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08/11/2012

Os clubes pequenos do Rio de Janeiro

No artigo imediatamente anterior a este, escrevi que o Campeonato Carioca de Futebol deveria ser, na verdade, o Campeonato da Liga Carioca de Futebol, composta de seis clubes fixos: América, Bangu, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama.

Escrevi, também, que o Campeonato da Liga Carioca de Clubes deveria ser disputado somente por esses seis clubes, os grande do Estado do Rio de Janeiro.

 

Escrevi, ainda, que a disputa deveria ser confinada a 13 datas, ou rodadas, ao invés das 21 atuais.

Para que não haja ruído na interpretação do que proponho, gostaria de esclarecer que concebo duas soluções possíveis para os Campeonatos Estaduais em geral, a saber:

a) Os clubes grandes (os que jogam o Campeonato Brasileiro, em alguma de suas três divisões principais) não o disputam. Assim, os Campeonatos Estaduais ficam destinados ao clubes pequenos, correndo paralelamente ao Brasileirão.

b) Os grandes clubes o disputam, mas consumindo menos datas que atualmente. Assim, reduz-se de 23 para 13 as datas, ou rodadas, para sua disputa, com enxugamento do número de clubes.

Simpatizo mais com a primeira solução, mas proponho a segunda, por considerá-la mais viável de implementação.

Então, para muitos, sou considerado elitista, preconceituoso, interessado em prejudicar os pequenos clubes. Na visão simplista de alguns, ao propor o “Cariocão” com seis clubes, “viro as costas aos clubes pequenos”.

Gostaria de responder: não sou contra os clubes pequenos, apenas acho que os clubes pequenos devem sobreviver através de seus próprios méritos, e não sendo sustentados pelos clubes grandes. Fora raras exceções, grandes devem jogar contra grandes, e pequenos, contra pequenos, visando tornarem-se grandes pelas “próprias pernas”, e não obrigando os grandes a jogarem deficitários torneios, para subvencioná-los.

O que um clube pequeno de futebol precisa? De três proposições:

• Um calendário que os mantenha em atividade durante toda uma temporada anual, ao invés de jogarem apenas cerca de três meses por ano, como acontece atualmente.

• Mecanismos para, de acordo com méritos próprios, poderem ascender de divisão no Brasileirão.

• Uma competição que permita que tenham a chance de, conforme méritos obtidos, disputar uma vaga na Libertadores, chamada Copa do Brasil.

A terceira dessas proposições já existe. As outras duas, são perfeitamente factíveis de serem obtidas, conforme demonstro em meu livro “Futebol Brasileiro: Um Novo Projeto de Calendário”.

Agora, o que não é possível é submeter os grandes clubes – devedores de milhões, com despesas altíssimas e necessidades de investimentos e, por isso mesmo, carecidos de receitas – a disputarem deficitárias competições, comprometendo ainda mais a sua já combalida saúde financeira.

Um clube pequeno deve aspirar ser grande, e não aspirar ser sustentado pelos grandes.

 

* Luis Filipe Chateaubriand é autor do livro “Futebol Brasileiro: Um Novo Projeto de Calendário”.


Leia mais:
Entrevista: Luis Filipe Chateaubriand – Parte 1
Entrevista: Luis Filipe Chateaubriand – Parte 2
Um calendário para o Campeonato Brasileiro de futebol

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