Universidade do Futebol

Entrevistas

02/03/2007

Oscar Razuk, dentista e pesquisador

Um jogador tem dores de cabeça e seu rendimento começa a cair em campo. O motivo: ele está com infecção dentária. Essa infecção, se não for corretamente tratada, pode ocasionar até problemas cardíacos no futuro e complicar a carreira do atleta. A relação pode parecer extremamente distante, mas o cuidado bucal é determinante para que um esportista consiga manter seu nível de desempenho.
 
É por causa disso que a presença de um dentista é tão importante para as comissões técnicas. Atuando em conjunto com médico e treinador, esse profissional tem a função de avaliar os atletas e fazer um acompanhamento a fim de evitar problemas dentários.
 
A atuação do dentista no futebol, contudo, não se limita a isso. Devido à pressão e à carga emocional que esse esporte propiciam, o dentista precisa cuidar para que os atletas não ranjam demais os dentes e prejudiquem a mordida.
 
Além disso, a mudança de cenário do futebol atual tornou o jogo mais veloz e os choques mais constantes. Assim, surgiram as placas de proteção bucal. Inicialmente, esse objeto foi adaptado do boxe para o futebol e causou problemas como a dificuldade de comunicação. Agora, porém, já existe um modelo feito em consultório e que se adapta com perfeição à boca do jogador.
 
“Num esporte de tanto contato quanto o futebol, é importante o atleta ter uma forma de evitar uma complicação dentária. A placa não elimina o impacto, mas diminui consideravelmente o problema”, contou o dentista Oscar Razuk, que tem mais de 20 anos de atuação nessa área e pesquisa desde 1988 formas de agilizar o tratamento odontológico extenso com a preservação de sua qualidade.
 
Atualmente, Razuk ministra por todo o país o curso “Tratamentos odontológicos rápidos – criando a excelência com otimização de procedimentos”. Especialista em odontologia estética, o dentista falou com exclusividade à Cidade do Futebol sobre a atuação de sua área no futebol moderno.
 
“As coisas mais comuns com relação à manutenção periódica são o tratamento de tártaro e de filme biológico, que é a chamada placa bacteriana. Essas coisas podem causar uma inflamação e a conseqüência da inflamação é uma queda no rendimento do atleta. Portanto, é fundamental o acompanhamento periódico”, estabeleceu Razuk.
 
Cidade do Futebol – Quais são os tipos de proteção dentária que podem ser utilizadas por jogadores de futebol? A única alternativa é aquela placa comum em lutadores de boxe?
Oscar Razuk – Atualmente, existem dois modelos diferentes de placas para a proteção da boca do atleta. Eles podem usar a placa de boxeador, que é grande e de borracha. Nesse caso, ele coloca água quente para deixar a placa mais mole e moldá-la na boca. Mas o atleta também pode recorrer à proteção que é feita em consultório, com molde exato da boca, que se adapta melhor à estrutura dele.
 
Cidade do Futebol – E até que ponto essas proteções são eficazes?
Oscar Razuk – Elas são colocadas na boca e amortizam o choque. Num esporte de tanto contato quanto o futebol, é importante o atleta ter uma forma de evitar uma complicação dentária. A placa não elimina o impacto, mas diminui consideravelmente o problema. Como o futebol se trata de uma modalidade que possibilita várias formas de contato, que pode ser desde uma bolada até uma cotovelada, é importante o jogador minimizar esses problemas.
 
Cidade do Futebol – Jogadores que usam aparelho ortodôntico têm uma necessidade maior de atuar com uma placa de proteção?
Oscar Razuk – Sem dúvida, o aparelho aumenta o risco de uma lesão. Por isso, a presença da placa é importante para evitar que o atleta tenha uma complicação no futuro. O jogador não deve deixar de usar o aparelho apenas por causa da profissão, mas precisa saber que isso vai exigir cuidados diferenciados.
 
Cidade do Futebol – Se é assim, por que as placas de proteção ainda não se tornaram um utensílio constante na rotina dos jogadores?
Oscar Razuk – O que acontece é que a placa do estilo boxeador, que é a mais difundida, é grande e prejudica o atleta na hora de falar. Como o futebol é um esporte em que todo mundo orienta e fala a todo instante, ela acaba incomodando demais. A placa feita em consultório é menor e possibilita ao atleta uma mobilidade maior. Com ela, é possível se proteger sem prejudicar na hora de falar.
 
Cidade do Futebol – A proteção da boca é a única utilidade para a placa?
Oscar Razuk – Não. Ela também funciona em casos de bruxismo, que são comuns em um ambiente de tensão emocional tão presente quanto o futebol. Alguns atletas, diante da cobrança externa e da carga psicológica de um jogo, acabam rangendo os dentes e isso é muito prejudicial. Com a placa entre os dentes, há uma estabilização desse movimento lateral e o risco de desgaste diminui.
 
Cidade do Futebol – Além da proteção, qual é a atuação de um dentista em uma comissão técnica? Como isso é trabalhado no dia-a-dia dos atletas?
Oscar Razuk – As coisas mais comuns com relação à manutenção periódica são o tratamento de tártaro e de filme biológico, que é a chamada placa bacteriana. Essas coisas podem causar uma inflamação e a conseqüência da inflamação é uma queda no rendimento do atleta. Portanto, é fundamental o acompanhamento periódico.
 
Cidade do Futebol – Qual é a freqüência ideal de contato dos atletas com o dentista?
Oscar Razuk – O normal é de seis em seis meses, mas é preciso que seja feita uma avaliação com esses atletas em alguns momentos cruciais. Antes do início ou de uma final de competição, por exemplo, é recomendável que os atletas sejam analisados. Se isso for feito rigorosamente, dificilmente haverá uma queda de performance em função de um problema dentário.
 
Cidade do Futebol – Quais são os fatores que podem causar essa queda de performance?
Oscar Razuk – Além do tártaro e do filme biológico que eu já citei, isso pode acontecer por conta de uma cárie, um canal mal tratado ou uma infiltração em uma restauração antiga, por exemplo. Esses problemas podem acarretar em infecções, e as infecções acabam prejudicando o atleta. Uma infecção muito antiga e mal tratada pode até causar problemas no coração. Isso serve para mostrar que todas as coisas estão interligadas e que o tratamento precisa ser feito de uma forma global.
 
Cidade do Futebol – No dia-a-dia do atleta, quais são os principais sintomas de uma infecção como essa?
Oscar Razuk – Ele pode sentir tonturas, dor na cabeça, indigestão e uma disfunção moderada. Às vezes, pode até demorar a descobrir, mas a dor na cabeça tem ligação com o problema nos dentes. Também pode acontecer uma inflamação gengival, que diminui a resistência e facilita o ataque de bactérias no setor.
 
Cidade do Futebol – Com tantas funções, é fundamental a presença de um dentista durante todo o dia nos clubes de futebol ou ele pode aparecer apenas quando os atletas precisarem de tratamento?
Oscar Razuk – A realidade varia de acordo com a instituição. Em alguns clubes, a atuação do dentista acontece no dia-a-dia e o profissional fica sempre à disposição. Outras organizações preferem apenas ter um profissional a quem recorrer. Isso, é claro, sem falar nas situações de emergência.
 
Cidade do Futebol – O dentista precisa trabalhar em contato com o restante da comissão técnica ou deve ter autonomia total?
Oscar Razuk – De forma alguma. A perspectiva precisa ser totalmente multidisciplinar e um profissional precisa ter um contato direto com os outros, até para ter um maior conhecimento sobre o atleta. O treinador ou o médico podem perceber um baixo rendimento, por exemplo, e ver que a razão daquilo é uma infecção dentária.

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