Universidade do Futebol

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11/08/2007

O que é ser coordenador técnico no futebol

Os clubes ainda não adotaram em suas estruturas de Comissão Técnica o cargo de coordenador técnico. Há, é verdade, algumas experiências aqui, outras ali. Mas a função, tal qual acreditamos que seja necessária à evolução do futebol, ainda não está sendo cogitada pela grande maioria dos clubes.

A CBF, por exemplo, inclui em sua comissão técnica, desde 1992, a figura do chamado coordenador técnico. Mas pelas funções desempenhadas até aqui pelos profissionais que ocuparam este cargo (Zagallo, Zico, Antonio Lopes), podemos dizer que eles representam ou representaram muito mais um consultor técnico (exceção talvez ao papel do Zico que foi um pouco mais ampliado) do que verdadeiramente de um coordenador técnico.

Coordenação técnica é a função capaz de facilitar e fazer funcionar, na forma e no conteúdo, cada aspecto do trabalho técnico esportivo de maneira integrada (trabalho multidisciplinar, interdisciplinar ou transdisciplinar*), com uniformização de diretrizes e princípios, estimulando o desempenho e a produtividade de todos os envolvidos no complexo processo de funcionamento de um departamento de futebol ou de uma comissão técnica. Não podemos perder de vista que o objetivo final deve ser sempre a melhoria nos resultados da performance esportiva da equipe.

Em alguns casos, dependendo do perfil do profissional e do clube, pode-se estender estas funções técnicas às dimensões administrativas e, mesmo políticas, pois o coordenador técnico pode também fazer a interface com a direção do clube e os funcionários administrativos, facilitando o alcance de um rendimento ótimo sustentado e criando-se um canal de comunicação mais estreito entre direção, comissões técnicas (incluindo-se aqui as categorias de base), funcionários e atletas das diversas categorias.

Para exercer esta função, nova e complexa, nos clubes de futebol ou em seleções, o coordenador técnico deve, portanto, possuir alguns conhecimentos e qualificações especiais. Deve ter noções básicas a respeito de todas as áreas que coordena, sejam elas técnicas, de saúde, administrativas ou de serviços, sem que precise ser um especialista em qualquer uma delas.

Fundamental é que tenha uma vivência futebolística sólida, se possível uma formação de nível superior, e, sobretudo, que acompanhe permanentemente os avanços constantes das técnicas e ciências esportivas e administrativas. Além disso é indispensável que este profissional tenha também liderança, capacidade de avaliar situações com ponderação e equilíbrio, objetividade, eficiência e eficácia no conjunto de suas ações e, finalmente (mas não menos importante), capacidade de comunicação e relacionamento.

Sintetizaríamos que o trabalho do coordenador técnico envolve, basicamente, três níveis de atuação: 1) Planejamento das atividades voltadas para o alto rendimento esportivo; 2) Controle rigoroso, individual e coletivo, desse rendimento; 3) Melhoria permanente dos processos que conduzem ao alto rendimento esportivo.

Pode-se notar, concluindo, que não se trata de uma função fácil de se exercer. Entretanto, esta tarefa, na nossa maneira de ver, terá papel estratégico em um futuro não muito distante, uma vez que, gradativamente, o coordenador técnico deverá desempenhar atividades que hoje ainda são desempenhadas, inadequada e desajeitadamente, pelo treinador, cuja tarefa principal deveria ser a de liderar com competência o grupo de atletas, escalando seu time, decidindo sobre as melhores estratégias e táticas para se obter os melhores resultados dentro de campo, o que, diga-se de passagem, já é bastante coisa para se fazer.

(*) Para maiores detalhes sobre este assunto, consulte a Área Interdisciplinar

Comentários

  1. José Sinderlei Jorge de Lima disse:

    Gostei mto do resumo exposto. Sou graduando em Educação Física e quero me aperfeiçoar nesta área!

  2. Domingos Ferreira disse:

    Ótima explanação , objetiva. Desenvolvo essa função aqui no Comercial Futebol Clube de Tietê e gostaria muito de aprender sobre essa função.Troca de experiências e tudo o mais.

  3. EDILSON LUIS DE OLIVEIRA disse:

    Otimo, muito bem explicado.

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