fisiologistas, cinesiologistas, fisioterapeutas, além de recursos como laboratórios de avaliação, materiais e equipamentos sofisticados etc.

 

Nesse universo, existe espaço para a utilização das chamadas técnicas alternativas, baseadas no conceito holístico, que é à busca de um entendimento integral dos fenômenos. Desta forma o atleta pode compreender como sua saúde pode melhorar e o seu corpo se movimentar com mais leveza e equilíbrio, contribuindo de maneira decisiva para o seu aprimoramento e conseqüentemente melhor desempenho.

 

Um atleta com maior consciência corporal, cria uma nova dimensão nas possibilidades de uso do corpo.

 

A atividade física destaca o que temos de bom, mas também o que temos de ruim em termos da organização corporal. Se o atleta possui um desvio na coluna e joga tênis, por exemplo, certamente este desvio será acentuado já que os movimentos nesta modalidade são feitos usando mais um lado do corpo do que o outro. Ou mesmo que a modalidade escolhida seja a natação, normalmente o que ocorre é que o atleta utilize mais o lado forte e isso fará também com que a musculatura se desenvolva ainda mais neste lado e conseqüentemente poderão ocorrer desvios no posicionamento dos ossos.

 

O corpo humano se molda conforme a atividade, aumentando o tamanho dos músculos, sua força, a resistência e também os desequilíbrios entre as suas partes, já que o atleta utiliza alguns músculos mais do que outros na atividade escolhida. E isso é característica individual das pessoas já que para um mesmo movimento, uma pessoa pode utilizar mais ou menos um determinado músculo.

 

É importante que as relações entre as partes do corpo, a cabeça, o tronco e os membros se comuniquem de forma sofisticada, ou seja, que os pares musculares trabalhem em sinergia para que o movimento possa ser livre e desimpedido.

 

Os jogadores de futebol, com exceção dos goleiros, utilizam e desenvolvem mais os membros inferiores do que os superiores e isso por si só já trazem uma forma de desequilíbrio, porque o desenvolvimento natural de uma pessoa fica artificialmente alterado pelo tipo de atividade.

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