O momento da reabilitação mais agressiva da fasciíte plantar

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A partir do momento em que o atleta sentir dor mínima, quando da apalpação, e tiver condições de sustentar peso e caminhar sem sentir dores, a reabilitação mais agressiva deve ter início. Nesta etapa do tratamento, a crioterapia continua sendo bastante útil nas sessões de reabilitação, pois consegue reduzir as inflamações que possam surgir. São recomendadas as modalidades de calor profundo, como ultra-som em ondas contínuas para aumentar a extensibilidade do tecido antes de proceder alongamentos nos tecidos afetados. A mobilização dos tecidos moles e a massagem por fricção transversa através da fáscia plantar contribuem para a dominuição das dores do atleta lesionado.

 
Segundo CANAVAN (2001), os exercícios de alongamento e de fortalecimento estão indicados nesse estágio da reabilitação. Os déficits específicos, se ainda não foram abordados na fase anterior, passam a ser abordados agora. Em um estudo com atletas com fasciíte plantar, Kibler et al.1 descobriram déficits importantes na força do flexor plantar do tornozelo e na AM [Amplitude de Movimento] da dorsiflexão do tornozelo. A partir de seu estudo, não se pode avaliar se esses déficits eram um fator de contribuição na lesão ou se eram um efeito da lesão. Entretanto, Kibler et al. relataram que a falta de dorsiflexão do tornozelo e a fraqueza dos flexores plantares manifestavam-se como pronação funcional. Durante a corrida, isso resultava em uma distensão tênsil excessiva sobre a fáscia plantar. Desse modo, alongar o tendão de Aquiles isolando o gastrocnêmio e o sóleo individualmente é parte principal do programa de reabilitação. Para evitar mais distensão na fáscia plantar durante o alongamento, o pé e o tornozelo devem estar supinados pelos dedos virados para dentro ou pela colocação de um suporte sob o arco. (…) O atleta pode alongar facilmente a fáscia plantar dorsiflexionando ele mesmo os dedos passivamente. Isso deve ser precedido de uma modalidade de calor profundo para aumentar a extensibilidade dos tecidos. No caso de atletas para as quais a pronação excessiva ou prolongada seja um fator de contribuição, o fortalecimento específico dos músculos que controlam a pronação ou a rotação interna da perna através da contração excêntrica pode ajudar no controle da fasciíte plantar. (…)
 
A utilização da órtese é bastante empregada para controlar a mecânica normal do pé e do tornozelo que contribui para a fasciíte plantar, pois a órtese mantém o pé mais próximo possível da posição neutra, a fim de estimular a função normal da perna e do pé (…).
 
Ainda de acordo com CANAVAN, o programa de introdução gradativa da órtese deve ser iniciado tão logo ela seja recebida pelo atleta. Um início apropriado seria o uso da órtese durante uma hora no período da manhã e uma hora no período da tarde. O tempo deve ser aumentado no espaço de duas semanas. Quando a órtese estiver confortável, deve ser iniciado o treinamento usando a órtese. Aconselha-se ao atleta iniciar o treinamento com a órtese em um calçado novo. O calçado atlético para o atleta que se recupera da fasciíte plantar deve ter um contraforte firme no calcanhar. O atleta com pé cavo deve procurar um calçado que tenha mais amortecimento do que controle de movimento, ao passo que o atleta com pé excessivamente pronado deve procurar um calçado mais estável.
 
O atleta somente deverá retornar à atividade esportiva quando apresentar AM e força totais no pé e no tornozelo e estiver sem dores ao realizar as atividades diárias mais simples. O atleta deve simular as atividades do seu esporte em ambientes menos exigentes, por exemplo, na piscina (…).
 
Amostra do retorno ao programa de corrida
 
Fase 1 – Caminhada leve por 30 minutos.
Fase 2 – Caminhar 5 minutos; correr moderadamente durante 1 minuto; caminhar 4 minutos (repetir 4 vezes); caminhar 5 minutos.
Fase 3 – Caminhar 5 minutos; correr moderadamente durante 2 minutos; caminhar 3 minutos (repetir 4 vezes); caminhar 5 minutos.
Fase 4 – Caminhar 5 minutos; correr moderadamente durante 3 minutos; caminhar 2 minutos (repetir 4 vezes); caminhar 5 minutos.
Fase 5 – Caminhar 5 minutos; correr moderadamente durante 4 minutos; caminhar 1 minuto (repetir 4 vezes); caminhar 5 minutos.
Fase 6 – Caminhar 5 minutos; correr moderadamente durante 20 minutos; caminhar 5 minutos.
 
Fonte: Canavan (2001)
 
Reabilitação após a liberação fascial
 
Recomenda-se que após a cirurgia seja colocado um gesso curto na perna do atleta, com sustentação do peso, durante duas semanas, para que ocorra a cicatrização do tecido. Nessa fase e logo após a retirada do gesso, o atleta pode realizar uma atividade alternativa a fim de manter a atividade cardiovascular. Quando o gesso for retirado, a primeira prioridade é a reaquisição da AM. O mais importante é a dorsiflexão do tornozelo, mas o alongamento do tendão de Aquiles ocorre imediatamente, juntamente com o alongamento suave da fáscia plantar e para os flexores e os extensores longos do dedo. A mobilização dos tecidos moles ao redor da incisão recuperada minimizará a contração desses tecidos (…).
 
Antes de voltar aos treinos rotineiros, o atleta deve evoluir nos exercícios de fortalecimento e de alongamento para as atividades mais funcionais. Essas atividades podem ser realizadas desde o começo, na piscina ou em minitrampolim. A maioria dos atletas volta a correr em cerca de 9 semanas e continua a melhorar em até 6 meses.
 
Bibliografia
 
CANAVAN, Paul K. Reabilitação em medicina esportiva: um guia abrangente. Editora Manole, 2001.
 
(1)   KIBLER, WB, GOLDBERG C, Chandler TJ. Functional biomechanical deficits in running athletes with plantar fasciitis. Am J Sports Med, 1991; 1
9:66-71.

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