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19/09/2015

O que nos pode ensinar os carreiros das formigas?

Conscientes da dimensão dos temas pedagógicos no desporto, a didática, na ocupação dos métodos e técnicas de ensino em geral ou do ensino de um determinado domínio, representa (igualmente), um dos ramos que a pedagogia tece. Apresentam-se a esse nível, cinco as questões: «O quê?; A quem?; Porquê?; Como? Resultados?», a ordem pouco importa, o caminho foca-se na conexão. As respostas encaixam (de forma sistematizada nos comportamentos de jogo),nas seguintes frase: «O quê? Os princípios fundamentais e específicos de jogo, integrados em sistema e modelo de jogo, nas diferentes fases; A quem? Ao grupo, individualizando quanto necessário; Resultados? Os da aprendizagem (em jogo, em avaliação autêntica), e não os resultados desportivos; O porquê? Pelos objetivos e metas inerente ao processo de preparação desportivo a longo prazo».

Os mais atentos identificam rapidamente a ausência do «Como?», alarguemos a resposta aos métodos e abordagens pedagógicas, com proveniente claro, da psicologia da aprendizagem. Apesar de muitas das práticas (visíveis em muitos treinos), encaixarem numa estagnação linear e analítica do exercício de treino, onde a especificidade não existe, as coisas evoluem cada vez mais! Vejamos então algum do percurso da teoria computacional à abordagem ecológica. Na abordagem cognitivista (computacional), a tomada de decisão e a ação é determinada pela comparação entre a informação que chega pelos órgãos sensoriais e a informação armazenada em memória sob forma de representações mentais (relação estimulo-resposta). Na abordagem ecológica, existe uma função basilar da informação percepcionada diretamente do ambiente. A totalidade da informação necessária para a ação está disponível no envolvimento e é percepcionada diretamente pelo atleta, tendo este com a sua ação uma influência direta na alteração da informação presente.

Na aprendizagem (processo) e na tradução (essa sim relevante) dos diferentes caminhos, a abordagem ecológica e a teoria dos sistemas dinâmicos (ou até mesmo a teoria do caos), foca-se na inabilidade de aceitar os dogmas, assim sendo, mais ou menos radicais, na imprevisibilidade. Não há situações mais ou menos reais, há sim, situações com as características especificas da ecológica da competição (mesmo no treino). Este facto tem alterado toda a forma de treinar, tanto na formação como na alta competição.

Uma coisa é certa, imaginem um caminho de formigas em que pedras são colocadas no seu carreiro. Conseguem aceitar que a coordenação observada (para novo equilíbrio), esteja programada como defende a teoria computacional? Como poderia a formiga possuir na sua memória tantas respostas (controladas por centros superiores)?

Agora imaginem duas equipas em confronto? Complexidade? Variabilidade? Constrangimentos (tarefa, envolvimento e praticante)? Graus de liberdade? Tomada de decisão? (…) Consideram possível, por um lado, possuir um centro superior que consiga conter representações internas e memorizadas de toda esta complexidade, e por outro, conduzir os estímulos a velocidade necessária as exigências do envolvimento? Sabemos que não. Sejam criativos na construção dos exercícios (na ideia de que a criatividade não surge do vazio mas sim das combinações úteis, da escolha). Deixem de treinar na ideia de que podem dar aos vossos praticantes a memorização superior de todas as situações, as jogadas estudas, o treino isolado do passe, remate (…), com perfeito transfere para o jogo.

A aprendizagem resulta da exploração dos graus de liberdade e constrangimentos na formação de sinergias cada vez mais eficientes e adaptadas ao longo do processo de formação, de repetição, erro, feedback e feedforward. Coloquem as pedras certas no caminho das formigas! 

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