Universidade do Futebol

Gepeff

07/04/2009

Organização no planejamento de goleiros de futebol

Grande parte da graduação, o entendimento de se organizar para um treinamento ou uma aula é parte importante e uma das prioridades da matéria “Treinamento”. Mesmo assim, a duvida é o que colocar neste planejamento? 

Esta é a pergunta que vamos responder com este artigo, e claro, refletir o porquê de cada conteúdo, lembrando que este pensamento foi discutido no grupo de estudos Gepeff, desenvolvido na Faculdade Metropolitana de Campinas, e no Ceaf, desenvolvido no clube Paulínia Futebol Clube. Portanto, tentei assimilar o máximo de informação e criar algo para expandir nossos conhecimentos e experiências da prática e da teoria aplicada.

Como especialista em treinamento de goleiros, esta organização esta sendo pautada exclusivamente para os mesmos. Portanto, quando forem citados “atletas”, estou me referindo aos goleiros.
 
Procuro sempre declarar que o treinamento deve ser pensado em conjunto com a comissão técnica, de forma integrada, aplicando o conteúdo para um bem maior do grupo como um todo. 

A primeira grande área a se pensar não é a preparação física, a preparação técnica ou mesmo tática, e sim, o desenvolvimento do atleta que esta em suas mãos. Pensar em que fase sensível de desenvolvimento ele se encontra, pensar a formação dos atletas durante um processo de vários anos, sem deixar faltar fatores intrínsecos de aprendizagem desqualificando atletas em potencial. Sendo assim, é levar o atleta como pessoa e não só como atleta. Este pensamento minimiza erros de qualificação imediata.

Logo após este grupo, entramos na realidade de sua empresa, grande exemplo é o espaço físico, material adequado, método imposto, hierarquias, responsabilidades, metas e/ou obrigações.

Talvez este seja o ponto mais complicado, porque, por vezes, o resultado é tão importante (não podemos generalizar todos os clubes) que o processo fica de lado e seu planejamento seja quebrado completamente.

Goleiros! Todo goleiro tem sua especificidade e agora que podemos pensar o que trabalhar durante todos os anos de formação, é interessante pensar assim e ter um mínimo de treinadores especialistas desenvolvendo a mesma linguagem. Não podemos confundir linguagem com abordagem, o olhar de cada técnico é diferente, um grupo que discute o que pode ou esta fazendo para atingir seus objetivos é perfeito para a formação.

Uma dessas especificidades são as competências essenciais do goleiro, ou seja, o que o goleiro não pode deixar de possuir. Primeiramente, estou tentado quebrar o paradigma de que o goleiro só joga defensivamente e que é feito só para defender. Pelo contrário, o goleiro é uma “válvula de escape” (Erick André Martins defende muito este pensamento, um dos autores do grupo Ceaf). O atleta deve se posicionar para receber a bola em uma zona confortante e passar ou progredir com a bola até o momento da equipe sair da pressão exercida pelo adversário.

Para esta teoria de competências essenciais, devemos classificar da seguinte forma: estruturação de espaço, comunicação das ações, e relação com a bola, enfatizando as quatro grandes áreas do futebol (parte física, parte técnica, parte tática e emocional especificas da posição, lembrado que dependendo do seu objetivo e método, estas especificidades podem aparecer juntas ou separadas).

A estruturação de espaço é a ação organizada em um espaço que o atleta trabalha coletivamente e individualmente, podendo induzir o adversário para um local especifico, ou seja, é a estratégia de como você vai trabalhar para que sua tática ofensiva ou defensiva seja superior, causando a recuperação da bola ou a finalização ao alvo.

Comunicação da ação pode ser entendida como: se comunicar para que a estruturação da equipe esteja correta. Não é necessariamente uma comunicação verbal. Por vezes, um atleta (jogador de linha, neste caso) sabe que sua posição está preenchida por um outro e ele deve cobrir a posição do companheiro que está na posição dele. 

Relação com a bola é a técnica propriamente dita. Não podemos deixar de citar que, individualmente, o goleiro deve ser bem afinado nesta competência e desenvolver todas as habilidades citadas abaixo.

  • Habilidades defensivas
 
  • Tipos de defesa
     
 
  • Ações defensivas
 
  • Habilidades técnicas sem queda sem deslocamento
 
  • Habilidades técnicas sem queda com deslocamento
 
  • Habilidades técnicas com queda sem deslocamento
 
  • Habilidades técnicas com queda com deslocamento
 
 
 
  • Trajetória da bola
  • Rasteira
  • Pingando
  • Meia altura
  • Aérea
 
  • Habilidades ofensivas
 
  • Reposição de bola com os pés e com as mãos.
     
Grande observação é que a relação com a bola deve ser apresentada para todas as categorias, independente da idade. Ainda existe mais detalhamento das habilidades citadas, mas este artigo é para o planejamento e não para estas especificidades.

Em uma camada mais profunda do planejamento, devemos citar também as competências fundamentais que se baseiam em princípios adotados pela comissão técnica, os quais formarão um pensamento comum ao grupo. São os meios táticos desenvolvidos individualmente, em grupo ou coletivamente, para e junto com as competências essências a serem desenvolvidas de forma eficiente.

As competências fundamentais se desenvolvem em dois grupos: nos princípios operacionais de ataque e nos princípios operacionais de defesa Ambos acontecem ao mesmo tempo, portanto, enquanto o seu time ataca, a defesa está se estruturando para recuperar ou conter a bola.

Com os princípios operacionais já esclarecidos e dando suporte nas plataformas de jogo, devemos pensar nos meios táticos treináveis para o grupo. Este pensamento deve ir de encontro ao pensamento do técnico da equipe, dividido em: meios táticos defensivos, ofensivos, meios táticos de transição defensiva e meios táticos de transição ofensiva. 

Ainda existem outras duas partes para completar o planejamento, sendo elas competências específicas e competências contextuais. A competência específica trata da manipulação de atividades. Hoje, no Paulínia Futebol Clube, essas atividades são realizadas em contexto de jogo, em todas as competências, para podermos simular situações de jogo formal, sem especificar o campeonato ou o jogo do fim de semana. O pensamento é passar para o grupo como fazer e porque fazer.

Já a competência contextual é o desenvolvimento dos treinos para o campeonato, objetivando o ponto forte da equipe ou mesmo como jogar aproveitando os pontos fracos do adversário. Claro que o processo fará com que este momento contextual seja melhor aproveitado.

Por fim, devemos pensar no processo. Será que podemos ensinar tudo de uma só vez para os atletas? Ou mesmo, será que meu grupo está preparado para tal conteúdo ou devo me policiar de como vou intervir para que este conteúdo seja familiarizado por todos?

Aí está a inquietação treinadores! Todo este trabalho se desenvolve no Paulínia Futebol Clube há quatro anos, claro que com maior profundidade e agora está sendo discutido no Gepeff, um dos grupos da Metrocamp que está inquieto com este pensamento e descobrindo novas formas de se planejar.

*1Graduando na Faculdade Metropolitana de Campinas – METROCAMP – Participante do Grupo de Estudo e Pesquisa em Futebol e Futsal – GEPEFF – Metrocamp, Campinas – SP.

*2Professor Metrocamp e Unipinhal. Coordenador do Grupo de Estudo e Pesquisa em Futebol e Futsal – GEPEFF – Metrocamp, Campinas – SP.

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