Universidade do Futebol

Entrevistas

19/12/2014

Oswaldo Alvarez, treinador da seleção feminina

O que motivaria um treinador de futebol profissional trocar uma carreira consolidada na modalidade masculina pelo desafio de liderar a seleção brasileira feminina rumo aos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016? Justamente estar presente no maior evento do planeta esportivo, e também no Mundial de 2015, no Canadá. O “sim”, então, foi dado por Oswaldo Alvarez, o Vadão, como resposta ao convite da CBF.

O experiente treinador, que já havia disputado diversas vezes a Série A do Campeonato Brasileiro, a Libertadores da América e Estaduais pelo país, deixou a Ponte Preta, passou a observar futuras jogadoras, organizou convocações de maneira imediata e deu o pontapé inicial para a construção do grupo que se sagraria, poucos dias depois, campeão da Copa América.

“Todo sonho de qualquer pessoa do esporte é trabalhar em seleção brasileira. Aceitei o desafio, em um mundo que conhecia quase nada. Me motivei para estudar e conhecer novas pessoas, recebi um novo oxigênio para trabalhar com isso, e o título da Copa América veio a consolidar este início de projeto”, relembra Vadão.

O treinador tentou logo para o importante torneio continental contar com Marta, principal referência do futebol feminino brasileiro. Mas não obteve a liberação do Rosengard, da Suécia. Sem ela, Vadão passou a peregrinar por clubes para conhecer de perto novas atletas. Contou com o auxílio de profissionais experientes na área, resgatou o futebol de Cristiane, outra grande estrela, e faturou o título.

A seleção acabou a disputa com uma incrível marca de 22 gols anotados em sete jogos, e a defesa menos vazada – apenas em três oportunidades. A melhor do mundo por cinco oportunidades, porém, esteve integrada ao grupo de Vadão recentemente, para a disputa do Torneio Internacional de Brasília. E em um duelo preparatório, já mostrou o porquê é tão especial.

“Falar da parte técnica é indispensável. O que me chamou a atenção foi em um jogo amistoso com a França. Estávamos com uma equipe desfalcada, sem algumas referências, outras meninas jovens, que seriam observadas. Era difícil colocar uma atleta para marcar uma adversária pelo lado de campo, e a Marta se propôs a fazer a função. Desempenhou muito bem, mesmo tendo as suas qualidades inibidas, e mostrou sua liderança e seu espírito de cooperação”, elogia o treinador. “Ela merece tudo que conquistou”.

Nesta entrevista à Universidade do Futebol, o comandante fala sobre aspectos táticos do jogo, revela como foi o contato para dirigir o time da CBF e projeta a Olimpíada que será realizada no Brasil.

“O que não podemos é transferir para a Marta o que foi feito com o Neymar [na Copa do Mundo de 2014]. Nossa preocupação é fazer bons torneios em 2015 para chegar nos Jogos Olímpicos, nosso grande objetivo, prontos para disputar de igual para igual com qualquer adversário”, finaliza.

Ouça a entrevista na íntegra:

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