Universidade do Futebol

Entrevistas

25/05/2007

Paulo Roberto Machado, jogador brasileiro do Al-Merrikh do Sudao

O alto número de jogadores profissionais de futebol no Brasil cria uma dificuldade e falta de oportunidade para muitos deles. Sem mercado entre as principais equipes do país, muitos são obrigados a procurar espaço em mercados emergentes ou periféricos. É o caso do paulista Paulo Roberto Machado, de 25 anos, que atualmente está no futebol do Sudão. Lá, ele defende o Al-Merrikh, uma das princiapis forças do futebol local, ao lado do Al-Hilal.
 
Aos 25 anos, Paulo já passou pelo futebol da Suíça, Alemanha e Polônia. O meia revelado pelo Paulista de Jundiaí ainda sonha em defender a seleção brasileira, mas diz que aceitaria o convite para defender o time nacional de outro país.
 
O futebol no Sudão não é muito desenvolvido. No ranking da Fifa, o país aparece apenas na 114ª colocação, sendo a 29ª equipe africana mais bem colocada. Leia a seguir a entrevista com Paulo Machado, contando sobre a sua aventura no exterior.
 
 
Cidade do Futebol – Assim que você saiu do Brasil, por quais equipes você atuou?
 
Paulo Machado – Eu saí do país com 19 anos ecomecei passando dois anos e meio no Young Boys da Suíça, da primeira divisão. Depois fui contratado para jogar no LR Ahlen (hoje extinto), da segunda divisão da Alemanha, onde fiquei mais dois anos e meio. Então me transferi para o GKR Gornik Leczna, da Polônia. Lá eu fiquei mais um ano.
 
 
Cidade do Futebol – Como você foi parar no futebol do Sudão?
 
Paulo Machado – Estou lá há cinco meses. Fui chamado pelo treinador da equipe, com quem trabalhei quando joguei na Alemanha. O nome dele é Otto Pfister, que treinou a seleção de Togo na Copa do Mundo de 2006.
 
 
Cidade do Futebol – Você tem dificuldade para se adaptar ao país?
 
Paulo Machado – Sempre que você muda de país leva um tempo para se acostumar. Assim que cheguei à Suíça sofri muito com o frio e com a distância da família. Mas isso a gente se acostuma depois de alguns meses. No Sudão, eu enfrento dias em que a temperatura varia entre 35ºC e 50ºC. Mas no fim você se acostuma. Agora, ganhei uma semana de folga no Brasil antes da definição do primeiro turno do campeonato local. O que a gente precisa ter sempre em mente é que isso acrescenta em nosso futuro profissional Conhecemos uma nova língua, uma nova cultura, além de ser bem remunerado. O que ajuda também é ter a companhia de alguém que você conhece e confia.
 
 
Cidade do Futebol – Existem outros estrangeiros no futebol do Sudão?
 
Paulo Machado – De brasileiro jogando tem somente eu. Tem um brasileiro, o Ricardo, que treina a equipe do Hilal. É uma das grandes equipes do futebol local, ao lado do meu time. É uma forma que a gente tem de contribuir com o futebol deles, já que o Brasil é muito respeitado lá. No meu time joga também o capitão da seleção de Togo e mais dois nigerianos.
 
 
Cidade do Futebol – Jogar em um lugar é opção?
 
Paulo Machado – Na verdade é falta de oportunidade no Brasil. Tem muito jogador no país. Um exemplo é essa Copa Brahma [competição de futebol de várzea organizada pela cervejaria] que começa no final de semana. Um torneio de várzea daqui certamente tem muitos jogadores que seriam aproveitados na Suíça e Polônia. 
 
 
Cidade do Futebol – Jogar em um lugar tão diferente, certamente acontecem histórias engraçadas…
 
Paulo Machado – Sem dúvidas. O Sudão é um país onde 72% da população é islâmica e o restante é de outras crenças. Quando desembarquei lá, logo na saída do aeroporto vi um monte de gente na rua ajoelhada em tapetes enormes. Não entendi nada. Depois me explicaram que eles rezam cinco vezes ao dia, não importa o local onde estão.
 
 
Cidade do Futebol – Como você vê a possibilidade de defender a seleção de um outro país, por exemplo o Sudão?

Paulo Machado – É claro que a meta é sempre a seleção brasileira. Mas com a falta de oportunidade, se de repente surgir um convite, acho que aceitaria. Já existem diversos jogadores brasileiros que defendem seleções de outros países.
 
 
Cidade do Futebol – Quais as diferenças técnicas entre o futebol destes países que você já atuou?
 
Paulo Machado – Na Suíça é um futebol de mais pegada, com mais aplicação tática. Eles se importam primeiro em defender para depois atacar. Na Alemanha é um jogo mais duro, só que com mais qualidade de jogo, a mesma característica do futebol da Polônia. Claro que não é como no Brasil, onde temos jogadores de qualidade e o espaço para jogo é mais curto. Lá as bolas são mais longas. No Sudão a característica é a correria mesmo. Acho que eles estão acostumados a correr atrás de leão (risos).

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