Universidade do Futebol

Entrevistas

15/11/2013

Osny Oliveira, prep. de goleiros da base do São Paulo

Já se foi o tempo em que as ações de um goleiro em um jogo de futebol se limitavam às defesas realizadas debaixo das traves. Atualmente, o jogador desta posição ganhou novas exigências que precisam ser trabalhadas desde o início da sua formação para que, quando o mesmo chegue ao profissional, o índice de erros seja o menor possível.

Saídas do gol, jogar com os pés, cobertura defensiva, reposição de bola, iniciação ofensiva, estímulos que os preparadores de goleiros precisaram introduzir nos seus trabalhos diários para conseguirem formar talentos também nesta posição apontada como a mais ingrata deste esporte.

Osny Oliveira, apesar da pouca experiência, já é um destes profissionais do futebol brasileiro que têm o conhecimento da atual importância da inserção dos goleiros no jogo coletivo da equipe e direcionam o trabalho de formação dos futuros camisas 1 a estas novas funções dentro de campo.

Bacharel em Esporte pela USP em 2000, o preparador de goleiros das categorias sub-11 e sub-13 do São Paulo Futebol Clube trabalhou apenas com o esporte universitário e escolinhas de futebol antes de começar o seu trabalho no centro de treinamento em Cotia.

Mesmo assim, Osny Oliveira já sabe apontar os principais problemas dos processos de desenvolvimento de novos goleiros no Brasil e mostrar como os erros cometidos na iniciação repercutem até a categoria profissional.

"Temos de tirar os nossos goleiros de baixo das traves. Essas escolinhas de goleiro deixam o menino muito em cima da linha, com medo de tomar gol de cobertura. Mas, se os profissionais tomam gol de cobertura, porque eles também não podem levar? Com este cenário, eles perdem a chance de aprendizagem. Muitos dos nossos goleiros têm dificuldades de bolas aéreas justamente devido a essa má formação. Isso provoca um bloqueio no jogador até o fim da sua carreira", afirma o especialista, em entrevista exclusiva à Universidade do Futebol.

Oliveira acrescenta ainda que há outros equívocos cometidos nas categorias de base do futebol brasileiro que precisam ser revistos. Um deles, diz o preparador, é a grande carga de trabalhos físicos que são aplicados nos jovens arqueiros. Para ele, a precocidade pode até existir na formação de um goleiro, mas o momento biológico da criança deve ser respeitado sempre.

"Na última década no Brasil, foram formados goleiros bons tecnicamente, houve uma preocupação muito grande dos formadores em relação à formação técnica dos jogadores desta posição. Mas, deixaram de lado outras questões do jogo, que estamos correndo atrás agora. Os goleiros brasileiros são bons embaixo das traves, mas a inserção deles no jogo ainda é fraca. Na Europa, por exemplo, isso acontece há muito mais tempo. Lá, eles têm mais deficiência técnica, mas as tomadas de decisão são muito melhores que os goleiros brasileiros", compara.

Nesta entrevista, Osny Oliveira ainda falou sobre como a imagem de Rogério Ceni influencia no seu trabalho dentro do clube e como deve ocorrer a transição de um jovem goleiro para a equipe profissional. Confira a íntegra:

Universidade do Futebol – Qual a sua formação? Como você se preparou para assumir o atual cargo no São Paulo?

Osny Oliveira – Tenho 36 anos, sou formado como Bacharel em Esporte pela Universidade de São Paulo, com habilitação em futebol. E, ao longo da minha passagem pela faculdade, eu trabalhei no esporte universitário como preparador de goleiros.

Fiz estágio nas equipes da universidade, o que, se você for parar para pensar, é muito parecido com o trabalho de iniciação que temos nos clubes profissionais, pois se tem de ensinar eles a serem goleiros. Neste período, tive experiências tanto em futebol de campo quanto em futsal. Depois de formado, trabalhei por 11 anos em escolhinha de futebol, atuando na formação de jogadores de linha e de goleiros.

Em relação à minha preparação, leio muito sobre aprendizagem motora, principalmente, a respeito de crescimento e desenvolvimento. Observo também muitos jogos para identificar os diferentes tipos de trabalhos de goleiros.

Eu acho que a parte mais importante para eles é o entendimento do jogo. A gente procura fazer que os jovens goleiros desenvolvam o cognitivo do jogo. Criar situações para que eles possam tirar proveito, diz Osny Oliveira

Universidade do Futebol – Quais estratégias você utiliza para se manter atualizado em relação às novas demandas do futebol?

Osny Oliveira – Acaba sendo a internet. Vejo muitos sites europeus. Mas, também recorro à literatura muitas vezes, com artigos, livros, que também me ajudam neste processo.

Procuro também sempre conversar com amigos que atuam na área para trocar informações e conhecimentos. Participo de uma turma de colegas da faculdade que se reúne periodicamente para debater e discutir determinados assuntos. São profissionais que atuam tanto na área de jogadores de linha quanto de goleiros.

Universidade do Futebol – O São Paulo Futebol Clube desenvolve desde 2012 um Programa de Educação Corporativa, com o auxílio da Universidade do Futebol. Como vê esta iniciativa por parte do clube? Já é possível ver resultados?

Osny Oliveira – Sim, aqui dentro do clube, no trabalho do dia a dia, já é nítido perceber esta melhoria nos processos e nos resultados. Eu comecei a trabalhar no São Paulo exatamente na época do início do curso, em maio de 2012. O responsável pelo departamento era o professor René Simões.

E, desde então, os conteúdos foram muito bem aplicados, bem direcionados para que a gente possa desenvolver os trabalhos de acordo os objetivos pré-determinados. Com certeza, é uma boa iniciativa do clube para os seus profissionais. Traz o conhecimento acadêmico à parte prática. Para o pessoal mais novo, é um excelente encaixe para o bom desenvolvimento profissional.

Notamos já bons resultados nas equipes das categorias sub-15, sub-17 e sub-20, que passaram para a próxima fase dos torneios que estão disputando. E isso só não aconteceu nas categorias mais iniciantes, porque não participamos de campeonatos destas faixas etárias.

Isso, inclusive, coincide até com uma nova portaria do Ministério Público, que pretendia impedir a realização de torneios até 14 anos. E sempre o São Paulo pensou desta maneira. É onde começa a formação do jogador e a competição atrapalha neste período.

Vejo muitos sites europeus. Mas, também recorro à literatura muitas vezes, com artigos, livros, que também me ajudam neste processo de adquirir conhecimento, além de sempre conversar com amigos que atuam na área para trocar informações, relata o preparador

Universidade do Futebol – Como são planejados, executados e avaliados os treinamentos dos goleiros no São Paulo? Explique um pouco sobre as atividades cotidianas dos goleiros no seu treinamento.

Osny Oliveira – No São Paulo, a nossa avaliação acontece de diversas maneiras. As minhas categorias, sub-11 e sub13, aplicamos uma iniciação técnica e esportiva. Os garotos fazem as inscrições pelo site e são avaliados pelos profissionais da área da observação técnica do clube.

Somente depois deste processo, é que os meninos acabam sendo encaminhados para nós, aqui em Cotia. Até observamos também torneios que ocorrem em todo o Estado de São Paulo, mas não é viável o menino vir de muito longe para treinar uma ou duas vezes por semana.

Mesmo assim, quando escolhemos algum garoto que mora longe, há uma preocupação, um monitoramento que fazemos com eles. Até os 13 anos, passam uma semana no centro de treinamento e vão embora para a sua cidade. Daí, voltam somente depois de três meses.

Já os meninos que moram mais perto, passam mais tempo no centro de treinamento de Cotia. E há um protocolo de observação para eles. São de seis a oito encontros, em cerca de três a quatro semanas, que estamos em contatos com estes jovens jogadores.

Nos dias das aulas, é feito um trabalho focado em alguns parâmetros. Juntamente com o professor Carlos Gallo, são abordadas questões com enfoque na técnica, pois este é o momento técnico no qual o potencial de evolução tem de ser bem avaliado.

Também observamos neles se há um entendimento do jogo por parte do jovem goleiro. Aplicamos bastantes jogos reduzidos para trabalhar com eles noções de posicionamento, tomada de decisão, entre outros.

Ainda há uma observação da parte física, que na verdade é motora, para ver qual o controle corporal, o equilíbrio, de cada garoto. E são parâmetros diferentes para cada idade.

Baseado tudo nisso, fazemos um controle, um cadastro de cada menino para fazermos esse acompanhamento. Dados como massa corporal estatura são registrados periodicamente no nosso sistema. Porque, caso ele seja aprovado, a gente já tem esse histórico dele, com dados para comparação.

Em Cotia, há um protocolo de observação para os jovens goleiros. São de seis a oito encontros, em cerca de três a quatro semanas, que estamos em contatos com estes possíveis futuros atletas, revela Oliveira

Universidade do Futebol – Como o goleiro se insere no jogo coletivo do São Paulo, tanto defensivamente quanto ofensivamente?

Osny Oliveira – Na minha categoria, a gente tem a preocupação na inserção do goleiro no jogo coletivo. Estimulamos o garoto desta posição a utilizar o pé, a dar passe, a ter domínio e controle. Primeiramente, utilizamos trabalhos de uma forma analítica para, depois, introduzirmos situações de jogo.

Damos estes direcionamentos nos próprios jogos reduzidos, inclusive, com jogadores de linha. Para que haja a introdução do goleiro no modelo de jogo. É importante falar que na preparação analítica, você corrige o garoto para algumas dificuldades apresentadas no jogo.

Universidade do Futebol – Em seu dia a dia, o que você acredita importante avaliar na evolução dos goleiros em treinamentos e jogos? Quais informações julga importante um treinador extrair de uma partida?

Osny Oliveira – Eu acho que a parte mais importante para eles é o entendimento do jogo. A gente procura fazer que os jovens goleiros desenvolvam o cognitivo do jogo. Criar situações para que eles possam tirar proveito.

Eu faço scout, mapeamento de todas as atuações dos goleiros no jogo. Desde o tiro de meta até as jogadas com passe com os pés. E, depois, é dado um feedback para eles, no qual a gente discute de uma forma bem cuidadosa o desempenho deles nas diversas ações.

Com isso, eles vão melhorando a tomada de decisão, tendo uma efetividade maior na defesa, enfim, vão entendendo melhor a participação deles durante o jogo.

Já a parte técnica é o processo final. Às vezes, você não vai segurar a bola da melhor maneira, mas se o objetivo final de não tomar gol for alcançado, é o que importa nesta etapa do processo. E é isso que falamos para eles. O importante é evitar o gol, pois o aperfeiçoamento técnico acontece ao longo dos anos, categoria após categoria.

No entanto, quanto mais você deixar passar o tempo do entendimento do jogo, vai ficar cada vez mais difícil. A fase da pré-adolescência é um período muito bom para que o goleiro entenda o jogo. Se as informações não forem dadas no momento certo, não vai adiantar no futuro.

Hoje em dia, você vê goleiros bons no profissional do futebol brasileiro da Série A que erram porque não tiveram esse estímulo nas categorias de base. Muitos goleiros da elite nacional são bons tecnicamente, mas falham porque não leem corretamente o jogo.

Atualmente, temos goleiros acima da média de altura, mas temos também meninos que estão abaixo. Então, optamos por olhar com mais ênfase sempre para a parte técnica, aponta o profissional das categorias de base do São Paulo

Universidade do Futebol – Alguns clubes, no seu processo seletivo, exigem certa altura para que o candidato a goleiro tenha chance de ser avaliado. O que você pensa disso?

Osny Oliveira – Isso é uma coisa que vai além de cada situação. A cultura no futebol brasileiro, desde os anos 90, era de uma formação de goleiros altos, fruto do desenvolvimento físico que foi difundido naquela época.

Porém, acredito que esse modo de pensar dentro do trabalho de formação de goleiro tem se alterado aos poucos. No São Paulo, por exemplo, até o processo final da formação, não nos preocupamos com a estatura.

Por exemplo, se notamos que o goleiro está muito baixo para a idade, a gente faz uma investigação, analisamos a estatura da família, ou a alimentação, para tentarmos entender o porquê daquele cenário.

Atualmente, temos goleiros acima da média de altura, mas temos também meninos que estão abaixo. Então, optamos por olhar com mais ênfase para a parte técnica.

Agora, depois de formado, bem no processo final, quando o atleta vai para uma categoria profissional, esse fator pode até contribuir para um eventual corte em uma escolha. Mas, [a altura] não é 100% [das razões dos cortes]. É um dos fatores que influenciam na decisão.

Vejo, nestas categorias iniciantes, cobranças para o menino dar quedas certinhas, por exemplo. Mas, antes, temos de fazer que o menino goste de jogar no gol, que ele goste de evitar o gol, seja com a cabeça, com o corpo, seja pela forma que for, justifica Osny Oliveira

Universidade do Futebol – Na posição de goleiro, os erros costumam ser decisivos e duramente cobrados. Como você vê a importância do erro para o processo de ensino-aprendizagem no futebol?

Osny Oliveira – Para mim, a questão do erro é fundamental. Quanto mais o menino errar, é melhor. Ele aprende mais. Para o meu processo de formação, é melhor que ele erre. Porque, quanto mais você corrige, mais você faz o garoto evoluir.

Muitas vezes, crio situações em jogos reduzidos com o objetivo de trabalhar esses erros que eles apresentam. Nessas categorias iniciantes, não que seja bom errar muito, mas é importante que ele aconteça. Mesmo se for em um jogo formal, eu não critico. Pode provocar um bloqueio no garoto. Então, é na base da conversa que procuro apontar para eles a correção das ações.

Por isso, eu gosto bastante de promover amistosos, pois não há uma pressão pelo resultado em si, e você tem como notar estes erros com mais facilidade, o feedback nestas horas, às vezes, acaba sendo maior. E o garoto pode tirar proveito ainda maior na formação dele.

Os goleiros brasileiros são bons embaixo das traves, mas a inserção deles no jogo ainda é fraca. Na Europa, por exemplo, isso acontece há muito mais tempo. Lá, eles têm mais deficiência técnica, mas as tomadas de decisão são muito melhores que os goleiros brasileiros, compara o especialista

Universidade do Futebol – Em sua opinião, como deve ocorrer a transição de um jovem goleiro de destaque para a equipe profissional?

Osny Oliveira – Em minha opinião, a transição para o elenco do profissional deve acontecer ao longo da formação do goleiro. Deve ser feito desde lá de baixo.

Lá no sub-13, por exemplo, eu deixo o garoto que notamos um potencial para subir de categoria no time de cima treinando e acompanhamos de perto o seu comportamento em geral. Depois trazemos ele de volta para a sua categoria de origem.

Então, a iniciação desses garotos nos treinos do time de cima já vai gerando nele uma adaptação às exigências e dificuldades da categoria acima. E acredito que sempre deva ser feito isso em todas as categorias. Inclusive, dos juniores para o profissional.

Desta maneira, acredito, o atleta não vai sentir tanto a mudança. Ele já vai saber lidar com as dificuldades desse momento de estar na equipe de cima.

Gostaria de ver os nossos goleiros jogando mais fora da pequena área, com uma interação maior com os jogadores de linha. Outra coisa: menos carga de trabalho físico nas categorias de base. Eu sonho com isso. Vejo muitos meninos chegando aqui cansados, extenuados por causa de uma carga muito grande que foram submetidos, lamenta

Universidade do Futebol – Em sua opinião, o que pode melhorar no trabalho das categorias de base nos clubes brasileiros? De uma forma geral, você acredita que o trabalho é bem feito?

Osny Oliveira – Primeiramente, eu acho que deveria ter uma mudança geral na formação das nossas crianças para jogar no gol. Elas primeiramente deveriam brincar no gol. Deixar uma criança com 7 ou 8 anos brincar de ser goleiro.

No entanto, o que vemos são os clubes começando com um nível muito alto de informação específica para os garotos dessa idade e isso atrapalha a formação. Acredito que deveria se começar o trabalho de formação com uma abordagem mais ampla e depois migrar para o específico. E não o contrário, do específico para o amplo.

Vejo, nestas categorias iniciantes, cobranças para o menino dar quedas certinhas, por exemplo. Mas, antes, temos de fazer que o menino goste de jogar no gol, que ele goste de evitar o gol, seja com a cabeça, com o corpo, seja pela forma que for.

Às vezes, recebemos garotos já formados tecnicamente, mas com vários erros de leitura de jogo, o que é difícil de consertar, pois já está muito consolidado dentro da formação dele.

Temos de tirar os nossos goleiros de baixo das traves. Essas escolinhas de goleiro deixam o menino muito em cima da linha, com medo de tomar gol de cobertura. Mas, se os profissionais tomam gol de cobertura, porque eles também não podem levar?

Com este cenário, eles perdem a chance de aprendizagem. Muitos dos nossos goleiros têm dificuldades de bolas aéreas justamente devido a essa má formação. Isso provoca um bloqueio no jogador até o fim da sua carreira. Essa questão, inclusive, foi mote para uma propaganda da Volkswagen, que usava o slogan ‘Sai do gol, Dida’, em referência ao atual goleiro do Grêmio que não saía em jogadas de bolas aéreas.

Então, gostaria de ver os nossos goleiros jogando mais fora da pequena área, com uma interação maior com os jogadores de linha. Outra coisa: menos carga de trabalho físico nas categorias de base. Eu sonho com isso. Vejo muitos meninos chegando aqui cansados, extenuados por causa de uma carga muito grande que foram submetidos.

Vemos meninos já saltando em caixa de areia, fazendo pliometria. É muito impacto para quem ainda não tem a sua formação óssea e muscular ainda totalmente desenvolvida. O treino, na iniciação, não tem de cansar os garotos. Eles têm de aprender. Penso que a precocidade sempre vai existir na formação de um goleiro, mas o que eu prezo é o respeito ao momento biológico da criança. Tem trabalhos que a criança não está preparada para fazer. A criança não é um minijogador, ela é um jogador em formação.

O fato dos goleiros do Brasil não saírem do gol, inclusive, foi mote para uma propaganda da Volkswagen, que usava o slogan ‘Sai do gol, Dida’, em referência ao atual goleiro do Grêmio que não saía em jogadas de bolas aéreas

Universidade do Futebol – Qual a sua avaliação sobre o nível dos goleiros em atividade no Brasil? Como estamos em relação ao cenário internacional?

Osny Oliveira – Em relação a isso, eu tenho os meus pensamentos já definidos. Em minha visão, nós temos bons goleiros no cenário nacional. São bons goleiros, mas atualmente não temos excelentes goleiros. Isso porque, na última década, foram formados goleiros bons tecnicamente, houve uma preocupação muito grande dos formadores em relação à formação técnica dos jogadores desta posição.

Mas, deixaram de lado outras questões do jogo, que estamos correndo atrás agora. Os goleiros brasileiros são bons embaixo das traves, mas a inserção deles no jogo ainda é fraca. Na Europa, por exemplo, isso acontece há muito mais tempo. Lá, eles têm mais deficiência técnica, mas as tomadas de decisão são muito melhores que os goleiros brasileiros.

O Manuel Neuer, do Bayern de Munique e da seleção alemã, tem muitos defeitos técnicos se você for analisar. A gente observa nele uma queda lateral toda torta, sai girando. Então, biomecanicamente, ele tem defeitos, mas chega em quase todas as bolas. Ele se destaca por ser muito rápido. Nos escanteios ofensivos do Bayern, ele fica quase no meio de campo, ajudando os zagueiros. E isso os nossos goleiros não fazem, não auxiliam o time.

Neste quesito, destaco o Diego Alves entre os brasileiros. Ele atua dessa maneira, utiliza bem os pés. Mas, ele joga no exterior. Dentro do país, nos últimos anos, destaco o Rogério Ceni e o Marcos, apesar da deficiência com os pés. Porém, dentro da grande área, o ex-goleiro do Palmeiras era muito bom nos enfrentamentos e nas saídas do gol.

O processo de formação é natural. Não tem uma escolha em algum garoto para ser o novo Ceni. Há uma preocupação nossa na formação dos garotos para que eles sejam os mais completos possíveis quando chegarem nos juniores, estarem quase formados, afirma

Universidade do Futebol – O São Paulo possui um goleiro como um dos maiores, se não o maior, ídolo de sua história. Como a imagem deste ídolo influencia os garotos que desejam ser goleiros no São Paulo? A “pressão” por formar novos “Cenis” ajuda ou atrapalha no dia a dia do clube?

Osny Oliveira – Primeiramente, o contato que tenho com o Rogério Ceni é quase nulo. Acontece somente quando a equipe principal fica alojada em Cotia, por alguma razão específica. E, sinceramente, eu não percebo se existe a pressão de ter que formar um novo Ceni.

O processo de formação é natural. Não tem uma escolha em algum garoto para ser o novo Ceni. Há uma preocupação nossa na formação dos garotos para que eles sejam os mais completos possíveis quando chegarem nos juniores, estarem quase formados.

Temos o Jairo, que treinou com o elenco principal e agora retornou para a base. Ele teve as suas dificuldades, mas se destacou em algumas situações enquanto treinou lá na Barra Funda. Ele é uma promessa entre os novos goleiros do São Paulo.

Agora, entre os menores, o Rogério Ceni acaba sendo uma unanimidade. A influência dele é enorme. Sempre acontece, em algum treinamento, o menino fazer a defesa e gritar Rogério. Mas, acredito que seja natural da idade. Às vezes, temos que contê-los, para não acharem que vai bater falta, cobrar pênalti de uma hora para outra. E daí a gente explica que não é assim. O próprio Rogério não era assim nas categorias juniores do São Paulo. Foi nos treinamentos do profissional que ele percebeu que poderia ter esse papel de cobrador de falta e pênalti.

Muitas vezes, crio situações em jogos reduzidos com o objetivo de trabalhar esses erros que eles apresentam. Nessas categorias iniciantes, não que seja bom errar muito, mas é importante que ele aconteça, analisa Osny Oliveira

Universidade do Futebol – Cada vez mais as grandes equipes se preocupam com as características humanas dos jogadores (perseverança, trabalho em equipe, responsabilidade, etc.). Como você e o São Paulo entendem estas questões na formação de novos futebolistas?

Osny Oliveira – A gente tenta observar os meninos que tenham uma maior atuação nessa área. Um menino mais comunicativo acaba tendo as melhores atitudes e iniciativas. E ele vai acabar se impondo perante ao grupo, externando outras qualidades, como a liderança. E essa liderança fará com que os outros o respeitem.

Agora, se o menino é um pouco acanhado, temos psicólogos que ajudam nesse processo. O goleiro tem de ser comunicativo, tem de orientar o sistema defensivo. Pois, se ele não tiver essas características, ele vai passar apuros.

Neste período de formação, também temos um direcionamento para uma parte mais social. Encaminhamos alguns meninos para conversas com as psicólogos do clube, fazemos dinâmicas para melhorar alguns quesitos nos treinos.

Eu também tento buscar minhas ajudas. Se eu detecto que algum garoto está com dificuldade em alguma coisa, eu busco apoio nos departamentos auxiliadores, como nutrição, psicologia, até o professor Carlos Gallo.

 

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Comentários

  1. Marcio disse:

    Ola!! meu nome e Marcio Tristao falar sobre esse rapaz primeiro de tudo gente boa de mais um grade profissional responsável e dedicado, um grande amigo nos tempos de bola também era um grande goleiro todo mundo queria ele em seu time, eu como um grande Sao Paulino sague tricolor na veia desejo pra vc Osny um futuro de muitas glorias e títulos pois vc esta hoje em uma grande empresa S.P.F.C um clube de glorias meus parabéns!!!!!

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