Universidade do Futebol

Rodrigo Azevedo Leitão

29/06/2014

O tempo útil de bola em jogo: reflexões sobre a Copa do Mundo Fifa de futebol e o sobre o Campeonato Brasileiro 2014

A Copa do Mundo Fifa 2014 no Brasil está entrando em sua fase decisiva (8as de final).

São cinco equipes da América do Sul, duas da América do Norte, uma da América Central, duas da África e seis da Europa (Américas = 8, África = 2, Europa = 6).

Em 2010, na Copa realizada na África do Sul, na fase decisiva foram cinco da América do Sul, duas da América do Norte, uma da África, seis da Europa e duas da Ásia (Américas = 7, África = 1, Europa = 6, Ásia = 2).

Sob o ponto de vista da geografia das seleções que avançaram na competição, de 2010 para 2014, mantiveram-se seis europeus e cinco sul americanos. Em 2014 porém, nenhum asiático; um africano a mais e uma equipe da América Central.

Em outras palavras, houve uma troca entre equipes da Ásia, com as equipes da África e América Central.

Ainda em 2010, nas 4as de final, avançaram quatro equipes da América do Sul, três da Europa e uma da África.

Em 2014, meu palpite (nada científico, que fique claro), é que passem para as 4as de final, três seleções sul americanas, quatro europeias, além da Costa Rica, da América Central (vejamos ao longo da semana).

E mesmo com variedade de continentes, o fato é que a grande maioria dos jogadores que vão disputar as 8as de final da Copa do Mundo Fifa de futebol em 2014 (independente do continente de origem dos seus países), jogam na Europa – o que também aconteceu em 2010.

Bom, mas essa é uma boa discussão para outro momento.

Quero chamar a atenção hoje para outra coisa.

Apesar de algumas poucas similaridades, no que diz respeito especialmente as estatísticas entre a Copa anterior e essa (até agora), há um bom número de diferenças – e muitas delas explicam, de certa forma, muitos dos motivos que estão tornando a Copa do Mundo no Brasil, uma das mais interessantes, atrativas e emocionantes das últimas décadas.

E é especialmente sobre uma das diferenças, que hoje vou chamar a atenção: o tempo útil de bola em jogo nas partidas da Copa 2014.

Conforme podemos observar na figura anterior, na 1ª fase da Copa do Mundo Fifa no Brasil, em média por partida, foram 55,5 minutos de bola em jogo (dados disponibilizados pela Fifa).

Em 2010 na África do Sul, eram, também segundo a Fifa, 69,8 minutos.

A Fifa preconiza que em jogos oficiais de futebol o tempo útil de “bola rolando” seja de no mínimo 60 minutos – considerando ideal, um tempo de 70 minutos.

Esse tema (bola em jogo) vinha sendo inclusive, motivo de bons debates no Brasil desde o início do Campeonato Brasileiro de 2014 – já que os jogos não estavam atingindo o “tempo útil de bola em jogo” recomendado.

Esses debates deram origem a matérias interessantes, até a interrupção do Campeonato Brasileiro, para início da Copa do Mundo de futebol.

E é aí que algo está me chamando a atenção: o tempo útil de bola em jogo no Campeonato Brasileiro 2014, que vinha preocupando por estar abaixo da média recomendada, é quase igual ao da primeira fase da Copa do Mundo Fifa de 2014!

Segundo dados levantados pelo CieFut, a média de minutos com bola em jogo, por partida, até a 9ª rodada do brasileirão, ainda foi inferior a 56 minutos. E esse tempo, ainda que seja bem menor do que aquele encontrado na Copa da África do Sul (68,8 minutos) é quase o mesmo dos jogos da 1ª fase da Copa no Brasil (55,5 minutos).

E se no Campeonato Brasileiro 2014, as críticas para o baixo tempo de bola em jogo perseguiram a má qualidade técnica dos jogos, os campos com gramados de qualidade duvidosa e as equipes, tidas como mal organizadas, qual seria a explicação para o caso da Copa do Mundo FIFA disputada no Brasil?

Na Copa do Mundo, campos e gramados são padronizados, e em tese de excelente qualidade.

O mesmo vale para os jogadores e para as seleções.

Além do mais, comparada à competição na África do Sul, temos na Copa no Brasil, uma média maior de gols e um ritmo de jogo aparentemente maior também (especialmente se levarmos em conta que a quantidade de passes por jogo [em média] é hoje maior do que a da Copa anterior – 384 passes no Brasil, contra 353 na África do Sul em 2010).

Vale lembrar, que de certo modo, é consenso na imprensa especializada, que os jogos na Copa do Mundo no Brasil têm sido, em sua maioria, empolgantes e vistosos.

Então, nesse contexto, quatro perguntas merecem reflexão:

1) Por que o tempo útil de bola em jogo nas partidas da Copa do Mundo Fifa de futebol no Brasil, na 1ª fase, está abaixo do sugerido como adequado pela Fifa?

2) Por que o tempo útil de bola em jogo nas partidas do Campeonato Brasileiro de futebol, até aqui, está abaixo do sugerido como adequado pela Fifa?

3) Por que, aqui no Brasil, nos jogos da 1ª fase da Copa do Mundo Fifa, o tempo útil de bola em jogo foi parecido com o tempo útil apresentado nas partidas de 1ª divisão do Campeonato Brasileiro 2014?

4) Em havendo similaridades entre os tempos (como há), onde estão, nos jogos, as diferenças subjetivas e concretamente objetivas que tornam as partidas da Copa do Mundo, de certa forma mais atraentes do que as partidas do Campeonato Brasileiro?

Tenho algumas sugestões de respostas para as perguntas levantadas… Mas por agora, o que devemos, é explorar as reflexões… para ao final da Copa, e ao reinício do Campeonato Brasileiro 2014, retomarmos também essas discussões…

Por hoje é isso…

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