Universidade do Futebol

Eduardo Barros

19/04/2015

O Modelo de Jogo e a Dallas Cup – parte II

Na semana anterior foram sintetizados alguns elementos do Modelo de Jogo das equipes sub-19 do Real Salt Lake-USA, Valencia-ESP e Everton-ING. Dando sequencia ao material, nesta semana serão apresentados alguns elementos do Modelo de Jogo das equipes River Plate-ARG e Monterrey-MEX, semin-finalista e finalista da competição, respectivamente.

Abaixo, as informações do River Plate-ARG:

Princípio Operacional Defensivo Dominante: Recuperação da Posse
Forma de Marcação: Zonal
Linha de Marcação: Linha 2 – Intermediária Ofensiva

Princípio Operacional de Transição Ofensiva Dominante: Retirar a bola do setor de recuperação horizontal ou verticalmente
Número de Jogadores no Balanço Ofensivo: 2 ou 3

Princípio Operacional Ofensivo Dominante: Manutenção da Posse de Bola
Forma de Ataque: Ataque em Zona com estruturas móveis
Tipo de Ataque: Ataque posicionado
Forma de repor a bola em jogo com o goleiro: Curtas predominantemente

Princípio Operacional de Transição Defensiva Dominante: Reorganizar linhas da equipe
Número de Jogadores no Balanço Defensivo: 5 + Gr recuado

Em seguida, elementos do Modelo de Jogo do Monterrey-MEX:

Princípio Operacional Defensivo Dominante: Impedir Progressão
Forma de Marcação: Zonal
Linha de Marcação: Linha 3 – Meio Campo

Princípio Operacional de Transição Ofensiva Dominante: Retirar a bola do setor de recuperação verticalmente
Número de Jogadores no Balanço Ofensivo: 2

Princípio Operacional Ofensivo Dominante: Progressão ao Alvo
Forma de Ataque: Ataque em Zona com estruturas fixas
Tipo de Ataque: Contra-Ataque
Variação de Tipo de Ataque: Ataque rápido

Forma de repor a bola em jogo com o goleiro: Curtas predominantemente

Princípio Operacional de Transição Defensiva Dominante: Recuperação Imediata
Número de Jogadores no Balanço Defensivo: 5 + Gr recuado

Algumas conclusões podem ser feitas após a análise das equipes durante a competição:

•O espaço é uma referência de organização defensiva para todas as equipes analisadas;

•Além disso, fazem campo pequeno para defender, reduzem o espaço entre linhas e realizam coberturas permanentes para manterem superioridade numérica próxima ao centro do jogo;

•Pela análise da equipe norte-americana, fica evidente a tentativa de aplicar um jogo dominante, mesmo com sensíveis limitações técnicas, especialmente na linha de defesa. Se o Modelo aplicado estiver sendo desenvolvido com êxito nas categorias inferiores, em alguns anos, tal Academia será uma grande referência de formação.

•Um das equipes mais vistosas tecnicamente foi o River Plate. Com a técnica sul-americana usavam, por vezes em excesso, os recursos de 1vs1 ofensivo, retirando demasiadamente a velocidade do ataque. Foi a única equipe que atuou com estruturas móveis no campo de ataque, o que dificultava as organizações defensivas adversárias e permitia um grande repertorio de jogadas de ataque para a equipe argentina;

•O Valencia foi a surpresa negativa da competição. Apesar de apresentar alguns elementos ofensivos de jogo dominante, a estruturação de espaço da equipe quando em organização ofensiva (com 7 jogadores + GR no campo de defesa), além da orientação defensiva durante toda a competição para impedir progressão, não deram consistência ao jogo espanhol. A impressão que se deu é que pela maneira que defendiam, deveriam atacar de outra forma.

•A equipe inglesa foi a mais sólida defensivamente. Ofensivamente, foi a que mais alterou a forma de jogar durante o jogo. De um jogo de progressão, com passes curtos e ataque rápido no primeiro tempo, nos minutos iniciais do segundo tempo optou por um jogo direto, com diagonais para dentro dos extremos em disputas de segunda bola. Uma recaída ao antigo futebol inglês;

•Todas as equipes analisadas, inclusive a inglesa no primeiro tempo, tentavam repor a bola em jogo a partir do goleiro (seja em tiros de meta, seja em reposições) de forma curta. Como aspectos a melhorar, pode-se apontar que faltaram melhores alternativas de saída, maior dinamismo na construção da ação ofensiva, e melhor mecanismo de abertura de campo, o que dificultaria a ação defensiva do adversário;

•A melhor transição ofensiva, ou a mais perigosa, dentre as equipes analisadas foi a do Monterrey. Com eficiente mecanismo de ataque à profundidade pelo atacante e utilização de um extremo que se posicionava no balanço ofensivo próximo ao meio campo do lado direito, a equipe mexicana era muito eficiente após recuperar a posse de bola e retirá-la verticalmente do setor de recuperação.

•Os mecanismos coletivos de transição defensiva das equipes que tinham como referência operacional a recuperação imediata em muitos momentos foram falhos principalmente por dois motivos: Dificuldade de formação de um bloco ofensivo adiantado, agrupando a equipe no campo de ataque e facilitando as ações de pressão de espaço e tempo na região que se encontra a bola, além de um delay na mudança de comportamento ao perder a posse de bola;

Para concluir, esta competição foi disputada por 12 equipes de 8 países diferentes. Tais equipes estão entre as principais em seus respectivos competições. Conforme afirmou recentemente neste portal o treinador Rodrigo Leitão, não estamos atrás (dentro do campo) de muito do que se tem feito lá fora.

É válido, no entanto, nos mantermos atentos para que, no futuro, não sejamos surpreendidos. Pelo que vi, os Estados Unidos querem se tornar o país do futebol!

Aguardo críticas, comentários e sugestões. Até a próxima!
 

Comentários

Deixe uma resposta