Universidade do Futebol

Publif

29/02/2008

O fator da inteligência na formação de jovens futebolistas

No contexto esportivo, a inteligência é definida como a habilidade ou a capacidade para solucionar problemas sendo extremamente importante e vantajoso, e em especial em ambientes estruturados, como o futebol.

Com isso, valendo-se da transformação do ambiente de aprendizagem e do uso da tecnologia pode-se melhorar e desenvolver cada uma das inteligências múltiplas (TIM). Entre elas, segundo Silva (2007), a inteligência visual-espacial, que inclui as habilidades de percepção acurada do mundo, a visualização de objetos e a criação de imagens. E a inteligência corporal-cinestésica, relaciona-se ao movimento físico e ao conhecimento do corpo e de seu funcionamento. Por exemplo, a capacidade de usar o corpo para jogar futebol.

Considerar que há a possibilidade de a inteligência de uma criança poder ser modificada. A inteligência é influenciada tanto pelos genes herdados (natureza) quanto pelo ambiente da criança (criação). Nos esportes, a percepção está intimamente ligada a “inteligência”, constructor psicológico que se constitui de operações básicas, apoiadas na inter-relação do conhecimento com a percepção – no identificar e reconhecer – para a produção de comportamentos e ações, inclusive as criativas do ser humano.

Nesta interface, a inteligência é uma capacidade mental geral que, entre outras coisas, envolve habilidade para raciocinar, planejar, solucionar problemas, pensar abstratamente, compreender idéias complexas e aprender rapidamente e a partir da experiência. A inteligência nos habilita a compreender nosso ambientes, capturar e dar sentido às informações relevantes e configurar o que deva ser feito. E no caso do futebol, essa percepção é de suma importância nas características das ações táticas e seu elevado nível de complexidade e dinâmica dos movimentos.

A inteligência pode ser mensurada e seus testes medem-na muito bem. Porém, maximizar a inteligência do jogo é preciso, mas o quando e o como fazê-lo são mais fundamentais.

Haja vista a importância da inteligência específica nas ações táticas no futebol (tomada de decisão) e no processo de treinamento para a melhoria da capacidade de percepção do comportamento dos jovens futebolistas, e consequentemente, um melhor rendimento tático-técnico. O treinamento da percepção pode minimizar as falhas de informação e observação.

A inteligência tática de perceber o espaço, o colega, o adversário, de decidir, de antecipar-se deva ser estimulada desde cedo. Para tanto, é preciso que as crianças sejam capazes de executarem esquemas táticos de forma consciente e autônoma, e ainda sem a preocupação de “jogadas” preestabelecidas, que acabam por formar jogadores automatizados, sem criatividade e flexibilidade, ou seja, capacidade de se adaptar, de resolver problemas e de improvisar frente às constantes situações novas dos jogos.

De acordo com alguns autores (BIANCO, 1999; FREIRE, 2003; GRECO & BENDA, 2001; SANTANA, 2004) que não acreditam em ensinar “jogadas”, mas sim em ensinar crianças e jovens a jogar e compreender as dinâmicas e as estruturas do jogo de forma a jogar para aprender a jogar.

Portanto, isso nos leva ao fato de que um jogador de futebol ou uma criança que pratica futebol, deve ser estimulado taticamente, principalmente nos JEC e com a seqüência de treinamentos, este seja capaz de escolher a melhor alternativa de decisão de forma antecipada e responder as exigências e situações que apresentam nos jogos e treinamentos.

Para SANTANA (2003), a competência para resolver os problemas do jogo, que é o que todo treinador espera dos seus jogadores, é construída ou destruída no treino.
Do ponto de vista da pedagogia do esporte, as exigências do jogo nos levam ao desenvolvimento dos diferentes processos inerentes à tomada de decisão, a fim de aperfeiçoar as capacidades cognitivas desde idades precoces, isto é, adotar uma metodologia aplicada em técnica e tática, habilidades e capacidades, simultaneamente.

Entretanto, este é um tema inesgotável que requer um número significativo de pesquisas científicas numa abordagem pedagógica da iniciação esportiva ao futebol.

Bibliografia

BIANCO, MA. Importância da Capacidade Cognitiva no Comportamento Tático dos Esportes Coletivos: uma abordagem no Basquetebol. In: I Prêmio INDESP de Literatura Desportiva. Brasília, 1999. Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto; v. 2: 95-147.
FREIRE, JB. Pedagogia do Futebol. 2. ed. Campinas: Autores Associados (Coleção educação física e esportes); 2003.
GRECO PJ, BENDA RN (org.). Iniciação Esportiva Universal 1: da aprendizagem motora ao treinamento técnico. 1º Reimpressão. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2001.
SANTANA, WC. Futsal: Apontamentos Pedagógicos na Iniciação e na Especialização. Campinas, SP: Autores Associados, 2004.
SANTANA, WC. O raciocínio do treino está no jogo. Pedagogia do Futsal. Disponível em: http://www.pedagogiadofutsal.com.br/texto>_026.php. Acesso em: 28 mai. 2003.
SILVA, JA. Inteligência para o sucesso pessoal e profissional. 1 ed. Ribeirão Preto, SP: FUNPEC Editora, 2007.

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