Universidade do Futebol

CAAF

09/01/2013

O papel do líder no mundo do futebol

"O talento ganha jogos, mas o trabalho em equipe e inteligência vencem campeonatos"

(Michael Jordan)

Para discutirmos sobre o processo de liderança e o papel do líder no futebol, primeiramente precisamos definir o que é liderança. Sendo assim, liderar é, segundo James C. Hunter, é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir objetivos comuns, inspirando confiança por meio de força de caráter.

Para muitos, chefiar uma equipe e/ou liderar são sinônimos, porém segundo a literatura e as definições, chefe e líder são diferentes. Chefe é aquele que cria medo, enfatiza a culpa, tem o poder de conhecer tudo, torna o trabalho em um lugar desagradável e, principalmente, pensa somente nele próprio. Já o líder cria confiança, corrige enganos, realiza perguntas, torna o ambiente de trabalho interessante, além de expressar seu interesse na equipe.

O líder tem como característica não se acostumar com a situação atual e principalmente aprender com seus insucessos. Percebemos isso na fala e no exemplo de Michael Jordan em seu livro "Nunca deixe de tentar":

"Quando, no segundo ano do colégio, fui cortado do time principal, aprendi algo muito importante. Compreendi que nunca mais queria me sentir tão mal. Nunca mais queria experimentar aquele gosto amargo na boca, aquele buraco no estômago."

Outra característica é a capacidade de planejar o futuro e definir o objetivo de sua equipe de forma clara para seus jogadores ou companheiros de clube. Isso fica claro na frase do autor do livro "A estratégia do olho de Tigre", Zig Zaglar:

"Um objetivo definido corretamente já está 50% atingido."

Nessa sequência lógica, o líder tem de estar sempre disponível ao grupo, ou seja, o líder tem de aprender a ouvir cada um dos integrantes de seu grupo.

Porém, não podemos esquecer um aspecto que rege o mundo do futebol profissional, o alto rendimento, a necessidade de vencer, de obter o sucesso através do trabalho árduo. Nesse sentido Jordan fala que "sem o respaldo do desempenho e do trabalho duro, as palavras não significam nada".

Seguindo, a penúltima característica de um excelente líder é estar um passo a frente dentro do jogo. Com esta característica, podemos citar como exemplo José Mourinho, atual treinador do Real Madrid. Sobre o mesmo, Drogba, atacante da seleção de Costa do Marfim, afirmou: "No banco, ouvi-lo descrever o que ia acontecer de uma forma quase cirúrgica. Às vezes isso era quase inquietante. Como se ele pudesse prever o futuro."

A última característica do líder é que ele tem de unir a equipe e pensar na motivação dos mesmos e aliar aos objetivos do grupo, para conduzir os seguidores. Sobre isso, podemos observar o seguinte trecho: "O enfraquecimento de uma percepção global conduz ao enfraquecimento do sentido de responsabilidade, cada um tende apenas a ser responsável pela sua tarefa especializada, assim como conduz ao enfraquecimento de solidariedade, cada um deixa de entender o seu laço orgânico [com o grupo em que se está inserido](…). (Morin, 1999:19).

Por fim, destacamos que o líder no futebol tem de buscar melhoria e a reflexão sobre o seu trabalho e seus métodos utilizados, buscando inovações, mesmo que as mesmas apresentem rupturas de paradigmas. Essa ideia é resumida por Albert Einstein na frase "não se pode alcançar um novo objetivo pela aplicação do mesmo nível de pensamento que levou ao ponto em que se encontra hoje".

Referências bibliográficas:

Drogba, D. (2008) The autobiography. Londres: Aurum Press Ltd.

Hunter, James C. Como se tornar um líder servidor: os pricípios de liderança de o monge e o executivo. Rio de Janeiro : Sextante, 2006.

Jordan, Michael. Nunca deixe de tentar. Rio de Janeiro : Sextante, 2009.

Morin, E. (1999) Repensar a reforma – reformar o pensamento – a cabeça bem feita. Lisboa: Instituto Piaget.

Zaglar, Zig. Eu chego lá! Um guia otimista para vencer na vida. Rio de Janeiro : Record, 1990.

*Graduando em Ciências do Esporte na Unicamp, FCA- Limeira

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