Universidade do Futebol

NUPEF

27/02/2014

O desempenho das equipes semifinalistas durante a Uefa Champions League podem indicar os futuros resultados?

Quando os campeonatos chegam às fases finais, especialmente na semifinal, todos os profissionais, torcedores e imprensa iniciam as especulações e apostas sobre quais clubes se enfrentarão na final do campeonato ou, até mesmo, qual será o campeão. Como critério destas especulações, pensa-se que, principalmente os profissionais da área, identifiquem algumas variáveis ou fatores que direcionem tais “apostas”. Todavia, nem sempre isso é realizado.

Para iniciar tal assunto, destaca-se a classificação da última edição (2012/2013) da UEFA Champions League (UCL) (vide quadro 1). E, a partir disso, analisa-se o desempenho das quatro equipes até os jogos das quartas de finais da competição e a possibilidade de identificar a classificação final do campeonato a partir dos resultados até esta fase.

Quadro 1: Classificação final dos quatro primeiros colocados

Bayern München

Campeão

Borussia Dortmund

2º colocado

Real Madrid*

3º colocado

Barcelona*

4º colocado

 

*Classificação por saldo de gols

Na figura 1 (vide abaixo), são observados os dados de vitória, empate e derrota das quatro equipes até a semifinal. Conforme os valores até as quartas de final, o Bayern München (campeão) obteve o maior número de vitórias em comparação aos adversários, o Barcelona, adversário da semifinal, e o Borússia Dortmund, na final. Na mesma direção, o Borrussia Dortmund obteve mais vitórias e menos derrotas em comparação ao Real Madrid, que derrotada na semifinal pela equipe alemã.

Ao observar o quadro de classificação e a figura abaixo, é possível notar alguma similaridade.


Figura 1: Número de vitórias, empates e derrotas das equipes semi finalistas da UCL

Entretanto seria questionável o resultado em que o Bayern München sagrou-se campeão, ao obter durante os jogos, mais derrotas que o Borússia Dortmund. Aí surge a seguinte questão: Como poderia especular quem seria campeão? Analisemos a figura 2 referente aos gols:

Figura 2: Número de gols pró, contra e saldo de gols

Por mais que a equipe do Bayern München tenha sido derrotada durante a competição, ela obteve até as quartas de finais o maior número de gols marcados e, portanto o maior saldo de gols, sofrendo o mesmo número de gols que o Barcelona, derrotado na semifinal pelo Borússia Dortmund , que obteve um gola menos em comparação ao Bayern München adversários na final do campeonato.

Já para o saldo de gols, a ordem ficou exatamente como a classificação do campeonato, sendo que o Bayern München foi o campeão , o 2º colocado foi o Borussia Dortmund e, em 3º e 4º colocados ficaram o Real Madrid e Barcelona, respectivamente.

Quando observado tais valores, se destaca a tendência de que o Bayern München ganharia as duas partidas da semifinal, assim como, o Borussia Dortmund venceria o Real Madrid.

Ao se tratar dos confrontos das semifinais em relação ao histórico dentro da competição, é possível observar a tendência dos valores até então conquistados, se confirmarem durante os jogos da semifinal, Bayern München x Barcelona e Borússia Dortmund x Real Madrid. Ou seja, quando observados os valores das figuras 1 e 2, confirma-se que no primeiro confronto o Bayern München sairia como vencedor marcando muitos gols, placar agregado: Bayern 7 x 0 Barcelona.

Seguindo os dados levantados, o outro confronto de clubes espanhóis e alemães confirmaria um confronto mais equilibrado, pois mesmo com 1 gol a mais de saldo, a equipe do Borússia Dortmund ainda não havia perdido na competição e, ainda, observa-se que, mesmo sendo o clube que mais marcou gols entre os quadro semifinalistas, o Real Madrid foi a equipe que mais sofreu gols até esta fase, somando duas derrotas. Desta maneira, a tendência confirmou-se durante o confronto, equilíbrio e o placar agregado a favor do Borússia Dortmund 4 x 3 Real Madrid.

Ao se tratar do jogo final, quando somados os resultados das semifinais, o desempenho do Bayern em comparação ao Borússia indicaria que o clube seria campeão da UCL. Por coincidência ou casualidade, o desempenho dos clubes até as quartas de finais indicou qual seria o enfrentamento na final do campeonato e, por consequência, já indicaria a tendência do campeão ser o Bayern, uma vez que estes valores seriam confirmados para a final.

Portando, mesmo o Futebol tendo sua característica em ações imprevisíveis e aleatórias, assim como em seu resultado, alguns detalhes e observações podem auxiliar em sua possível ocorrência.

Entretanto fica a seguinte pergunta: consequência ou casualidade?

Comentários

  1. Luiz Mendes de Lima disse:

    Lá vamos nós, de novo! De minha parte, não acredito em aleatoriedade do jogo ou no “futebol caixinha de surpresas”. A última expressão serve para treinador derrotado desculpar-se. Alguém já viu um técnico cujo time ganha uma competição dizer que tudo se deve ao fato do futebol ser uma caixinha de surpresas? Acredito, sim, no saudável conceito de “caixa preta” da velha e boa ciência da Cibernética, tal como a define W.Ross Ashby.
    Acredito também em Shakespeare: – “Mesmo que pareça loucura, existe um método aí”. (Em inglês arcaico, a frase é magnífica). Claro, o dramaturgo inglês não falava de futebol, mas de todas as caixas pretas que, como aquela pedra do poeta Drummond de Andrade, se interpõem em nosso caminho.
    Ah! Não me deixem esquecer! Como é mesmo? Consequência ou casualidade? Ora, ora. Pois, pois! Bem a propósito, alguém lembra do diálogo do “mocinho” com o “vilão” no Matrix II? Quando o primeiro fala em coincidência, o “vilão” rebate, dizendo que ele acredita mas é em convergência.(Aliás, tenho esse diálogo anotado em algum lugar).
    Então, ficamos assim no mundo da bola: Convergência e, sim senhor, CAUSALIDADE. Se não soar muito pretensioso de minha parte – acho que três décadas de pesquisas em futebol me autorizam a afirmar(as equações do modelo me autorizam), data vênia: o jogo de futebol, enquanto fenômeno ou expressão de um sistema dinâmico é da ordem do convergente. E se o sistema converge, há esperanças em nossos corações.
    Mas há um entretanto: o jogo(ou sistema) embora convergente não é lá muito camarada ou bonzinho. E isto se deve a um traço indelével que o constrange: sua extrema sensibilidade àquelas mudanças em suas, digamos, condições iniciais(CI). (Parênteses para dizer que o caos também é definido como um sistema ultra sensível às CI). Exemplo que vem do mundo real? Um treinador -não importa de qual dos times- faz uma “mexida” e, de repente, o sistema que tem livre arbítrio ou “moto proprio” resolve inverter as coisas e transforma um time vencedor em perdedor ou vice-versa.
    Melhor ficar por aqui. Eu e esta minha mania de ser prolixo. Mas, convenhamos: o tema é por demais sugestivo. Ou não?

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