Os pontapés iniciais da temporada

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Idealizamos um futebol melhor. Mais belo, mais ético, mais organizado, mais atrativo e mais profissional. O produto atual, no entanto, é um resultado global de como a modalidade tem sido gerenciada, pensada e, mais tecnicamente, treinada. Em síntese, distante do ideal.

Muitos queriam um tempo maior de preparação para a temporada, mas o fato é que a avalanche dos campeonatos estaduais já começou e a velocidade das informações noticiadas pela mídia esportiva nos configura um cenário pessimista, com retratos e ideias excessivamente presos ao passado; mas que gradativamente divide o espaço com outro cenário (desta vez otimista), com discursos relevantes, críticos e que permitem uma projeção de esperança ao futebol brasileiro.

Em relação ao primeiro cenário, podemos apontar os seguintes exemplos:

Na busca por uma visão mais complexa do jogo, ouvir de um técnico consagrado no futebol nacional que é mais fácil construir uma maneira “diferente” de jogar num clube sem expressão, pois a pressão é menor, conota-se um contrassenso. Nas grandes equipes do país, composta pelos melhores jogadores e melhores treinadores, não estão também os melhores recursos, aliados ao poder da marca e das imensas torcidas, para emergirem elementos e conceitos do futebol moderno?

Com cada vez mais informações relativas à análise global do desempenho, é inconcebível a justificativa de uma derrota à preparação física. Alguns dias depois, sem tempo para treinos e grandes mudanças, uma goleada facilmente apaga a derrota anterior e surpreendentemente a preparação física não é mais lembrada.

Recentemente, um defensor contratado por uma das principais equipes do país se caracterizou como um rebatedor. Um zagueiro-zagueiro. Esta definição ruma na contramão dos princípios do futebol total, da inteireza do jogo e do jogador quanto a sua participação individual e coletiva no sistema em todos os momentos do jogo.

Será impossível formar (já que é mais difícil contratar) um zagueiro-zagueiro que seja bom no 1×1 defensivo, em bolas aéreas, tenha boa recuperação, boa cobertura, boa antecipação, bom posicionamento, mas que, com bola, saiba fazer outra ação que não rebatê-la?

Paralelamente a estes discursos, surgem outros, como mencionado, mais otimistas:

Um grande técnico do nosso país afirma (não é o primeiro) que falta atualização aos nossos treinadores. Para ele, assim como o médico deve se atualizar para não ficar ultrapassado, o treinador deve fazer o mesmo para que suas equipes não fiquem para trás. Este mesmo treinador contou que, em visitas à Europa, teve ciência da necessidade (e importância) da formação para dirigir as principais equipes do futebol mundial.

Outro grande técnico do nosso futebol nos brindou com um ótimo ponto de vista: escreveu para a Universidade do Futebol e afirmou sobre a urgência dos treinadores brasileiros serem cobrados por parâmetros de jogo distintos dos apresentados atualmente. Para ele, esta é a saída para que observemos um jogo menos individualizado, de “correria” e com desespero mental.

Para concluir, com o término da Copa-SP tivemos a definição de melhor jogador do torneio: o volante-volante Lucas Otávio. Marcador, aguerrido, com bom desarme, cobertura e posicionamento. Com bola, Lucas Otávio pisa no campo de ataque, ultrapassa, lança, finaliza, troca de posição e joga numa velocidade complexa (física-técnica-tática-mental) acima da média dos jogadores de sua idade. A sua escolha como melhor jogador da competição dá mostras de que volantes não precisam ter mais de 1,80m e que a análise atual sobre o que é jogar bem futebol também chegou ao Brasil.

Os exemplos estão à nossa frente. Que saibamos quais iremos seguir…

Obrigado Nicolau e Bruno pelas sugestões!

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