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01/07/2007

Parcerias são solução para futebol feminino

O Brasil é o país do futebol. Masculino. Nossos craques são referências no exterior, nossos clubes conquistam cada vez mais títulos internacionais e nossa seleção é a única com cinco títulos Mundiais. Enquanto isto, o futebol feminino segue como um esporte de “segunda linha”, conquistando seu espaço a duras penas.

Ainda que a medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004 e a eleição da brasileira Marta pela Fifa, como melhor jogadora de futebol em 2006, tenham, de um certo modo, impulsionado o esporte, o futebol feminino ainda engatinha em termos de administração.

Um dos clubes mais vencedores desta modalidade é o Botucatu F.C., fundado em 1996 por Edson Castro, atual presidente e técnico da equipe, que em dez anos de vida já venceu quatro jogos regionais, um jogo aberto do interior, um Campeonato Paulista, uma Taça Brasil, além do atual vice-campeonato da Liga Nacional.

Mesmo com todos estes títulos e com sete de suas jogadoras convocadas pela Seleção Brasileira em 2006, o clube ainda sofre para se manter. Edson Castro conta com o apoio da prefeitura para chegar o mais perto possível do que ele chama de “profissionalização do esporte”.

“O futebol feminino ainda está anos luz atrás do masculino, mas estamos crescendo. Em 2004 acertamos uma parceria com esta atual gestão (prefeitura) até 2008 e eles estão sendo fundamentais para manter o Botucatu funcionando e brigando por títulos. Este é um dos passos neste tortuoso caminho da profissionalização do esporte”, afirma o presidente e treinador da equipe.

A atual prefeitura da cidade é responsável pelo pagamento de salários das atletas. Além desta parceria, o clube ainda conta com o apoio do Pão de Açúcar, que fornece a alimentação das atletas e com a Unifac – Faculdades Integradas de Botucatu – que disponibiliza dez bolsas no curso de Educação Física para as jogadoras.

“Aos poucos vamos ganhando mais espaço. Não adianta achar que o futebol feminino vai se equiparar com o masculino da noite para o dia, os gestores de clubes femininos tem que entender que são as pequenas iniciativas que vão fazer a diferença. Agora já temos uma Liga Nacional formatada, e este ano a Federação Paulista é a responsável por toda a organização do Estadual. Este é o caminho”, conta Edson.

O Botucatu conta atualmente com 24 atletas “profissionais” e mais cerca de 70 nas categorias de base, que enfrenta outro problema: a falta de campeonatos para a base. A idade mínima para as atletas começarem a disputar competições é 15 anos, antes disto não existem campeonatos formatados.

O clube tem em sua infra-estrutura um alojamento para as atletas e treina em um campo cedido pela prefeitura, que tem como meta entregar um centro de treinamentos para o clube até janeiro de 2008.

Para as interessadas em seguir a carreira de atleta, o Botucatu F.C. organiza uma peneira no próximo dia 05 de maio, na cidade de Bauru, para garotas de 12 a 22 anos. A meta do clube é ter cerca de 200 meninas atuando nas categorias de base.

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