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10/09/2011

O Poder, a Sociedade e o Estado – O Poder no Desporto

O Poder, a Sociedade e o Estado – O Poder no Desporto, de autoria de Eduardo Augusto Viana da Silva, é uma obra cuja abordagem excede os limites da reflexão sobre o Desporto: é uma profunda investigação sobre o poder na sociedade e no Estado.

A abordagem teórica parte de uma arqueologia crítica das ideologias que subjazem a gênese do dualismo poder/dominação, oferecendo ao leitor uma reflexão propedêutica que antecede o tema principal: o poder no desporto. Porém, o que se observa da incursão que Eduardo Viana faz na Ciência Política, na Teoria do Estado e no Direito Constitucional, é uma busca incansável para extrair dessas fontes a explicação da dominação a partir de vertentes doutrinárias retiradas da história do pensamento humano.

As variantes justapostas e/ou contrapostas ao poder são facilmente perceptíveis quando as teorias políticas são dissecadas em autores clássicos como Platão e Aristóteles, e outros que impulsionaram a modernidade, como Maquiavel.

A cronologia didática referenciada para desvendar os bastidores do poder não se resume a uma narrativa exclusivamente descritiva: é uma explanação dialogal que interage com leitor, sem cristalizar dogmas nem positivar preconceitos.

A reflexão crítica da história e do pensamento político desaguará no poder no desporto, paixão que move a vida do autor, personalidade marcante no debate sobre o esporte no Brasil, principalmente do Futebol. A pre­sença do Estado no Desporto seguiu um processo contínuo de intervenção do Poder Público em áreas que são questionáveis para o autor, em razão da perda da autonomia das entidades desportivas, com sensível violação ao art. 217 da CF/88.

Repelir um modelo estatizante e autoritário que se firma a cada dia decorrente da intervenção estatal indevida nos Desportos e devolver às enti­dades desportivas a autonomia constitucional e a liberdade de associação e de expressão constituem as teses principais defendidas pelo autor.

O que mais me impressionou nesta obra, que se tornará clássica, tenho certeza, foi a paciência monástica do autor ao explorar as fontes bibliográficas sem redundar numa resenha assistemática, fazendo do tema desporto uma análise científica e ao mesmo tempo acessível aos incipientes.

No mais, é ler a obra e deixar que o leitor tire suas próprias conclusões.

M. M. Peixinho
Doutor em Direito Constitucional

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