O modelo de jogo de um campeão mundial

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1.0 Introdução
 
Esse artigo apresenta uma análise do modelo de jogo utilizado pela equipe do Manchester United na final do mundial de clubes da Fifa de 2008, onde conquistou o título derrotando a LDU (Liga Desportiva Universitária de Quito) do Equador pelo placar de um a zero.
 
Essa análise foi construída através de observação criteriosa, sistemática e repetitiva da partida através de vídeo gravação, combinada com aplicação de scout, não confeccionado para quantificar fundamentos técnicos, mas para registrar situações pré-determinadas da dinâmica de jogo da equipe analisada.
 
2.0 Observações táticas
 
2.1 Plataforma de jogo
 
A plataforma usada durante toda partida foi o 1-4-4-2, com uma linha de zagueiros, sendo dois de área (ZD e ZE) e dois laterais (LD e LE), no meio campo, dois volantes (V1 e V2), e dois meias externos (MED e MEE) e no ataque, um atacante de movimentação (AM) e um de referência (AR), conforme figura1.

Figura 1 – Plataforma de jogo e atletas que iniciaram a partida

Jogadores e posições:
 
Linha de zagueiros: LD (21) Rafael /ZD (5) Ferdinand /ZE (15) Vidic /LE (3) Evra;
Meio Campistas: V1 (16) Carrick/ V2 (8) Anderson / MED (13) Park / MEE (7) Ronaldo;
Atacantes: AM (32) Tevez / AR (10) Rooney.
 
Aos 3 minutos do segundo tempo ocorreu expulsão do jogador Vidic (ZE). Para reorganizar o setor, a alternativa do técnico (Alex Ferguson) foi retirar um dos atacantes (Tévez) e colocar um novo zagueiro de área (Evans), e com isso a plataforma passou a ser o 1-4-4-1. Outra mudança nesse momento foi passar o, até então, atacante de referência Rooney para o lado esquerdo como MEE e Ronaldo na função de referência.
 
As outras substituições (Neville no lugar de Rafael e Fletcher no lugar de Anderson) não alteraram a plataforma, pois só foram trocados jogadores das mesmas funções.
 
2.2 Equipe com posse de bola
 
2.2.1 Dinâmica
 
Nessa partida, a equipe observada mostrou claramente a característica de jogo de posse de bola (em oposição ao adversário que mostrou característica de jogar sem posse, preferindo apenas contra-ataques), o que pode ser observado a partir da transição defesa-ataque, ou seja, a partir do momento em que a equipe recuperava a bola. Devido à estratégia defensiva utilizada (detalhada no tópico “equipe sem posse de bola”), a grande maioria das recuperações acontecia nas zonas 3 e 2 (Z3 e Z2) (figura 2), e então se iniciava a organização ofensiva a partir de passes curtos entre jogadores próximos, rodando a bola no sentido horizontal de um lado para outro, passando, muitas vezes, até por quatro jogadores (principalmente laterais para zagueiros ou volantes, até o lateral oposto), ou mesmo com viradas de jogo pelo alto (de um volante ou lateral até o lateral oposto), esperando o momento de aprofundar a jogada, sendo raras às vezes em que se buscou um contra-ataque, aprofundando rapidamente a jogada. Essa preferência (jogo de posse) parece estar ligada, tanto às características dos jogadores/equipe, como também adaptação ao adversário, que mantinha quase sempre oito ou nove jogadores atrás da linha da bola.


Figura 2 – Zonas de campo

Outra importante observação é que a maioria das ações ofensivas eram iniciadas pelos dois volantes (Anderson e Carrick). Quando se recuperava a bola (principalmente em Z4 e Z3), os volantes sempre se apresentavam para recebe – lá, e aí quando tinham a possibilidade, aprofundavam a jogada, e quando não, faziam o passe curto lateral, mas sempre se movimentando para novamente receber a bola e armar a jogada ofensiva. Dos volantes, Anderson muitas vezes procurava triangulações e ultrapassagens (principalmente pela faixa central), portanto passando da linha da bola e procurando penetrar na defesa adversária, porém Carrick, quase nunca passou da linha da bola mantendo posicionamento mais defensivo.
 
As principais ações ofensivas em ordem de ocorrência, foram:
Primeiro – Lançamento em profundidade. Os principais lançadores foram os dois volantes, a partir das Z3 e Z2 pela faixa central, e seu alvo principal era Rooney na posição de referência, final de Z2 e Z1, também pela faixa central. Rooney, devido suas características físico-técnicas, disputava a bola com os zagueiros e fazia o pivô para jogadores vindo de trás, ou a chamada “casquinha” (leve desvio de cabeça na bola) para jogadores entrando em diagonal (principalmente os ME e o outro atacante), ou ainda recebia, ele mesmo, dividindo com os zagueiros e procurando ajeitar-se para a finalização. Outro destino importante dos lançamentos eram as faixas laterais da Z1 para os MED (Park) e MEE (Ronaldo) que procuravam o domínio da bola, a jogada de linha de fundo e por fim um cruzamento, ou domínio da bola e passagem do lateral, também buscando linha de fundo.
 
Segundo – Ultrapassagens (também chamado jogada “um-dois” ou “tabela”). Essa jogada era buscada, na maioria das vezes pelas faixas laterais, envolvendo o apoio dos dois laterais que faziam o passe no ME e passavam para receber na frente, o que ocorreu com mais sucesso pela direita com Rafael e Park. Porém também foram realizadas jogadas desse tipo pelas faixas centrais entre os dois atacantes, com Tevez – Rooney ou com o volante Emerson fazendo o passe curto na referência para Rooney que procurava devolver na frente, entre os zagueiros, para penetração do mesmo. Outra variação dessa jogada, era caída do atacante da referência pela faixa lateral, trabalhando a jogada com o lateral (isso aconteceu quando Ronaldo passou para referência).
 
Terceiro – Triangulações. Essa jogada foi tentada praticamente com a mesma freqüência das ultrapassagens, e eram iniciadas com os volantes quando realizadas pela faixa central, envolvendo o atacante da referência (principalmente Rooney) e o outro atacante (Tevez) ou um ME (principalmente Ronaldo, que se deslocava também pela faixa central quando na função de ME), buscando-se sempre a finalização, sendo que em uma dessas triangulações, saiu o gol da vitória (28 minutos do segundo tempo), com a finalização de Rooney (dentro da grande área), a partir de um passe de Ronaldo, que por sua vez recebeu do volante Carrick pela faixa central. As triangulações buscadas pelas faixas laterais eram iniciadas pelos laterais e envolvendo os ME e os atacantes, com o objetivo de fazer jogada de linha de fundo e cruzamento.
 
Outro ponto importante das ações ofensivas foram as jogadas in
dividuais de Ronaldo, que jogou em alguns momentos abertos pela esquerda em outros pela direita, além de atuar centralizado na referência. Jogador de muitos recursos técnicos que alia velocidade-habilidade conduzindo e procurando o drible e a linha de fundo, quando atuando aberto pela direita, buscando por fim, o cruzamento. Já quando aberto pela esquerda, sua jogada individual de drible ou condução buscava a faixa central, procurando a finalização, aproveitando seu ótimo arremate de perna direita. Além de finalizar bem de fora da área, também finaliza bem próximo ao gol, e ainda tem o recurso do cabeceio em bolas vindas de cruzamento ou escanteio.
 
Rooney é o outro destaque nas ações ofensivas, pois abre várias possibilidades. Pode atuar na referência fazendo pivô, de costas para os zagueiros e disputando bolas aéreas, tanto desviando para quem entra em diagonal, quanto ajeitando para um companheiro que venha de trás ou mesmo finalizando a gol. Participa de triangulações com passes curtos por dentro e também pode ser lançado em velocidade e profundidade, já que é um jogador rápido. Outra característica marcante é sua finalização, tanto de fora da área quanto próximo ao gol, sempre procurando tirar do goleiro. Outra possibilidade de atuação é jogar aberto pela esquerda, onde trabalha com o lateral (Evra) desse lado em jogadas de ultrapassagem, além de poder ser lançado em velocidade nas costas do lateral adversário.
 
2.2.2 Reposições do goleiro
 
As reposições do goleiro Van der Sar, a partir de tiro de meta eram direcionadas principalmente para Rooney e algumas vezes para Ronaldo nas faixas centrais e esquerda da Z2, para que esses dessem seqüência nas ações ofensivas, como foi colocado anteriormente (Ronaldo – domínio e Rooney – “casquinha” e pivô), porém nesse tipo de jogada, os zagueiros vencem o duelo na maior parte das vezes (pois estão de frente para a bola), então a equipe adiantava suas linhas para ganhar a segunda bola (que vem do rebote dos zagueiros), o que acontecia na maior parte das vezes, e a partir daí dar seqüência nas ações ofensivas.
 
As reposições a partir de defesas com as mãos, vindas de cruzamentos, cabeceios ou chutes, eram feitas de modo seguro, com bolas rasteiras para os volantes ou laterais nas Z4 ou Z3 e esses iniciavam as ações.
 
Com certa frequência ocorreu reposição a partir de recuo dos zagueiros ou mesmo dos volantes, acionando Van der Sar quase como um “último” zagueiro, então o goleiro fazia lançamento, novamente para Rooney na Z2. Importante ressaltar que essa ação pode ocasionar situações de perigo se o adversário estiver atento e esperando, o que quase aconteceu na partida, pois apesar do lançamento sair alto e forte, esse recuo ocorreu com bastante frequência e um erro de passe pode ser fatal.
 
2.2.3 Contra-ataques
 
Foram poucas as situações de contra-ataque, sendo mais freqüentes a partir da vantagem conquistada. Além disso, deve ser considerado o fato da equipe estar com um jogador a menos naquele momento, o que ocasionou um recuo das linhas de marcação e maior pressão do adversário que por sua vez teve de avançar seus jogadores para igualar o placar, proporcionando assim uma situação quase natural para contra-atacar. Porém mesmo nessa situação era nítida a falta de organização para contra-atacar, percebendo-se que esse tipo de jogo não é muito treinado pela equipe. Os contra-ataques eram iniciados a partir de bolas recuperadas, principalmente nas Z4 e Z3, pelos laterais ou o pelos volantes que puxavam o contra-ataque através de passes curtos, sendo Rooney o jogador que mais recebeu esse passe, que provavelmente por seu instinto ofensivo dava uma seqüência rápida na ação, transformando-a em contra-ataque.
 
2.2.4 Bolas paradas
 
Nessa partida só ocorreram escanteios ofensivos pela direita e o jogador encarregado da cobrança era Anderson, que batia com a perna esquerda (ou seja, “pé trocado”). A cobrança era dirigida para a entrada da pequena área, entre a primeira e segunda trave, com a seguinte movimentação de jogadores: Ferdinand deslocava-se da entrada da grande área para a primeira trave, levando consigo parte da marcação e Ronaldo ou Vidic, os principais alvos, saem do mesmo ponto e deslocam-se para entrada da pequena área entre as duas traves, com muita freqüência conseguindo levar vantagem sobre os zagueiros. Outra variação apresentada foi escanteio curto com a bola sendo devolvida para Andersom e cruzada na segunda trave.
 
As faltas cobradas diretas ocorriam na Z1 em faixas laterais ou faixas centrais de Z2, cobradas por Ronaldo, principalmente, ou Anderson. As faltas cruzadas na área, eram sempre laterais e em Z2, também cobradas por Ronaldo pela esquerda (cobrando com o pé direito) e Anderson pela direita (cobrando com o pé esquerdo), para que a bola tivesse o trajeto do gol, mas com possibilidade de desvio.
 
2.3 Equipe sem posse de bola
 
2.3.1 Dinâmica
 
O posicionamento defensivo apresentado teve dois momentos, um antes da expulsão de Vidic e outro após (3 minutos do segundo tempo), porém tanto antes quanto após a expulsão, a Z1 não foi explorada em termos defensivos, a não ser em um erro de passe do zagueiro que Rooney se aproveitou, recuperando a bola e finalizando. Também a linha de marcação de meio campo e zaga não alterou sua conformação de duas linhas de quatro.
 
Antes da expulsão, a marcação começava na Z2 em zona e com meia pressão exercida pelos atacantes pela faixa central e ME pelas faixas laterais. Já na Z3, a marcação continuava meia-pressão, porém do tipo mista, ou seja, marcava-se em zona, mas com certa definição de quem acompanhava quem. Então, um dos zagueiros marcava o atacante da referência e o outro posicionado mais recuado em sobra, os laterais marcavam os ME, um volante pegava o meia mais adiantado do adversário e o outro um dos volantes adversário que eventualmente aparecesse no setor, e por fim os ME acompanhavam os laterais do seu lado. Já em Z4 a marcação continuava mista, porém com pressão no homem da bola.
 
A diferença após a expulsão foi o recuo da marcação (o que aconteceu mesmo antes da vantagem no placar – 28 minutos do segundo tempo), sendo esta iniciada a partir do meio campo, praticamente inexistindo em Z2 e Z1, porém quando a bola entrava em Z3 a marcação tornava-se pressão, embora continuasse mista. Também nesse momento a transição, quando da perda bola, ocorria muito mais rapidamente do que antes, buscando retomada das posições defensivas.
 
O sistema de marcação flutuava de acordo com a posição da bola, então, quando da bola nas faixas laterais, do lado direito, Park (MED) ajudava Rafael (LD) a conter jogadas de ultrapassagens ou triangulações por esse lado, seja contra o ME e o atacante ou contra o ME e o lateral (embora os laterais adversários não apoiassem muito) ou com participação do meia-atacante que caia bastante pelas faixas. Já do lado esquerdo, Ronaldo não demonstrava a mesma desenvoltura na marcação que Park, não acompanhando o lateral até o fi
nal e não ajudando com muito afinco a conter as jogadas referidas acima, podendo-se dizer que esse era o ponto fraco do sistema defensivo. É importante ressaltar que o mesmo problema trocava de lado quando Ronaldo passava para o lado direito e Park para o esquerdo. Porém Park, além de bom marcador pelo seu lado, também fechava pelas faixas centrais quando a bola estava do lado oposto ao seu, ajudando na marcação por dentro e compensando a precária marcação de Ronaldo, pois nesses casos um dos volantes caia pela faixa lateral ajudando o lateral do lado da jogada. Após a expulsão de Vidic, Ronaldo passou para a posição de atacante de referência e Rooney ficou aberto pelo o lado esquerdo (MEE), contribuindo com Evra para a marcação daquele setor, acompanhando o lateral adversário, quando este apoiava o ataque, além de fechar por dentro quando a bola estava do lado oposto. Também é importante ressaltar que os laterais, tanto Rafael pela direita, quanto Evra pela esquerda, realizavam a fechada (quando bola na lateral oposta) de modo satisfatório, contribuindo com os zagueiros na marcação dos adversários que penetrassem na grande área.
 
Quando a jogada ocorria pelas faixas centrais, os volantes procuravam cercar o homem da bola, normalmente, o meia e um volante que apoiava o ataque, fazendo uma pressão não muito agressiva (para não precipitar um lançamento) antes da expulsão e mais agressiva após. Um dos zagueiros acompanhava o atacante em sua movimentação, realizando marcação individual até o fim da jogada e cada lateral marcava o ME do seu lado.
 
2.3.2 Bolas paradas
 
Nos escanteios defensivos, havia sempre um jogador em cada trave (normalmente os
laterais), um jogador que marcava a bola, que era Rooney, posicionando-se próxima da primeira trave do lado da cobrança, e os demais, marcavam os adversários individualmente (Ferdinand, Vidic, Ronaldo e Carrick) e um no rebote na entrada da área, normalmente Anderson.
Houve apenas uma falta contra pela faixa lateral, que foi na Z4 pela faixa direita, onde a bola foi cruzada na altura da marca do pênalti e foi feita linha de impedimento, que não deu certo, pois um atacante entrou em posição legal de frente com o goleiro e desviou para o gol, não marcando por muito pouco.
 
3.0 Observações físico-técnicas
 
3.1 Rafael – Lateral direito
 
Apresentou bom passe curto, condução de bola e desarme, pois era muito combativo na marcação e bom posicionamento defensivo (fecha bem quando bola do lado oposto). Utilizou-se do drible algumas vezes, não sendo parte importante de seu repertório técnico.
 
Apresentou característica de velocidade, tanto curta (arranque – 0 a 10 metros) quanto longa (acima de 10 metros) e também com bola, mostrando também bom condicionamento, já que apresentou resistência de velocidade (capacidade de repetir estímulos de velocidade muitas vezes, sem apresentar fadiga) e resistência geral (movimentação constante de moderada intensidade).
 
3.2 Evra – Lateral esquerdo
 
No geral tem bom passe curto, porém mostrou, algumas vezes, insegurança e proporcionando contra-ataque para o adversário devido a erro nesse fundamento (passe para trás errado para zagueiro). Mostrou também boa condução de bola e bom posicionamento defensivo (fecha bem quando bola do lado oposto), porém deixou um pouco a desejar quanto ao desarme. Também arriscou alguns lançamentos, procurando a posição de referência, mas sem sucesso.
 
Apresentou perfil para velocidade longa, bom condicionamento, sugerido pela resistência de velocidade e resistência geral, porém apresentou arranque e velocidade com bola apenas regulares.
 
3.3 Ferdinand – Zagueiro
 
Seu jogo com posse de bola foi composto por passes curtos, sem pressão, com segurança e alguns lançamentos, na referência. Como bom zagueiro mostrou bom posicionamento, principalmente sobrando, mas também desarmando, além de bom no jogo aéreo.
 
Seu perfil físico pareceu ser de força e potência (movimento explosivo) de salto e impulso horizontal, como quando “se joga” para bloquear um chute ou chegar em um atacante que esteja próximo (por exemplo quando o atacante se livra da marcação e Ferdinand tem que dar o combate, já que muitas vezes atua na sobra), porém não apresenta velocidade, por isso procura um jogo mais posicional, evitando acompanhar os atacantes ou acompanhando-o bem de perto.
 
3.4 Vidic – Zagueiro
 
Também faz bom jogo com passes curtos, lançamentos (referência), bom no desarme, já que é muito combativo, normalmente é o zagueiro que sai no confronto com atacante, quando sua equipe está sendo atacada. Por vezes é um jogador violento e pode perder a cabeça, como aconteceu nesse jogo e foi expulso. Peça chave nas bolas aéreas ofensivas, pois é um dos jogadores mais procurados no escanteio, deslocando-se da entrada da grande área para entrada da pequena área e, com forte impulso, costuma subir bastante e levar vantagem sobre seu marcador, assim como na bola aérea defensiva.
 
Jogador que tem perfil de força, levando vantagem em choques, também apresenta potência, como foi colocado, saltando alto e ganhando bolas aéreas, porém não tem muita velocidade e agilidade, levando desvantagem em confrontos que o atacante tenha espaço, mas dos dois zagueiros é o que tem melhor arranque, então sai no combate ao atacante com mais freqüência que seu companheiro.
 
3.5 Carrick – Volante
 
Mostrou-se excelente nos passes curtos e longos rasteiros, inversão de jogo e lançamentos. Devido a esses atributos, contribuiu significativamente na armação das jogadas ofensivas da equipe. Também apresentou bom domínio, boa condução de bola, posicionamento defensivo e desarme.
 
O perfil físico observado é o de um atleta resistente, com boa condição física, sugerido pela constante movimentação, sempre se colocando em posição de receber a bola na intermediária defensiva para armar a equipe. Porém é um jogador lento (não apresenta característica de velocidade), preferindo jogar sempre atrás da linha da bola.
 
3.6 Anderson – Volante
 
Também se mostrou excelente nos passes, sejam curtos ou longos pelo chão, lançamentos (junto com Carrick foi o principal lançador da equipe), além de bom domínio, condução de bola e o drible, característica não muito comum para volantes, o que lhe confere um diferencial para atuar nessa posição (já que originalmente é um meia). Tais atributos e posicionamento (centralizado), permitem importantes participações na armação ofensiva da equipe. Seu posicionamento defensivo e capacidade de desarme mostraram-se apenas regular (parece estar ainda se adaptando a funções mais defensivas).
 
Seu perfi
l físico parece ser de resistência, porém apresenta certa velocidade curta, o que, combinado com seus atributos técnicos, lhe dão a possibilidade de chegar muito bem ao ataque, através de triangulações e até mesmo ultrapassagens.
 
3.7 Park – Meia externo direito
 
Jogador que atuou, na maior parte do tempo, aberto pela faixa direita, mas em alguns momentos trocava de lado. Atleta que apresenta muita determinação com as funções defensivas, muito combativo na marcação, e por isso desarma bem, além de manter um bom jogo posicional quando sua equipe não tem a bola, contribuindo bastante na marcação pelo seu lado, acompanhando o adversário que cair por ali e fechando por dentro quando o ataque adversário for do lado oposto. Porém tem um passe apenas regular, assim como sua condução de bola e também não tem boa finalização nem com chute, nem com cabeceio.
 
Atleta com característica de velocidade, tanto curta quanto longa, além de mostrar ótima condição física, pois apresentou boa resistência de velocidade e resistência geral, com isso contribuindo sobremaneira tanto com o jogo ofensivo, quanto defensivo de sua equipe.
 
3.8 Ronaldo – Meia externo esquerdo
 
Jogador tecnicamente excelente (tanto que no momento da confecção deste documento, era cotado como favorito para receber o prêmio de melhor jogador do mundo da Fifa), apresentando todos os fundamentos com bola muito bem desenvolvidos, com excelente passe, finalização (tanto de cabeça quanto chute, de dentro e de fora da área), domínio, condução e drible com grande habilidade, além de combinar muito bem esses fundamentos, quando por exemplo, aberto pelo lado esquerdo dribla e conduz por dentro buscando forte finalização de fora da área, ou quando aberto pela direita buscando jogada individual para chegar no fundo e cruzar ou mesmo rolando para trás para chegada de um companheiro. Também apresenta boa bola parada em faltas frontais, com chute forte, sempre de perna direita. Em termos de função defensiva, não apresenta muita determinação para fechar espaços e acompanhar adversários.
 
Jogador que apresenta característica de velocidade, tanto curta quanto longa e com bola, além de mostrar agilidade (velocidade acíclica). Essas características combinadas com seus atributos técnicos lhe conferem uma grande habilidade desenvolvida em velocidade, o que em suma é o que caracteriza o grande jogador, pois se abrem muitas possibilidades de atuação, tais como, participação em triangulações e ultrapassagens, tanto pelas faixas centrais, quanto pelas laterais, pode lançar e ser lançado em profundidade, tem a opção da jogada individual, finalização, de fora ou de dentro da área, ou ainda o cabeceio, e as bolas paradas, ou seja, um jogador extremamente difícil de ser neutralizado.
 
3.9 Atacante – Tevez
 
Atleta que alia bom passe curto, condução e drible curto, além de boa finalização com perna direita, mas também é combativo na marcação dos zagueiros e por isso pode ter bom desempenho em desarmes no território ofensivo. Sua estatura não permita muito sucesso em bolas aéreas.
 
Fisicamente é um jogador de muito arranque, potência e força, o que lhe permite os dribles curtos e rápidos, finalizações e choques constantes com zagueiros. Também mostrou bom condicionamento, pois apresentou resistência de velocidade.
 
3.10 – Atacante – Rooney
 
Outro jogador excelente tecnicamente, que abre muitas possibilidades de atuação, apresentando bom passe curto, domínio, condução, cabeceio, drible curto e rápido e principalmente ótima finalização, com muita calma na frente do goleiro. Também apresenta bom sentido defensivo, além de determinação para acompanhar adversários e fechar espaços.
 
Seu perfil físico apresenta força, permitindo atuar de costas para os zagueiros na posição de referência, entrando em choque com eles constantemente, potência e velocidade de arranque, atributos importantes nos dribles curtos e finalizações. Também se mostrou muito bem condicionado, devido sua resistência de velocidade e resistência geral, já que foi muito exigido, também em termos defensivos após expulsão de Vidic, obrigando-o a um grande volume de deslocamentos.
 
Bibliografia
 
DRUBSCKY, R. O universo tático do futebol, escola brasileira. Belo Horizonte: Ed. Health, 2003.
 
FERREIRA, RB; PAOLI, PB; COSTA, FR. Proposta de scout tático para o futebol. Revista Digital – Buenos Aires, ano 12, 118, 2008. Disponível em http://www.efdeportes.com.
 
RAMPININ, E; IMPELLIZZERI, FM; CASTAGNA, C; COUTTS, AJ; WISLOFF, U. Technical performance during soccer matches of the Italian serie A league: effect of fatigue and competitive level. Journal of Science and Medicine in Sport, 12, 227-233, 2009.
 
SILVA, SG. Princípios básicos do treinamento. Apresentado no I Congresso Brasileiro de Ciências e Futebol, 2008.
 
KRAEMER, WJ; HÄKKINEN k. Treinamento de força para o esporte. Porto Alegre: Artmed, 2004.
 
* Daniel Palacio é graduado em educação física, pós-graduado em fisiologia do exercício (Escola Paulista de Medicina – Unifesp) e mestrando pelo Cemafe (Centro de Medicina da Atividade Física e do Esporte – Unifesp), com orientação do dr. Turíbio Leite de Barros (Fisiologista) e com projeto de pesquisa em futebol. 
Além disso, possui experiência como preparador físico e técnico de futebol em equipes infantis, juvenis,  adulto feminino e preparador físico de jogadores profissionais.

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