Universidade do Futebol

Ciefut

04/06/2014

Os Padrões das Grandes Seleções na Copa das Confederações 2013: o Passe, a Finalização e o Gol (Parte 3)

“O futebol não é um esporte de posse de bola.
É um jogo de gestão de constantes perdas de bola”
(Anderson e Sally in Os Números do Jogo, 2013, p. 141)

Neste terceiro artigo sobre a Copa das Confederações, o objetivo é relacionar duas ações técnicas fundamentais do jogo, como o passe (Parte 1) e a finalização (Parte 2) com a capacidade de atingir o objetivo principal, marcar o gol. Novamente, os números nos fornecem informações sobre alguns padrões, índice de produtividade e preferências das quatro seleções finalistas.


 Figura 1 – Relação entre Passes (Total) e Finalizações

 

A Itália foi a seleção que mais precisou passar a bola para gerar uma finalização (1 finalização a cada 42,5 passes). As outras três seleções mantiveram uma relação entre o total de passes e o total de finalizações muito próximo. Quando o total de passes foi relativizado com as finalizações certas, Brasil e Uruguai tiveram índices muito próximos, a relação da seleção italiana se manteve como a mais alta e a Espanha foi a seleção que mais elevou sua relação (precisou de 78,2 passes para finalizar em gol uma jogada).

Sendo a ação de finalização da jogada a forma mais comum de marcar gols, as equipes têm (ou deveriam ter) como base de sua idéia de jogo construir muitas situações de finalização, de um determinado tipo (qual seria?), de maneira que seus jogadores tivessem muitas oportunidades vantajosas de concretizá-las em gol(s).

Figura 2 – Relação entre Passes (Certos) e Finalizações

 

A relação dos passes certos com o total de finalizações apresenta médias consideravelmente próximas entre as quatro seleções. Na relação com as finalizações certas, as seleções europeias apresentam médias muito mais altas do que as seleções sul-americanas. Na comparação em questão pode-se atribuir essa diferença ao tipo de jogo, à preferência por determinado padrão de sequência ofensiva e também pela competência de seus definidores.

Há uma grande diferença entre finalizar e finalizar no gol (considerada a finalização certa). Geralmente a finalização no gol é produto de uma sequência ofensiva (produção coletiva) que proporciona uma última ação de definição em circunstâncias vantajosas (pressão de tempo e espaço ideal, posição corporal do definidor, etc.) e/ou mérito individual de um jogador (produção individual) que crie esse cenário favorável. Ambas produções, coletiva e individual, acontecem complexamente em paralelo, com predominância de uma ou outra dependendo da circunstância.

Figura 3 – Relação entre Finalizações (Total e Certas) e Gols

Na figura 3, está descrita a produtividade ofensiva das equipes. Ao relacionar o total de finalizações com as finalizações certas, observa-se a capacidade das seleções em transformar uma finalização em uma finalização no gol, com as exigências já descritas acima. O Brasil foi mais eficiente nesse quesito enquanto a Espanha foi a menos eficiente, mesmo sendo a seleção que mais finalizou nessa competição.

Figura 4 – Relação entre Passes (Total e Certos) e Gols

 

Nas figuras 3 e 4, as relações mostram que a seleção uruguaia é aquela que com um menor número de ações técnicas de passe e finalização faz gols. Com exceção da relação das finalizações certas com os gols em que tem um índice maior que o da Espanha, em todas as outras relações (total de finalizações e passes e passes certos), o Uruguai detém os menores índices relativos. Dessa forma, pode-se supor que a seleção uruguaia ou é mais econômica em suas sequências ofensivas ou por opção, ou como consequência das alternativas individuais / coletivas que estão disponíveis. Porém, ter relações mais baixas em grande parte das variáveis apresentadas não foi suficiente para impedir que o Uruguai tivesse a pior classificação entre as quatro seleções semifinalistas. Essa seleção não cumpriu com o objetivo do jogo (fazer mais gols que o adversário) em seus jogos, porque segundo a lógica do jogo a equipe deve buscar “fazer com que a bola entre na meta adversária, com o menor número de ações possível” (Leitão, 2009, p. 54), portanto ela atendeu apenas à segunda parte do conceito. Os dados são relativos a duas partidas por seleção, para que sejam observados padrões. A efetividade que potencializa vitórias está ligada à capacidade de ser circunstancial no cumprimento da lógica, ser efetivo / econômico a cada ação, a cada partida. Afinal, em sistemas complexos, não lineares, caóticos, pode apenas potencializar resultados, jamais garanti-los.

 

Referências Bibliográficas

Anderson, C. e Sally, D. Os números do jogo: por que tudo o que você sabe sobre futebol está errado. Tradução: André Fontenelle. São Paulo, 2013.

FIFA. Disponível em: http://pt.fifa.com/confederationscup/statistics/index.htm. Acesso em: 05/07/2013.

Leitão, R.A.A. O jogo de futebol: investigação de sua estrutura, de seus modelos e da inteligência de jogo, do ponto de vista da complexidade. Tese de Doutorado em Educação Física. Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). 2009. Campinas. 2009.
 

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