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03/06/2019

O mindset no futebol e a forma como lapidamos nossos talentos

Em tempos de um futebol cada vez mais profissional, estamos pecando em impôr responsabilidades desnecessárias de maneira precoce em nossas crianças. São diversos fatores que, ao meu modo de ver, estão atrapalhando cada vez mais o aprendizado, e que acabam englobando em uma palavra que virou moda nos tempos atuais e já deve fazer parte do aprendizado e da formação de atletas: o mindset.

A psicologia, de acordo com a sua evolução, trouxe aos tempos normais duas definições que traçam a personalidade humana e a forma como conduzimos nossas crenças, comportamentos, sucessos, fracassos, inteligência, esforços e até mesmo o caráter. Com muita dedicação e anos de estudo, a ideia foi descoberta pela psicóloga norte-americana Carol S. Dweck, autora do livro “Mindset — A nova psicologia do sucesso” (2016). Na obra, ela define a existência de dois mindsets: o fixo e o de crescimento.

No primeiro, o mindset fixo, as capacidades humanas são definidas como algo imutável. Ou seja, você nasceu com talento e inteligência para algo e nada fará desenvolver ou aprimorar. Cria-se então uma necessidade de autoafirmação, o medo das críticas, do fracasso e de encarar novos desafios.

Já no mindset de crescimento, Dweck trata o cérebro humano como uma ferramenta em constante desenvolvimento, capaz de alcançar os objetivos por meio do aprendizado, estímulo e da prática. Ou seja, a inteligência e a capacidade humana podem ser desenvolvidas, e o esforço é tratado como o caminho para a excelência.

E isso se aplica completamente à forma como desenvolvemos os jovens atletas no futebol. Como derrubar a síndrome do “talento imutável”? Como desenvolver as suas habilidades? Como lidar com os fracassos e também com o sucesso? Como desenvolver as suas limitações? Até onde o caminho do esforço pode levar? E as críticas e elogios?

O processo de formação passa pelo primeiro contato com a bola, as brincadeiras com os pais e avós, a pelada no bairro, as quadras da escola, as escolinhas de futebol até a chegada nas categorias de base. E, neste processo, é importante também o trabalho psicológico acima de tudo, respeitando cada etapa. Estimular o desenvolvimento de habilidades e da inteligência de jogo, a busca pelo aprendizado e superar todas as limitações, evitar o medo de novos desafios e encarar que as falhas e insucessos fazem parte do aprendizado e da evolução, acreditar no esforço como o caminho para a obtenção de resultados ainda maiores, o enfrentamento de adversidades com entusiasmo e determinação, além do desenvolvimento da liderança e do espírito coletivo.

Além disso, é importante para os pais, treinadores e quaisquer outros que participem do processo de formação estarem cientes de que o elogio excessivo atrapalha tanto quanto a crítica enérgica, e que eles também exercem um papel fundamental nesta empreitada.

É conhecendo o funcionamento do cérebro humano que podemos moldar a personalidade de um atleta vencedor no futuro.

 

Comentários

  1. Julio Gonzaga Guidi disse:

    Ótimo Artigo!

  2. Tiago Amaral disse:

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