Universidade do Futebol

Gepeef

03/03/2008

Os futuros talentos esportivos estão nas aulas de educação física. Mas quem são eles?

Em todos os esportes, sejam eles coletivos ou individuais, normalmente, existe a procura por crianças que demonstrem principalmente capacidades físicas e habilidades diferenciadas, e com isso, grande perspectiva de se tornarem atletas profissionais. Alguns serão escolhidos por meio de processos seletivos realizados nos clubes e outros por indicação de amigos, professores de educação física ou pessoas influentes dentro de um determinado ambiente esportivo.

Esse processo de identificação é um dos grandes dilemas da atualidade, no qual cabem estudos aprofundados com o intuito de não perder futuros potenciais atletas devido a falhas nos critérios utilizados.

Para Barbanti (2005), um ponto importante a ser observado é a tradicional divisão por idades, pois uma criança pode apresentar uma variação de até três anos no desenvolvimento físico. Por isso, são comuns casos de crianças que se destacam em uma faixa etária devido ao desenvolvimento diferenciado em relação aos colegas, e que, no processo natural de mudança de categoria, no qual as capacidades físicas estão mais equiparadas, não mantém aquela superioridade apresentada na fase anterior.

No futebol as chamadas “peneiras” são realizadas não só para selecionar garotos para serem treinados, mas também como fonte de captação de recursos. No entanto, infelizmente, por falta de competência administrativa dos mesmos, nem sempre, há um planejamento de longo prazo consistente e delineado que, com a venda de jogadores, após a profissionalização, possibilite um retorno financeiro suficiente para suprir os investimentos aplicados na formação dos atletas.

No mesmo sentindo, as famílias dessas crianças almejam um futuro financeiro melhor a partir do “sucesso” tão sonhado para seus filhos no ambiente esportivo do futebol, pois em um país em que as diferenças sociais são gritantes, com uma distribuição de renda extremamente injusta, uma “válvula de escape” para uma possível mudança social é o esporte, especialmente o futebol que é recheado de historias de superação e aumento considerável de poder aquisitivo, apresentado pela mídia.

Uma proposta diferente dos métodos tradicionais de detecção de talentos esportivos é o Projeto Descoberta do Talento Esportivo ocorrido em 2006, uma parceria do Ministério dos Esportes e do governo de Estado de Mato Grosso do Sul, por meio das secretarias de Educação (SED) e de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel). Os alunos de 20 escolas estaduais de Campo Grande, foram submetidos a um processo de identificação de potenciais talentos para o esporte, por meio de nove testes de aptidão física.

Os alunos que apresentam talento para qualquer modalidade esportiva, serão cadastrados em um Banco de Talentos, do Ministério do Esporte. Este banco fica disponível no site do Ministério para ser consultado por entidade de esportes competitivos. Além disso, os alunos com talento para o tênis, futsal, atletismo e ginástica olímpica serão integrados ao Programa Estadual de Formação de Profissionais e Atendimento aos Alunos com Altas Habilidades/Superdotação, desenvolvido pela SED. Dentro do programa esses alunos receberão apoio e treinamento para que possam desenvolver suas potencialidades para o esporte.

Não se sabe se este projeto é o mais adequado para identificação de jovens talentos, mas, não se pode negar que no ambiente escolar nos deparamos com alunos diferenciados durante a prática de alguns esportes, principalmente o futebol, que no país é o esporte mais praticado. Até por essa influência cultural, algumas crianças apresentam extrema facilidade na pratica do futebol, não sendo mais desenvolvido devido à falta de oportunidades e incentivos.

A escola é um celeiro de jovens talentosos, portanto, caberia um projeto específico governamental ou privado para que potenciais não sejam perdidos e que não dependa apenas da boa vontade do professor para encaminhá-los a clubes ou escolinhas de esportes. É evidente que a proposta da educação física escolar não é e nem deve ser formar para o esporte profissional, só que fechar os olhos para futuros atletas não seria a melhor atitude, pois certamente estas pessoas freqüentam a escola e, conseqüentemente, as aulas de educação física.

Bibliografia

BARBANTI, VALDIR J. Formação de esportistas. Editora Manole, 2005.
ALVES, VIVIAN DE CASTRO. Testes em 20 escolas estaduais destacam talentos esportivos. Sed, Mato Grosso do Sul , 20 abril 2006. Disponível em: http://www.sed.ms.gov.br/index.php?templat=vis&site=98&id_comp=213&id_reg=1712&voltar=lista&site_reg=98&id_comp_orig=213. Acesso em: 02 de novembro de 2007.

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