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03/10/2017

O que é jogar bem?

Como devemos avaliar a qualidade de jogo de uma equipe dentro de um período ou dentro de uma partida?

Atualmente, é possível que o nível de conversas sobre futebol vem evoluindo na sociedade. Hoje, já é possível observar em programas esportivos diversos profissionais extremamente preparados para observar o jogo e debater os acontecimentos com um nível maior de complexidade, assim como já é possível ver pessoas “comuns” que vêm buscando cada vez mais detalhes e aprofundamento sobre o jogo em si para enriquecer suas conversas cotidianas. Em vários debates sobre futebol, em vários locais (até mesmo em profissionais de vários clubes quando vão falar publicamente) é comum escutarmos frases como: “Aquela equipe jogou bem”; “é preciso avaliar o desempenho se jogamos bem ou mau antes do resultado”; determinada equipe controlou o jogo e atuou muito bem dentro da partida, entre outras. Todas essas frases, buscam avaliar o jogo de uma equipe, mas todas elas têm uma questão mais profunda a ser explicada que é o que realmente importa para um time: O que é jogar bem? O que é ter o controle do jogo?

Toda equipe possui seu modelo de jogo, que nada mais é do que a forma como a equipe busca se organizar dentro dos cinco momentos do jogo: organização defensiva, transição defensiva, transição ofensiva, organização ofensiva e bolas paradas, de acordo com os princípios do jogo e respeitando diversas especificidades que dão identidade da equipe. Além da questão estratégica, que apesar de variar de acordo com o adversário e a partida em questão, caminha junto com o modelo de jogo da equipe. No Brasil, é comum pela cultura do país, dizer que joga-se bem quando a equipe busca atacar a todo momento, busca ataques construídos (ou ataques posicionais) na sua organização ofensiva, consegue jogadas de efeito plasticamente bonitas, tentando durante toda a partida ter a bola e agredir o adversário, assim como é comum dizer que as equipes estão muito melhores na partida quando tem a posse de bola, mesmo que isso não esteja representando perigo ao adversário.

Apesar de ser muito bonito plasticamente aos olhos da maioria quando as equipes buscam esse tipo de jogo, essa forma de buscar o jogo não significa necessariamente jogar bem, já que ela não garante certeza de qualidade no desempenho e, se tentada de forma incoerente com o processo de construção de sua identidade (modelo de jogo) e as características de seus jogadores, ela não vai passar na prática de algo desorganizado e confuso, que ficará extremamente frágil e exposto e sem nenhuma eficiência afastando, portanto, a equipe da vitória.

Jogar bem, é atuar de acordo com o  modelo de jogo da equipe, cumprindo aquilo que se foi estabelecido e treinado como a ideia de jogo para a própria equipe, além de respeitar também as eventuais questões estratégicas de cada partida.

Sendo assim, é possível por exemplo jogar bem com uma ideia de jogo que priorize o jogo mais reativo, que busque o jogar no erro do adversário, controlando os espaços sem a bola, e que prefira que o seu adversário tenha que sair para o jogo e tenha a posse de bola, caso seja essa a identidade e ideia da equipe, e a proposta estabelecida nos treinamentos. Ter o controle do jogo não está diretamente ligado a posse de bola e sim com a melhor execução da sua ideia de jogo em relação ao adversário.

Precisamos de maneira geral, entender que o jogar bem é diferente de jogar bonito. O jogar bonito está diretamente ligado ao gosto pessoal e a cultura de cada indivíduo e nem sempre garante a eficiência de uma equipe ou auxilia na busca por vencer uma partida. Jogar bem é algo que independe de gostos pessoais e está ligado a eficiência na execução de ideias treinadas e colocadas em prática dentro de uma partida.

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