Universidade do Futebol

Gepeef

25/01/2008

O início das ações táticas defensivas e ofensivas

Desde os primórdios do séc. XIX, o futebol era uma correria enlouquecida atrás da bola e não havia qualquer equilíbrio entre defesa e ataque. Já quando fundada a Football Association em 1863 em Londres, começou-se a ouvir falar de sistemas e tática de jogo, termos que geram confusão até hoje entre os torcedores (FREITAS e VIEIRA, 2006).

Para definir de forma precisa, os autores acima citados mencionam que:

[…] sistema de jogo é a forma como o time está organizado em campo (os famosos 4-4-2, 4-3-3, 3-4-3, etc) e tática, são as estratégias utilizadas em campo para chegar à vitória (coberturas, marcações, jogadas ensaiadas, etc), ou seja, dois times podem jogar com o mesmo sistema de jogo e atuar de maneira totalmente diferente. (p. 99).

Certamente que, para se obter uma vitória num jogo não basta apenas jogadores repletos de talentos e de chutes precisos, mas sim, atletas que sejam capazes de compreender as ações defensivas e ofensivas da sua equipe e da equipe adversária, a fim de manter um equilíbrio dinâmico e constante quando preciso e provocar o desequilíbrio a favor da sua equipe em momentos decisivos, como quando há a possibilidade de se fazer um gol.

Em qualquer esporte, a defesa inicia-se durante o ataque, ou seja, a partir do momento em que o jogador não está atacando mais, ele passa a ser defensor, independente do local em que esteja no espaço de disputa: quadra, campo, piscina ou outro. Por isso, assegurar o equilíbrio ofensivo por “suportes”, ou seja, prever as possíveis respostas dos adversários, constitui formas de ação para não se cair numa situação de inferioridade tática (operacional), logo que a equipe perca a posse da bola (BAYER, 1994). Para este autor há alguns princípios fundamentais da defesa que ele chama de princípios operacionais de defesa que servem para nortear o processo educativo ou a ação de qualquer atleta em situação de jogo:
– recuperação da bola;
– incomodar a progressão do adversário para a baliza à defender;
– proteção da baliza ou do campo.

Da mesma forma ele define também princípios operacionais de ataque, em função dos quais se vão articular todas as ações coletivas e individuais:
– conservação da bola (ou do objeto) quando é recuperada;
– progressão para a baliza adversária;
– realização dum ponto, resultado lógico do ataque à baliza adversária.

Na aplicação destes princípios operacionais de defesa e de ataque, o jogador, que seja ou não portador da posse de bola, para ajustar a sua ação tática, deve analisar diversos variáveis. Entre elas temos:
– sua posição em campo (quadra ou outro espaço de disputa)
– posição da bola (ou do objeto disputado);
– espaços livres (sempre variáveis);
– posição dos companheiros e dos adversários;
– o objetivo a alcançar.

Depois de analisar todas as variáveis possíveis o jogador deve tomar sua decisão ou suas decisões constantemente, o que Bayer (1994, p. 48) chama de regras de ação: “(…) os fatores de execução, os meios de sistemática de base, para poder intervir de maneira eficaz e resolver problemas postos. Estes fatores consistem em ações que supõem um processo de raciocínio, de seleção e de combinações de processos técnicos específicos do jogo”. Algo que só pode ser definido pelo próprio jogador durante sua atuação.

Portanto, como colocado anteriormente, sistema de jogo é diferente de tática de jogo. Mesmo que esses dois coexistam durante um jogo, podemos ensinar os diferentes sistemas de jogo a qualquer jogador, mas a tática do jogo, as decisões que o jogador pode tomar durante uma partida não há como lhe ensinar, pois estas são muitas, talvez milhares. O que é possível fazer é torná-lo inteligente para tomar suas decisões, ou seja, ensinar-lhe a analisar o jogo para decidir e não mecanizar suas ações. Inclusive, se prestarmos atenção nos melhores atletas de esportes coletivos, inclusive de futebol, os considerados melhores do mundo, o que nos encanta em seu jogo é a sua inteligência para tomar decisões táticas.

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Referências bibliográficas

FREITAS, ARMANDO; VIEIRA, SILVIA. O que é futebol. Rio de Janeiro: Casa da Palavra: COB, 2006.
BAYER, CLAUDE. O ensino dos desportos colectivos. Lisboa: Dina livros, 1994.

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