Universidade do Futebol

Publif

10/06/2010

O papel dos ‘observadores técnicos’ nos clubes de futebol

Um dos mais recentes profissionais contratados para compor a equipe de trabalho de base dos clubes brasileiros são os denominados “experts” na detecção e seleção de novos talentos para as grandes agremiações. São os chamados “observadores técnicos”, mais conhecidos no meio esportivo como “olheiros”, responsáveis pela busca cada vez maior por craques para os times secundários.

Nestes casos, os clubes buscam contratar esse tipo de profissional para correr as grandes regiões e seleiros de grandes jogadores do país. São muitas vezes ex-atletas dos próprios clubes que passam a exercer essa função no departamento de base.

No entanto, a sua figura, o seu papel e a sua função como identificador de talentos leva a alguns questionamentos. De que competências devem dispor um observador? Como se baseiam tais competências? Qual deva ser ou não a sua qualificação? Ou, principalmente de quais critérios se baseiam os avaliadores na detecção do talento? Como deverá ser um processo de seleção de jovens atletas para o futebol de competição? Quais variáveis relevantes para determinar o futuro desempenho?

Como se vê, não faltam questões para se discutir sobre o papel e os critérios do campo de atuação do avaliador técnico. Além disso, é preciso entender a fundamentação teórica ou científica sobre os princípios e requisitos utilizados na avaliação de atletas. É indiscutível a importância do avaliador na tomada de decisão no processo de detecção de talentos para o futebol como um todo.

Ora, isso relembra o futebol com preocupação, atendendo ao nível de formação de muitos daqueles que o dirigem, organizam e o realizam.

Desta maneira, vale recorrer ao convite da prefigura sociedade pedagógica (Bento; Garcia; Graça, 1999): porque é inaceitável e é expressão de irracionalidade, de oportunismo e imoralidade a animosidade de muitos treinadores contra a formação, contra o conhecimento, contra as ideias.

A questão é que tal prognóstico de talentos, subjetivo e extremamente complexo que vem sendo realizado por treinadores, professores e avaliadores, tenha o respaldo de uma abordagem prática e científica, que não tem a intenção de substituir a importância dos “experts”, mas sim auxiliar sobremaneira na identificação e formação do talento futebolístico.

Portanto, devem ser elaboradas pesquisas fundamentadas nos critérios de detecção de talentos, em específico no futebol pela relevância cultural no país, por parte das equipes técnicas com referência aos aspectos do treinamento esportivo (bio-psico-sociais): desenvolver capacidades motoras e meios de avaliação e testes específicos; identificar variáveis relevantes e críticas; integrar pesquisadores com os técnicos (teoria e prática); pesquisar a forma dos programas de promoção e seleção de talentos; promover a capacitação e interação dos profissionais na área de formação e promoção de talentos esportivos.

A incerteza da avaliação e variedade de critérios são características do sistema de promoção de talentos. Mesmo o critério de surgimento de desempenho precoce é no máximo avaliado criticamente com um indicador fraco e tido também como o responsável por altas perdas de talentos futuros.

Essa incerteza do prognóstico junto a orientações práticas de ações tem resultados do conhecimento e da experiência, fundamentados na ciência, com significado prático, mediante sucessos em competição.

Vale lembrar que a detecção de talento está ligada diretamente ao processo de treinamento consciente, efetivo, planejado em longo prazo e organizado na integração da promoção do talento.

Nesse processo de desenvolvimento e mudança há a responsabilidade do observador técnico e da equipe de trabalho sob complexidades humanas e técnicas de alto grau de liberdade e quantidade ilimitada de variações com caráter indeterminado.

Essas são algumas das reflexões sobre o papel do observador técnico e seus procedimentos adotados na maneira de captar e formar novos talentos que revestem grande interesse para a investigação.

Bibliografia

Bento, J.; Garcia, R.; Graça, A.: Contextos da Pedagogia do Desporto – Perspectivas e Problemáticas. Livros Horizonte; Setembro, 1999.
 

*Fabrício Moreira, pós-graduado em futebol e professor do curso de especialização em futebol pela Universidade Federal de Viçosa – UFV é coordenador do grupo PUBLIF e autor do livro Futebol: Uma visão da iniciação esportiva. Atualmente é Gerente de Futebol do Olé Brasil Futebol Clube.

Comentários

  1. José Norberto Weber disse:

    Excelente. Trabalho

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