Universidade do Futebol

Gepeef

03/05/2008

O sonho de jogar futebol: quem está preparado para cuidar dos jovens atletas?

Num país como o Brasil, com uma extensão territorial enorme, podemos identificar costumes, sotaques, brincadeiras, jogos diferentes em cada região, uma característica muito interessante e que enriquece todo acervo cultural brasileiro. Infelizmente, também é notória uma distribuição de renda extremamente injusta, onde comumente presenciamos famílias com dificuldades financeiras seriíssimas, beirando o estado de miséria, sem ter o que lhes é assegurado como direito do cidadão: saúde, educação, alimentação, transporte e moradia entre outros.

Devido a essa situação e no anseio de melhorar sua condição econômica, jovens, muitas vezes incentivados pelos pais ou motivados pelo sonho de se tornarem jogadores de futebol, percorrem times por todo país encontrando frequentemente locais sem as estruturas básicas de atendimentos, violando assim o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Para diminuir este tipo de abuso, foi realizada uma investigação em pelo menos cinco estados com o Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público dos Estados e Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE), a qual encontrou garotos integrantes das categorias de base de futebol sem freqüentar a escola, sem remuneração ou alojados em condições precárias, nos clubes de Minas Gerais.

Recentemente, mais um caso foi descoberto em Belo Horizonte, verificou-se que 20 adolescentes de 11 a 17 anos, vindo de vários estados brasileiros com a promessa de fazerem testes em clubes de São Paulo e Minas, estavam em dois alojamentos também em condições precárias, onde dormiam em colchonetes e recebiam alimentação uma vez ao dia.

Fatos como esse devem acontecer a todo o momento, meninos esperançosos e corajosos se distanciando de suas famílias em busca de um dia, talvez, se tornarem um ídolo do esporte. Mas, o que presenciamos são desilusões da maior parte desses aspirantes a jogadores, sobrando apenas frustrações e sentimentos de incapacidade, o que pode influenciar no decorrer da vida desses garotos. Por conta desta situação fica a pergunta: será que os clubes estão preparados para lidar com esses jovens? Quem é responsável pela fiscalização?

Com o futebol profissionalizado, os jogadores muitas vezes são tratados como um produto de compra e venda e os clubes se preocupam com o retorno financeiro proporcionado pelas transações comerciais ou com os títulos conquistados pela sua equipe. No entanto, durante a formação do atleta são esquecidos os fatores essenciais para a sua vida em sociedade: a construção de valores éticos, sociais e morais.

Os clubes devem oferecer uma estrutura não só de acomodação (descanso) e alimentação adequadas dando a oportunidade dos atletas se recuperarem do desgaste provocado pelo jogo ou treinamento, como também oportunizar a todos um sistema educacional consistente, formando um cidadão com possibilidades de escolher o seu caminho, seu futuro, seja por meio ou não do esporte.

Bibliografia

POVO, GAZETA. DO. Jovens que queriam jogar futebol são achados em condições precárias. Gazeta do Povo, 13 de março de 2008. Disponível em:
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/brasil/conteudo.phtml?id=746616. Acesso em: 14 de março de 2008.
PRÓMENINO. Ministério Público Investiga trabalho infantil em clubes de futebol. Fundação Telefonica, 29 de fevereiro de 2008. Disponível em: http://www.promenino.org.br/Ferramentas/Conteudo/tabid/77/ConteudoId/ae2e041a-ea66-460f-bbea-43f24f6ab0f4/Default.aspx. Acesso em: 14 de março de 2008.

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